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História & PatrimónioSociedade

As festas tradicionais em S.B. de Messines ou a ausência delas?

Aurélio Cabrita
Última Atualização: 2016/Out/Ter
Aurélio Cabrita
10 anos atrás
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As tradições estão na moda e por isso qualquer festejo é de imediato associado a antigos costumes, muitas vezes erradamente. Na verdade tradição implica continuidade ou permanência de doutrinas, costumes ou valores, em determinada comunidade. Ora em S. B. de Messines só duas festas preenchem estes requisitos: a mais antiga realiza-se, pelo menos, há 311 anos, a solenidade em honra de Nossa Senhora da Saúde, em setembro, enquanto a mais recente remonta a 8 de março de 1895, o dia de João de Deus.
Dias em que os messinenses ano após ano, saíam à rua, ou não fossem brindados logo pela manhã com salvas de foguetes que, no caso da festa religiosa, se traduzia, por vezes, pelo lançamento de fogo de artifício, à noite.

Como qualquer romaria, também a festa a Nossa Senhora da Saúde se encontrava ligada aos festejos profanos a partir de 1825, data em que foi criada a feira anual. Ainda hoje, por todo o país, ocorrem feiras associadas às solenidades religiosas, seja na Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, ou nos Remédios, em Lamego, que não só dignificam aquelas solenidades, como se complementam, contribuindo para a atração de forasteiros.

Em S. B. de Messines também foi assim durante mais de 170 anos. À festa da Senhora da Saúde sempre acorreram muitos devotos das freguesias vizinhas e do Baixo Alentejo, já assim acontecia em 1758 e não era exceção nos anos de 1950. Por essa altura, por iniciativa do padre João José Guerreiro, a imagem começou a descer até à aldeia, o que até então não acontecia, sublimando a solenidade. Com data fixa desde tempos imemoriais, a festa passou a móvel há alguns anos e em contracorrente a feira não acompanhou essa mudança. Ora a festa era a razão de ser da feira e a separação não honrou a festa, nem dignificou a feira. O principal acontecimento da terra perdeu importância e a feira é hoje mais pequena que um mercado. É verdade que outras iniciativas foram criadas, mas de tradições só ostentam mesmo o nome, exceção feita para o Carnaval. Não obstante remontarem ao final da década de 1950 as primeiras batalhas de flores, pese embora algumas interrupções, serão hoje das poucas iniciativas que atraem turistas a S. B. de Messines.

Os festejos a João de Deus, principalmente no dia 8 de março (antes e depois existem várias atividades), não são mais que um desfilar de memórias, pois pouco acontece nesse dia, até os foguetes desapareceram e se converteram em recordações.

S. B. de Messines carece de atrair forasteiros à freguesia, que amplifiquem a sua economia e não apenas de iniciativas destinadas à comunidade local, válidas é certo, porém sem capacidade de atração exterior.
Nesta sequência, é altura de se proceder a um amplo debate, com o objetivo de devolver a dignidade às tradições da nossa terra.

Porque não transformar o dia 8 de março num dia de espetáculos culturais, de âmbito regional? Deverá a feira de setembro tornar-se móvel, realizando-se ao fim de semana, com a solenidade a Nossa Senhora, ao domingo? São questões que impõem uma resposta. Certo que a mudança da feira pressupõe obrigatoriamente a realização de eventos musicais/culturais na noite de sábado, no mesmo espaço, para atração de pessoas e proveitos. Feira que pode e deve evidenciar as nossas tradições, bem como as nossas atividades económicas.

Em suma concentrar para dignificar e enobrecer as verdadeiras tradições.

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PorAurélio Cabrita
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nasceu em 1978. Licenciado em Engenharia do Ambiente, é mestrando em História do Algarve e técnico superior no Município de Odemira. Tem publicados diversos artigos e livros sobre a história local e regional. É também colaborador no jornal on-line Sul Informação.
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