A professora da escola alemã dizia “Com essa imaginação um dia ainda vai escrever um livro” e o tempo deu-lhe razão.
Dina Santos apresenta agora o seu terceiro livro da coleção “Maria”, com aventuras alegres e destemidas, em que o amor está sempre presente.
No dia 13 de maio esteve na Biblioteca Municipal de Silves, numa apresentação a cargo de Vítor Rodrigues, no dia 4 de junho irá estar presente na Feira do Livro em Lisboa, dando visibilidade a um projeto literário e de vida que pretende continuar a desenvolver.
– A Dina Santos está a apresentar o seu terceiro livro… mas para quem não a conhece, quem é a Dina?
Então, a Dina é aquela pessoa que como tantas outras com sonhos, objetivos e que de uma maneira ou outra tenta realizá-los de uma forma descontraída, respeitando sempre os ensinamentos adquiridos ao longo da sua caminhada, mas principalmente adquiridos no seu seio familiar, com valores de humildade e de respeito pelo próximo.
Sou casada, mãe de dois rapazes, nascida na Alemanha (Hamburg, 1971), e com muito orgulho filha de pais emigrantes, mudei-me para Portugal em 1982.
– Quando não está a escrever, que profissão exerce?
Empresária agrícola com formação técnica na especialidade dos frutos subtropicais na empresa familiar há mais de três décadas, licenciada em Gestão de RH exerço ainda o papel de coordenadora na área da saúde nas clínicas CLIPSA e ainda formadora em prestação de serviços de Desenvolvimento Pessoal.
– Na sua biografia diz que achou deliciosa a ideia de escrever romances de forma leve e sedutora… como surgiu essa ideia?
Desde pequena que gosto de ler e escrever. Já a minha professora da escola alemã quando lia as minhas composições dizia “Menina! Com essa imaginação um dia ainda vai escrever um livro.” Muitas vezes pedia para lê-las para a turma, julgo que foi aí que iniciei a motivação da escrita.
Mas depois com a transição e adaptação da língua para a portuguesa, senti que a escrita ficou adormecida e fechada num baú.
Só mais tarde, com a morte da minha mãe, que provocou um estrondo enorme e abalou a minha pessoa, senti a necessidade de reformular tudo, de realizar projetos anteriores que estavam parados ganhando uma nova força e com isso, partilhar um novo alento e dar asas à imaginação.
Relativamente ao género de escrita, a minha querida mãe não ia gostar que os meus projetos fossem muito sisudos, também ela tinha a sua alegria e adorava ver as filhas felizes e com um sorriso em tudo o que faziam. Como tal, acredito que ela quereria que manifestasse a boa disposição nas histórias da “Maria” com aventuras alegres e destemidas. E ao lançar-me neste projeto, tentei acreditar que cada leitor se fosse sentir feliz na envolvência destes romances de ficção, em que o título principal é e será sempre “Maria”, em homenagem à minha mãe.

– Os livros que escreve… podemos dizer que são aqueles que quase todas as raparigas liam e leem, “livros de amor”?
De facto, eu fui uma dessas raparigas, sim. E sempre senti que as raparigas e mulheres têm uma sensibilidade diferente para o romantismo, julgo que somos mais sensíveis e mais apuradas que o género masculino, ou então com mais dificuldade de esconder essa característica. Os rapazes provavelmente adquiriram uma armadura em relação à demostração desses sentimentos, talvez porque nas gerações anteriores terem tido incontidos preconceitos que essa demonstração de sentimentos não seriam as mais indicadas em relação ao homem e etc… não quero falar muito sobre isso, pois é um assunto que dava pano para mangas.
Sei, que sou muito observadora por natureza e não gosto de antecipar pensamentos, mas acredito que essa sensibilidade da mulher para o amor, deve-se talvez ao facto de termos a possibilidade de gerar um ser humano dentro de nós, de termos sentido a proteção e o amor das nossas mães. Quer queiramos quer não, acho que toda a mulher já sentiu na pele que somos um ser um pouco mais frágil, mais fácil de ser julgado e atingido. Embora atualmente tenhamos adquirido as ferramentas necessárias para nos defendermos de preconceitos que foram estimulados durante anos e anos a fio.
Ou então, simplesmente por sermos umas sonhadoras por natureza, e agirmos mais por emoção do que por protocolos, regras e leis.
Acreditamos no Amor e de uma maneira ou outra, num final feliz…. Não sei, deixo à vossa consideração e análise.
– Não tem receio que esse tipo de livros seja muitas vezes conotado com uma ideia de literatura “menor”? Como analisa essa ideia?
Tive esse receio quando lancei o primeiro livro, sim. Foi uma aventura para mim, pois não sabia qual seria o resultado. Mas, a resposta foi muito positiva e a editora também teve um papel importante, sempre me motivou para continuar dizendo que os romances “Maria” têm potencial para crescer e que há público para este tipo de obras, tanto que está à venda também fora de Portugal.
Outra das motivações tem sido convites recebidos, para eventos e feiras do livro, agora também fui convidada para estar na 93º Feira do Livro em Lisboa (Parque Eduardo VII), para uma sessão de autógrafos no dia 4 de Junho, vai ser a minha terceira presença lá, no ano passado não pude ir por motivos familiares.
Atualmente, não tenho receio algum, há gostos para todo o tipo de leitura e isso tem de ser respeitado, há quem goste escrita científica, autobiografias, história, ficção, poesia, contos e etc… essa diferença, não deve de forma alguma rotular um escritor como sendo mais ou menos banal, com maior ou menor conhecimento, todos nós temos a nossa inteligência, capacidades e valor quer no mercado da escrita, quer em outro mercado seja ele, profissional ou pessoal.
Vejamos, ainda relativamente à consideração de literatura “menor”, existem escritores nacional e mundialmente conhecidos, cujo abordagem literária é inclusivamente díspar de livro para livro por exemplo José Saramago, analisando a sua extensa obra bibliográfica tem livros baseados em contos literários, tem livros que refletem temas opinativos de caracter profundo, tem livros autobiográficos, tem livros com frases longas sem pontuação, frases curtas com pontuação e etc… e não é por isso que cada livro é conotado, como menor ou maior valor. No meu ver, impulso inspirador do escritor deve ser prezado, sempre.
Em relação ao meu tipo de escrita, se sempre gostei de ler romances e livros de aventuras, fazia sentido escrever algo que estivesse à vontade e que me divertisse e que gostasse, daí esta classificação de livros serem classificados como romances de amor, com aventuras divertidas, inesperadas, sedutoras e sempre com um animal de estimação.
No entanto, também gosto de poesia e contos infantis, quem sabe talvez ainda vá criar uma coleção de contos para crianças ou editar um livro de poesia, que por sinal em 2021, fui convidada e fiz parte de um volume de antologia em que o tema era “Liberdade”, não tenho participado mais em antologias de poesia porque o meu tempo é pouco (infelizmente) para me dedicar a esta vertente poética, que gosto muito.
– E as “suas” mulheres protagonistas? Parecem ser mulheres com capacidade para “dar a volta” às situações, independentes? Revê-se nelas?
As Marias das minhas obras são fruto da minha imaginação, todas as histórias são diferentes com aventuras diferentes, procuro sempre cativar o leitor se sou bem-sucedida não sei, mas quem leu diz que sim. E eu quero acreditar que sim, só assim faz sentido continuar este projeto – coleção de livros “Maria”.
Se eu me revejo nelas? A Maria é uma mulher meiga, gentil, divertida, amante de animais e que joga com algumas defesas, dando sempre a volta às situações, não é mulher de desistir fácil. Sim, nessa parte posso dizer que temos semelhanças.
Quanto às aventuras que ela é levada por arrasto em busca do amor, não de todo, não me revejo nelas. Ela, é muito mais aventureira e corajosa do que eu e que muitas de nós.
Quaisquer episódios expressos no livro não são memórias da autora, mas sim criações narrativas que embelezam o seu conteúdo.
É tudo fruto de uma imaginação que me diverte imenso a escrever e que flui sem eu dar conta, acredito piamente que essa fluidez também aconteça nos outros escritores.
Na minha humilde opinião não devemos classificar o escritor com a semelhança das personagens das suas obras. Então vejamos, se fosse assim os escritores de romances criminais seriam julgados como psicopatas assassinos, não concordam?
– E depois deste livro, quais os projetos para o futuro?
É uma pergunta pertinente, o futuro só a Deus pertence. Mas o objetivo deste projeto é continuar a coleção “Maria”. Este é um sonho que não quero deixar morrer, é importante para mim e quero que fique eternamente presente, como a minha mãe fica e ficará para sempre no meu coração.
– Para os nossos leitores que estejam interessados em conhecer a sua obra, onde a podem encontrar?
No meu caso é uma honra adquirirem diretamente a mim ou nas minhas redes sociais com autógrafo. Brevemente sairá um site “MARIA”, onde podem adquirir e acompanhar o desenvolvimento deste traçado.
Podem ainda adquirir diretamente à editora Grupo editorial Atlântico (Chiado books), Fnac, Bertrand, Wook, Amazon, Porto Editora, algumas Livrarias tradicionais, entre tantas outras.
Agradeço à editora Grupo Editorial Atlântico que tem feito um excelente trabalho na distribuição e divulgação das minhas obras.








