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Opinião

Descentralização ou transferência de encargos

O governo do PS prepara, através de negociações à direita com o PSD, o novo pacote legislativo do processo de descentralização de atribuições e competências (educação, saúde, cultura, ação social, praias, florestas), assumindo relevância extraordinária o que se congemina para endosso aos municípios. Numa primeira abordagem a ideia é boa, num país excessivamente centralizado, que representa forte óbice e inegável constrangimento à coesão social e territorial e ao desenvolvimento. É comummente aceite que o poder mais próximo dos cidadãos, como é o caso do Poder Local, se traduz em condições mais favoráveis para responder com superior eficiência e eficácia aos …

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Algarve a ver passar comboios

Os comboios no Algarve, sobretudo no Barlavento, são transparentes. Não se veem. Raramente se ouvem. O ronco tonitruante, lá muito de vez em quando, indicia que existem. O material rolante circula com enormes graffitis, mal amanhados, borrados com spray nas estrias metálicas das carruagens. As automotoras são feias, porcas e lentas. Ficam histéricas e aos guinchos quando travam. Máquinas arcaicas, emporcalhadas de fuligem, arrastam caixotes trepidantes. No seu interior os passageiros sentam-se em bancos surrados e ensebados. Espreitam a paisagem pelas janelas embaçadas pelo pó. Às vezes chegam a horas ao seu destino. O Barlavento algarvio continua à espera de …

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O mapa de baixa densidade

Há cerca de três anos escrevi uma opinião neste jornal sobre a não-inclusão do concelho de Silves no mapa de territórios considerados como “territórios de baixa densidade”. Nessa altura, salientei o meu desacordo com o mapa apresentado, dado que o mesmo apresentava o concelho de Silves com não estando incluído nessa categoria. Dado que a não-inclusão no mesmo significava a impossibilidade de aceder a uma serie de benefícios no âmbito dos fundos comunitários, e dada a importância dos mesmos para a atração de investimento, revelei nestas páginas a minha preocupação com a questão. Posteriormente, aparentemente por pressão dos municípios, o …

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Aviãozinho

No passado mês de maio, fui duas vezes de Portimão até Bragança, ida e volta, num aviãozinho de dezoito lugares. Não tinha ideia da dimensão do avião e, por isso, estava na expetativa de como seria a viagem. Curiosamente, um avião de menor dimensão parece ser mais assustador do que um avião comercial de grande porte. Não tenho conhecimentos de engenharia aeronáutica, mas acredito que são ambos seguros (ou inseguros) dependendo das nossas crenças sobre a natureza das viagens. Antes do dia da partida, falaram-me de utentes descontentes e de utentes maravilhados. Tinha de decidir por mim. Apresentei-me à hora …

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Património

A conservação, restauro e valorização do património histórico-cultural do concelho, sobretudo, o da cidade de Silves, pelo seu volume e riqueza, é uma das linhas de orientação estratégica assumida publicamente pelo Município de Silves, que se impunha que fosse acompanhada pelas políticas e medidas da Administração Central que é portadora de competências e obrigações acrescidas e substantivas nesta matéria. A tutela não se pode limitar, boa parte das vezes, à emissão de pareceres e recomendações. Fundamentalmente, devia proporcionar e disponibilizar linhas de financiamento para a execução dos projetos. O Estado não se pode eximir de responsabilidades quando o património é …

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Duas bofetadas

1974. Janeiro. Escola Industrial e Comercial de Silves. Começara a dar aulas. Era um pouco menos imberbe do que a gente bonita e cordata que se sentava à sua frente. Como não tinha sido santo, cedo aprendeu a lidar com ela. Tentava espevitá-la. Matéria dada em verbo solto, esquemas e desenhos jeitosinhos a giz na ardósia que soltavam rictos de pasmo, bocejos e embirrações afectuosas. Fazia o que podia com o pouco que sabia. Um dia, atravessando um dos corredores femininos, viu um aluno e uma aluna trocando risinhos, a dois metros de distância um do outro. O director que …

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O Zig Zag das Estradas

A Secretária de Estado da Indústria, Ana Lehman visitou recentemente o Algarve numa viagem que a levou a conhecer algumas empresas incubadas no CRIA- Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve. Durante a visita, a Secretária de Estado exortou a qualidade e potencial das empresas visitadas, indicando que o Algarve tem “condições muito especiais para a Agroindústria” e manifestou o seu desejo de que a mesma “floresça”. Em tudo concordo com as declarações da Secretária de Estado; creio que o Algarve apresenta condições ímpares para o sector da Agroindústria, nem que seja pelo facto de ser …

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Desenvolvimento regional

As jornadas de debate da economia do barlavento algarvio que se realizaram no dia 14 de Abril em Portimão, organizadas pela associação ALGFUTURO, com a participação de municípios, empresários e outros agentes públicos e privados, que se saúda, trouxeram à tona questões críticas e fulcrais que constrangem o desenvolvimento da região mas que se arrastam há décadas. Efetivamente, perpetuam-se no tempo, problemas estruturais da economia regional, cuja resolução passa pela necessidade: da atenuação e eliminação das assimetrias intra e interregionais; do combate à interioridade e à desertificação humana e económica de vasta zona do território algarvio; do esbatimento das diferenças …

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Requalificação do Centro Histórico de Messines – Carta aberta à Sr.ª Presidente da Câmara de Silves

Noticiou o “Terra Ruiva” na última edição que a autarquia se prepara para levar a efeito um vasto conjunto de obras, consideradas estratégicas, de entre as quais a requalificação do centro antigo da vila de Messines. Na verdade tal intenção não é recente, tendo mesmo amiúde integrado algumas promessas ao longo das últimas campanhas eleitorais. Em setembro de 2010, por exemplo, a presidente Isabel Soares, em entrevista ao “Jornal do Algarve”, já elencava como objetivo a supracitada intervenção. Meses antes, neste mesmo espaço, face às obras que se pré-anunciavam, alertávamos nós para as singularidades do centro histórico de S. B. …

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Em estado puro

Neste mês florido de abril, o jornal faz dezoito anos e a minha colaboração faz quinze anos e quatro edições. Com a minha primeira participação, em dezembro de dois mil e dois, eu acendi uma exígua chama de utopia, que alimenta ou consome os empreendimentos, conjugada com as outras pequenas labaredas que sustentam a realidade de um jornal mensal, de âmbito concelhio, intitulado Terra Ruiva. Nestas crónicas de uma página A4 (ou dois minutos de leitura), desta feita um pouco menor, tento abarcar um conjunto de referências que sejam sábias para todos, para os jovens leitores e para os leitores …

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