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Trabalhadores da ex-Alicoop preparam manifestação e recebem apoio do Município de Silves

Os trabalhadores da ex-Alicoop/Alisuper vão reunir amanhã (dia 21), na Biblioteca Municipal de Silves para estudar as formas de luta contra o banco BIC que está a penhorar os bens de várias pessoas. Nessa luta, os trabalhadores já receberam o apoio do Município de Silves.

A reunião está marcada para as 18h e os ex-funcionários deverão decidir se organizam uma deslocação a Lisboa, prevista para o dia 26 de fevereiro, para protestar contra o banco BIC que reclama créditos relativos ao empréstimo contraído por estes, em 2008, para financiar o grupo Alicoop.
Como o Terra Ruiva noticiou, no dia 5 de fevereiro, teve lugar uma primeira reunião, promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal-CESP, na qual esta situação foi debatida, com dezenas de trabalhadores.

Entretanto, ontem (dia 20), o Município de Silves divulgou um comunicado, manifestando «total solidariedade com os trabalhadores da ex-Alicoop que de novo são confrontados com os créditos que foram forçados a contrair junto do Banco Português de Negócios, SA (BPN), no início de 2008, no sentido de “salvar” a empresa e sob pena de perderem os seus postos de trabalho.»
«São largas dezenas de trabalhadores afetados, em vários casos, envolvendo mais do que um elemento do agregado familiar, num processo “criativo” e inqualificável que não dignifica os seus autores e responsáveis», acrescenta a autarquia.
«É uma enorme surpresa e indignidade a atitude do Banco BIC de avançar com processos de execução aos trabalhadores, relativos aos mesmos créditos que estava a reclamar junto da sociedade N&F.
O Município de Silves pugna para que, designadamente, o Banco de Portugal, a Procuradoria Geral da República e o Governo, eliminem as ameaças reais que impendem sobre largas dezenas de trabalhadores, causando a instabilidade da sua vida familiar, repondo definitivamente a justiça em todo este processo indigno», conclui o comunicado.

Empréstimos

Recorde-se que o problema teve o seu início em fevereiro de 2008, quando 245 trabalhadores do grupo Alicoop – Cooperativa de Produtos Alimentares do Algarve, que integrava as marcas Alisuper, Macral e Geneco, dirigido pelo empresário silvense José António Silva, contraíram um empréstimo junto do banco BPN, no valor de 1,7 milhões de euros. Na altura, este empréstimo foi apresentado como a única hipótese de salvar as empresas e os postos de trabalho, pelo que vários trabalhadores concordaram, embora também tivesse havido uma grande pressão junto dos que não queriam assinar, como foi denunciado pelo Sindicato.

Feito o empréstimo, o Grupo Alicoop, que recebeu os fundos diretamente do BPN para o aumento de capital da Urbisul (empresa do grupo), foi cumprindo com as prestações até entrar em processo de insolvência, começando aí os problemas dos trabalhadores, que tiveram de assumir o pagamento das prestações.

Entretanto, no processo de insolvência do grupo Alicoop, transitado em julgado no Tribunal Judicial de Silves em março de 2012, os créditos destes trabalhadores, com o acordo expresso do BPN, foram assumidos pelo grupo Nogueira que constituiu a empresa N&F (Nogueira & Filhos) para tentar viabilizar a Alicoop.

Em junho de 2013, o BIC (que adquirira o BPN) e a N&F assinaram um “Acordo de Cumprimento das Prestações Aprovadas em Sede de Plano de Insolvência” para cumprir a sentença do Tribunal Judicial de Silves.

Tudo parecia estar resolvido, até que também a N&F entra em processo de insolvência, publicada em fevereiro de 2016, no Tribunal de Viseu, e o banco BIC foi, enquanto credor da N&F, reclamar os seus créditos e avança agora com “processos de execução do mesmo crédito aos trabalhadores”, como denuncia o CESP.

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