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Centenário das Aparições: A primeira visita da Virgem Peregrina, em 1947

O Algarve recebeu pela primeira vez a Virgem Peregrina de Fátima entre os dias 23/12/1947 e 08/01/1948, naquela que constituiu a terceira saída da imagem da Capelinha das Aparições.

Durante cerca de 15 dias, Nossa Senhora foi transportada de automóvel por todos os concelhos da região, demorando-se escassas horas nas paróquias visitadas.

Em S. B. de Messines a imagem permaneceu na freguesia entre as 17:30 e as 20:30 do dia 31/12/1947. Não obstante a curta visita, os messinenses empenharam-se sobremaneira na sua receção.

Assim as ruas foram atapetadas de juncos e verduras, bem como atravessadas de grandes e simbólicos dísticos, reclamando a proteção da Celeste visitante. As portas e janelas foram envolvidas em festões de verduras, das quais pendiam ricas colgaduras. Também a frontaria da igreja foi decorada, conforme noticiou o jornal da Diocese “Folha do Domingo”.

Vinda de Alte a imagem foi recebida no limite da freguesia pelas autoridades concelhias, comissão de honra da povoação e por centenas de populares que para ali haviam convergido a pé e de camioneta. Após uma breve paragem para troca de cumprimentos entre o bispo D. Marcelino Franco e o presidente da Câmara de Silves, Salvador Gomes Vilarinho, o cortejo dirigiu-se para a sede de freguesia. Em Messines de Baixo encontravam-se alguns arcos de triunfo, respondendo também a Portela de Messines com as suas homenagens.

Entretanto em S. B. de Messines organizou-se uma procissão, composta pelas crianças das escolas, confrarias, raparigas da Acção Católica, senhoras da Liga, Apostolado da Oração, entre outras, que se dirigiu para o limite da aldeia para receber a Virgem, junto ao primeiro arco de triunfo. Quando esta aí chegou, concentravam-se no local, segundo o “Folha do Domingo”, milhares de pessoas, com as suas velas acesas, tendo de imediato estalejado 21 morteiros. Aquele periódico descreveu a ocasião como “indescritível”, pelo “entusiasmo e alegria que se operou em toda aquela multidão!”, com calorosos vivas e vibrantes aclamações e lágrimas em muitos olhos.

A procissão, na qual se incorporavam três crianças vestidas de pastorinhos (o Francisco era representado pelo petiz Teodomiro Neto), dirigiu-se, por entre hinos da Virgem e hossanas, para a igreja matriz, pela rua principal. A iluminação das velas e das habitações causou um efeito deslumbrante, de tal forma que o correspondente do “Folha do Domingo” referiu que a luz era “tão brilhante” quanto a proporcionada pela energia elétrica. Note-se que esta última apenas seria uma realidade, na aldeia, em junho de 1948.

No adro da matriz o andor foi colocado num trono, junto ao pórtico da igreja, ficando ladeado pelo prelado e pelo governador civil, numa união das entidades civis e religiosas, tão característica do Estado Novo. Depois de alguns discursos difundidos por alto-falante, como o dos dois pastorinhos, pedindo proteção para as crianças, ou o de Irene Palma, agradecendo a graça que a Virgem lhe havia concedido ao curá-la de uma forma repentina, quando vários médicos já a haviam desencorajado, a imagem foi transportada para o interior do templo. Aqui ficou exposta à veneração dos fiéis, juntamente com o Santíssimo Sacramento. Houve ainda uma preleção de frei Bernardino Vilas Boas, de nacionalidade brasileira, que se encontrava na paróquia, bem como a recitação do terço e entoação de hinos alusivos àquele momento solene. Após a bênção do bispo aos doentes e a todos os messinenses a Veneranda Imagem seguiu para Silves.

Terminava desta forma a breve visita da Virgem Peregrina a S. B. de Messines.

Porém, sete anos depois, no âmbito das comemorações do centenário da definição dogmática da Imaculada Conceição, em 08/12/1854, Nossa Senhora de Fátima regressou ao Algarve para percorrer todas as paróquias, vindo a permanecer em S. B. de Messines, não escassas horas mas uma semana, entre 12 e 19/09/1954.

(Continua)

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