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Quando São Bartolomeu de Messines falou com Marte ( e o Caso do Algoz)

Era messinense, chamava-se Joaquim dos Reis Varela e ficou conhecido como “o português que falava com os ET”.
Do Penedo Grande até Marte, a curiosa história deste pioneiro que buscava os céus procurando uma resposta para a pergunta mais antiga da Humanidade: estamos sós no Universo?

Desde sempre a Humanidade se tem interrogado sobre o seu lugar no Cosmos e debatido uma e outra vez a mesma questão: estamos sós no Universo?
O relato do avistamento de um Objeto Voador Não Identificado (OVNI) em S. Bartolomeu de Messines, publicado pelo Terra Ruiva na edição anterior ( maio 2017), suscitou as reações habituais nestes casos, que alternaram entre a curiosidade e o gozo.

Mas o que muitos não saberão é que foi aqui, em S. Bartolomeu de Messines, que, pela primeira vez em Portugal, se realizou a primeira vigília de observação de OVNIs e tentativa de contactar com extraterrestres.

Aconteceu a 20 de dezembro de 1914 e foi um evento organizado por um dos maiores entusiastas do fenómeno do seu tempo: Joaquim dos Reis Varela – “o português que falava com os ET”, como ficou conhecido.

Ao que se sabe, o interesse de Joaquim dos Reis Varela pela comunicação entre os planetas terá começado muito cedo. Lia tudo o que saía na imprensa de então e procurava nas escassas bibliotecas existentes o que encontrava sobre o assunto.
No dia 20 de dezembro de 1914 subiu ao cerro do Penedo Grande, com um grupo de amigos, tentando comunicar com seres de outros planetas. Ao que relata, terá tido contactos, através de sinais luminosos, uns azuis, outros verdes, que seriam provenientes de Úrano e Mercúrio.

A imprensa divulgava as ideias do messinense, embora fosse frequentemente alvo de chacota

Nos anos seguintes, irá prosseguir com as tentativas de contactos com seres de outros planetas, seres de inteligência superior, dos quais os mais evoluídos seriam os marcianos, como escrevia.

Joaquim dos Reis Varela

 

 

 

Joaquim dos Reis Varela não teria grande educação formal, seria um autodidata, mas escreveu e publicou no jornal “Voz do Operário”.

E em 1930 fundou um jornal chamado “A Luz do Progresso” que descrevia como “órgão oficial do serviço de comunicações interplanetárias” e publicou ainda dois livros sobre o tema.
As suas teorias tiveram bastante eco na imprensa, particularmente no jornal “O Século”, sendo muitas vezes ridicularizado.

O que não o demoveu de continuar a divulgar as suas ideias, incluindo às Academias de Ciências de Lisboa, Paris, Roma, Copenhaga e outras, “convidando-as a enviar aqui os seus delegados”, como escreve. Pretendia que as suas visões e teorias pudessem ser confirmadas pelos cientistas e que os próprios pudessem verificar os sinais que “partem dos habitantes de Marte e Urânio, e mais dois, que não acho razoável divulgar por enquanto”.
“Trabalho há dois anos para poder anunciar ao mundo culto, sinais demonstrativos da existência de uma vida superior ao nosso sistema solar, visíveis à vista desarmada.”, escreve numa comunicação enviada à imprensa e a uma grande parte das academias científicas do mundo.
Nunca ninguém o visitou, como tanto pretendia este messinense.
Terá desistido desta sua demanda, ou falecido, não se sabe ao certo em 1931, teria 39 anos. O seu interesse por esta temática teria nascido em Moçambique, onde passou algum tempo. Ao regressar terá estado algum tempo por Lisboa, sozinho e sem dinheiro até encontrar emprego numa farmácia, em Paço de Arcos. Só mais tarde regressou para Messines.
Noutra versão da sua biografia, terá vivido algum tempo em Lourenço Marques, de onde regressou sozinho, aos 19 anos, com 1$18 no bolso, ( 1 escudo e 18 centavos, cerca de 25 euros).

Mas sabe-se que tinha 22 anos quando subiu o Penedo Grande com os amigos para iniciar o estudo e as tentativas de comunicação interplanetárias. O que faz dele um pioneiro e uma referência.

Muitas décadas mais tarde, as vigílias para observação dos céus continuam. A próxima Vigília Nacional do Fenómeno OVNI terá início às 18h do dia 25 de agosto de 2017, terminando à meia noite de 27 de agosto. O local será em qualquer ponto do território nacional, o objetivo é que os participantes vigiem o céu e se observarem “algo de extraordinário ou anormal” que tirem o máximo de apontamentos e de imagens e que façam chegar esse material à UFO Portugal.

 

 

OVNIS no mundo

Desde a Antiguidade que há relatos de luzes estranhas que são avistadas no céu. Em Portugal, há relatos de luzes e objetos estranhos nos céus que datam do século XVII.
É nos anos 40 do século XX que surge o termo “disco voador” e são imensos os relatos de avistamentos. A ciência tem vindo a descodificar a esmagadora maioria desses fenómenos mas continua a existir uma pequena parcela de acontecimentos misteriosos / inexplicáveis (ou por explicar), que alimentam a curiosidade.
Em média são comunicados 20 alertas por mês, mas apenas 1 ou 2 são inexplicáveis ou a sua explicação demora a surgir. Mas sabe-se que muitos casos não são reportados, ou porque as pessoas receiam o ridículo, ou porque não atribuem importância ao que viram, sendo frequente que o façam após ouvirem outros testemunhos.

O Caso de Alfena
Em Portugal, o caso mais importante de avistamento passou-se a 10 de setembro de 1990, em S. Vicente de Alfena, no Concelho de Valongo. Dezenas de pessoas avistaram um OVNI durante cerca de 50 minutos, ora imóvel ora em movimento e existem quatro fotografias do objeto que se assemelha a uma tartaruga. As imagens foram enviadas para a NASA e foram consideradas autênticas. Este caso foi considerado inexplicável e está incluído no episódio 4 do documentário “Histórias de OVNIs”, do Canal National Geographic.
Casos envolvendo a Força Aérea também estão na lista dos “sem explicação”, como o famoso “caso da OTA”, de 1982, quando um avião da Força Aérea foi perseguido por um OVNI e o sucedido foi reportado oficialmente.

O Caso do Algoz
«Era a madrugada de uma quarta-feira. Carlos Sabino, 25 anos, alfaiate, ía para casa, quando a 1 km de Algoz avistou um pouco à frente, a parte de cima de um objecto que se encontrava numa diferença de nível. À luz da Lua, conseguiu ver que dois indivíduos se movimentavam à volta do aparelho. Como achou bizarro, meteu-se entre os arbustos e ali ficou a observar. De vez em quando, via o tronco dos homens moverem-se de um lado para o outro, parecendo pessoas normais, não garante este pormenor, porque estava longe e era de noite. A certa altura, olhou para trás procurando o cão que o acompanhava e tinha fugido, quando pôs de novo os olhos na estrada, o objecto sem fazer o menor ruído levantava-se no ar: fazia lembrar dois pratos gigantescos colados. Subiu verticalmente e desapareceu atrás de uma elevação. Dirigia-se para casa, quando surgiu na sua direcção um facho de luz: deitou-se ao chão aterrado. Ao olhar de novo, o objecto desaparecia no horizonte a grande velocidade.
Fonte: “Diário de Notícias” 13/06/1960

OVNI em S. Bartolomeu de Messines
Na noite de 6 de maio de 2017, foi avistado em S. Bartolomeu de Messines um objeto em forma de “y”, que emitia várias luzes de cor. O fenómeno foi reportado à UFO Portugal e noticiado pelo Terra Ruiva (edição de abril de 2017). Depois de uma análise às várias possibilidades, a UFO Portugal continua a considerá-lo como “Objeto Voador Não Identificado”, acrescentando que, na mesma noite, um fenómeno com as mesmas características foi visto em Vilamoura e Vila Nova de Famalicão.
Nos muitos comentários que a nossa notícia recebeu, principalmente nas redes sociais, embora o ceticismo seja dominante, surgiram também relatos de pessoas que já passaram por experiências ou que assistiram a fenómenos que não conseguiram explicar.
Se observar algo nos céus que lhe pareça interessante, uma das possibilidades é contactar quem se dedica ao estudo desses fenómenos.

 

Texto: Paula Bravo

Nota: Para este artigo foram consultadas as seguintes fontes: Wikipédia; blogue da UFO Portugal: http://ufoportugal.blogspot.pt ; Revista Sábado: “O português que falava com ETs”, artigo de Tânia Pereirinha, de 25/12/2014; Excerto de “História Prodigiosa de Portugal. Magias & Mistérios”, de Joaquim Fernandes.

Nota 2: Apela-se aos leitores que possam ter alguma informação sobre este messinense, Joaquim dos Reis Varela, que entrem em contacto com o Terra Ruiva.

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