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Bandas de garagem de Silves – Inhuman, Supernova, Pecado Original – Noite de memórias em Silves

Paula Bravo
Última Atualização: 2016/Jan/Ter
Paula Bravo
10 anos atrás
Rui Farinha, Miguel Martins, João Estiveira, Carlos Rocha, Necas Nabais, Pedro Garcia e Jorge Pargana ( da esquerda para a direita) / Foto de Sérgio Costa
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Rui Farinha, Miguel Martins, João Estiveira, Carlos Rocha, Necas Nabais, Pedro Garcia e Jorge Pargana ( da esquerda para a direita) / Foto de Sérgio Costa
Rui Farinha, Miguel Martins, João Estiveira, Carlos Rocha, Necas Nabais, Pedro Garcia e Jorge Pargana ( da esquerda para a direita) / Foto de Sérgio Costa

O rock andava no ar em Portugal, nas décadas de 80 e 90. Centenas das chamadas “bandas de garagem” faziam a sua estreia e algumas conseguiam mesmo seguir uma carreira.

Em Silves também se tocava, e uma banda local, os “Inhuman” alcançava uma projeção internacional, enquanto os “Supernova”, de Messines, seduziam o país…

Vivências que foram recordadas na noite de 19 de dezembro, em Silves, numa iniciativa que juntou Pedro Garcia (Inhuman), Necas Nabais (Santo Vício), Rui Farinha (Supernova), João Estiveira (Pecado Original), Miguel Martins ( Teasana Satana) e Jorge Pargana ( Som Lusitano/programa da Rádio Racal), numa conversa conduzida por Carlos Rocha, do sector da Cultura da Câmara Municipal.

Os tempos áureos da “novo rock português” eram assim: os grupos nasciam, desfaziam-se, renasciam e reinventavam-se por todo o país, a grande velocidade. Para lhes dar visibilidade, surgiram os “concursos de música moderna” ( em Silves realizaram-se dois), os concursos da Rock Rendez-Vous ( clube de rock em Lisboa, muito famoso), e a televisão e a rádio começaram a destacar estes novos grupos e sons, ao mesmo tempo que as editoras tentavam “descobrir” as potenciais fontes de lucro.
Fazia-se música com quem aparecia, com muita animação e pouco dinheiro, ou mesmo nenhum para os músicos envolvidos. Mas o país fervilhava com as novas bandas e o “grande sonho” era comum a todas: “ gravar um álbum”, como disse Necas Nabais.
No concelho, surgiram diversas bandas, a maioria com uma existência efémera, principalmente com jovens de Silves e de Messines.
Em Silves, os ensaios eram feitos principalmente no recinto que acolheu esta conversa, o Teatro Mascarenhas Gregório, ao tempo conhecido como “ a música”, num espaço debaixo do atual palco “ ai se este palco falasse!…” , foi dito várias vezes, mas também nas sedes dos partidos políticos, do PCP ao PS e PSD, que emprestavam salas para as atividades juvenis.

Já em Messines, uma casa desabitada propriedade da cabeleireira Naicita foi o palco para as melhores bandas que por aqui nasceram, como os Flávio F de Folha, Supernova e Simplesmente Maria.

A acompanhar esta atividade efervescente, a rádio local, neste caso a extinta Rádio Racal, fazia o que podia para se manter a par. Jorge Pargana realizava o programa “Som Lusitano”, passando discos que “ comprava com o dinheiro do próprio bolso”, enquanto o músico João Estiveira aproveitava os concursos em que a sua banda participava para “arranjar cassetes” de outras bandas e “as novidades”.
Haveria dinheiro envolvido neste “boom” da música portuguesa, mas os envolvidos dizem que pouco ganharam. A maioria das atuações era gratuita. A vontade de mostrar a música que faziam era o combustível destes jovens. O famoso estilo do “desenrascanço” fazia com que fosse possível, como no episódio contado por Necas Nabais: num dia em que a sua banda se preparava para dar um concerto em Paderne, descobriram que não tinham transporte. Mas tudo se resolveu, já que desenrascaram “um transporte especial”, nas suas palavras. O tal transporte, era nem mais nem menos do que um carro funerário, de uma agência de Messines, cujo proprietário (Eliseu Andrés) era “pai de um amigo da banda” (Duarte Andrés). Em Paderne é que acharam “estranho”… quando viram chegar os músicos convidados…

De muitos episódios se foi fazendo esta conversa, à mistura com uns “tesourinhos” descobertos por Sérgio Costa. Excertos de entrevistas e de programas televisivos foram apresentados, bem como a reportagem do Primeiro Jornal da SIC, que dava conta que uma banda de Silves, os “Inhuman” iam para Inglaterra gravar um disco com um famoso produtor. A reportagem passou e esse foi “o dia em que ficamos famosos”, como o descreveu Pedro Garcia, à época o vocalista da banda.

O futuro da música

No final deste encontro, que no público juntou vários elementos de bandas, a conversa ainda abordou alguns temas do presente, nomeadamente a questão de como se produz hoje em dia a música, como é divulgada e vendida. “A música hoje é um produto inócuo, ouve-se, consome-se e qual o é o próximo? Deixa de produzir efeito”, como disse Rui Farinha, que defendeu que “ a música tem de ser repensada”.
Sinal dos tempos: o programa Som Lusitano não se perdeu na extinção da Rádio Racal, reinventou-se numa página do Facebook, orientada por Jorge Pargana.
À parte os problemas atuais e futuros, deste sector/arte em profunda transformação, foi um verdadeiro regresso ao passado que se viveu no Teatro Mascarenhas Gregório, numa iniciativa muito justificadamente apelidada de “Os Filhos da Terra também têm nome” e que no último ano, trouxe à conversa vários “filhos da terra” que se destacam em diversas áreas. Neste caso, como disse o moderador Carlos Rocha, tratou-se de destacar músicos do concelho que estiveram em “bandas que marcaram a nossa vida”.

 

Inhuman
Os Inhuman formaram-se em dezembro de Inhuman1992, em Silves. A banda era constituída por Pedro Garcia (voz), João Pedro Correia (guitarra), Diogo Simões (teclas) e José Vairinhos (bateria).
A primeira atuação em público foi em Silves, em outubro de 1993, e em 1995 gravaram a primeira demo-tape, num estúdio profissional, com o nome “Pure Redemption”.
As críticas a este primeiro trabalho são muito favoráveis e várias editoras, inclusive uma francesa, mostram interesse. Em 1995 surge o primeiro álbum, intitulado “Strange Desire”. Em 1997, a banda assina um novo contrato discográfico, com a União Lisboa e edita o segundo álbum: “Foreshadow”, gravado nos Square Center Studios em Nottingham, com produção a cargo de Simon Efemey, conhecido por ter trabalhado com bandas como os Paradise Lost, Pantera, Therapy, Napalm Death ou Amorphis. No início da promoção do álbum dá-se a saída de Pedro Garcia, substituído por Hugo Lopes (ex-Bell Witch).
Com este segundo álbum, a banda de Silves alcança a fama internacional, sendo conhecida e muito apreciada pelos fãs do género ( death metal).
Mas o terceiro álbum, iniciado em 1999, confronta-se com uma série de problemas com a editora, depois com a saída do vocalista. São gravados alguns temas mas não foram editados. Em 2002 a banda anuncia o fim. Entre 2007 e 2010 foi feita uma tentativa de reunir de novo a banda mas não resultou. Terminou assim a carreira da banda mais famosa de Silves.

Supernova
Os SupernSupernova_Body_Backova, banda de Messines, nascem quando se extingue um outro projeto, os Flávio com F de Folha que se tinham tornado conhecidos ao chegarem às finais dos concursos do Rock Rendez -Vous.
Rui Farinha (guitarra), Rui S
antos ( baixo) Henrique Silvestre ( bateria) e Sílvia Benedito ( voz) gravam o álbum de estreia do grupo com o título “Unavoided Trax”. O mesmo mereceu de imediato, a atenção elogiosa da crítica que continuou, nos trabalhos seguintes, bem como a atenção de editoras, as mais importantes em Portugal. Em 1997 a banda produziu o single “Scan My Mind” que teve uma recetividade considerável junto do público e de algumas rádios que incluíram o tema nas suas playlists, ao mesmo tempo que destacavam os sons invulgares e a originalidade das composições. Após alguns êxitos, e quando o jornal Blitz daca conta que os Supernova seriam editados nos EUA, a banda extinguiu-se.

 

Pecado Original

pecado original

Formados em 1988, os “Pecado Original”, banda de rock português, com influências desde o punk até ao metal entre alguns sons mais alternativos… misturaram as suas influências para uma sonoridade própria, mas sempre com letras em Português… Tiveram na sua formação inicial: Jó (guitarra), Paulo Dias (guitarra), João Estiveira (bateria), Élio Gonçalves (baixo) e Joca(voz).
Em 1991, saíam Joca e Élio, entrava Dany (baixo e voz). Numa fase posterior conta com a participação de Rui Dias nas teclas. Esta formação permanece até 1997/1998 até à data em que a banda se separa, por volta de 1999. Em 2001/2002 tenta a gravação de alguns materiais, mas sem sucesso.
Atualmente a banda está a gravar uma “maquete” para apresentar. A banda reestruturada deverá adotar outro nome… respeitando no entanto os temas de Pecado Original…a nova voz, Diana Silveira ( que se distinguiu no programa Ídolos), será o sinal da mudança.

Nota: Alguns dos elementos relativos à história das bandas Inhuman e Supernova são retirados do blogue: http://underrrreview.blogspot.pt ( Para uma história da música urbana em Portugal). Os relativos à banda Pecado Original foram fornecidos por João Estiveira, membro da banda.

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TAGGED:bandas de garagemInhumanPecado Original. S. Bartolomeu de MessinesSilvesSupernova
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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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