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Opinião

Síndrome do riso

Gosto da estética cinematográfica dos subúrbios mal iluminados, com prédios degradados e degradantes, com amontoados de lixo pelas ruas, com pichagens nas paredes, montras, transportes públicos, tudo está esteticamente pensado, no lugar certo, no grande plano da tela do cinema. O metro circula numa direção solitária, rasgando a cidade cinzenta de arranha céus, o autocarro transporta gente amargurada, preocupada com a sobrevivência diária, as ruas são a origem e o fim de tudo. Tudo começa nas ruas, tudo acaba nas ruas. É neste ambiente de exaltação da degradação urbana que acontece o filme Joker, de Todd Phillips, que conta com …

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Cãogalhão

Um cão é um cão e a sua circunstância. A circunstância do cão é o cãogalhão. Ortega y Gasset, antropocêntrico, só viu que “o homem é o homem e a sua circunstância”. Nunca pisou a circunstância do cão. Cãogalhão. Objecto urbano salutar. Obus, portanto. Não voa. Só desliza e aterra. Decora calçadas, jardins, terraços. Até dentro de um lar doce lar é plantado. Aqui, os donos resignam-se. Até à plantação seguinte. À volta de um cãogalhão, há sempre um charco fragrante. O charco seca. A fragrância mantém-se. É a persistência idiossincrática lusa do cãogalhão. O cãogalhão é obstinado. Transmuta-se. Volta …

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Coesão Territorial? É matéria de opinião!

Recentemente foram anunciadas obras de requalificação do troço do IC1 que liga São Marcos da Serra a São Bartolomeu de Messines, com o objetivo, expresso pelas Infraestruturas de Portugal IP, de reforçar “as condições de segurança e circulação do IC1”. As obras incidirão sobre a reabilitação do pavimento, e sobre a melhoria da sinalização existente, do sistema de drenagem e contenção. Numa outra notícia recente foram anunciadas obras de substituição das condutas de água e esgoto na “Ponte Romana” da cidade de Silves que, igualmente, permitirão obras muito necessitadas de restauro no monumento. Para finalizar, foi finalmente inaugurado o Parque …

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Cidadania

Um dos maiores fatores que entrava o desenvolvimento económico e social das comunidades locais e do país no seu todo, reside na escassa e pouco esclarecida participação cívica dos cidadãos. A participação nos atos eleitorais é demonstrativa do alheamento da maior parte da população quanto aos destinos do país. Nas últimas eleições legislativas a abstenção ultrapassou os 50%! Dizem os analistas, e sente-se de alguma forma esse fenómeno nos meios locais, que significativa parte dos indivíduos justificam o seu comportamento com o descrédito na chamada classe política e nas instituições, colocando tudo e todos no mesmo saco, quando na verdade, …

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Cortina de Fumo

É com sentimento de fraude que vos falo sobre a ilusão dos cuidados de saúde em instituições privadas, salvaguardando todas as competências dos profissionais, mas não isentando os propósitos económicos e financeiros dos detentores do negócio da saúde. Como sabem, sendo professor numa escola pública, sou funcionário público e, por sua vez, tenho o sistema de saúde da ADSE, o qual tem as características de seguro de saúde para o utente, existindo muitos protocolos, com distintas entidades privadas de saúde, nomeadamente com hospitais e clínicas privadas que atuam na região algarvia. Como fiz um empréstimo de habitação a uma entidade …

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Seco ao Sol

Agosto já se foi. Setembro finou-se. Outubro arrebita. Há quem goste mesmo do Outono. Exija Outono ou nada. Só que o Verão não debanda. Em Agosto estiveram cá todos. Eu também. Vi-os. Vi-me. Com estes olhinhos que a pira há-de fundir. Estarei fundido. Sabe-se lá quando. Que seja para o tarde. Gosto de aturar Agostos. E suspirar por Outubros. Molengo mas inteiriço. Em Agosto, consegui fugir para Sotavento. Dois dias. Não se pode exigir mais a um sedentário. Só que Agosto cerca-o por todo o lado. Sempre. Praia estreita. Uma nesga do que era há meio século. Entalada entre espigões …

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Parques e Áreas Empresariais no Algarve

Assisti recentemente a uma conferência sobre áreas empresariais no Algarve, que decorreu nas instalações do NERA- Associação Empresarial da Região do Algarve, em Loulé. A conferência em si foi bastante interessante, contando com diferentes interlocutores, tanto da Região do Algarve, como do resto do país e de Espanha, que apresentaram as suas experiências no desenvolvimento e gestão de parques empresariais. O evento foi agraciado com a presença do Ministro do Planeamento, Nelson Souza, naquela em que seria a sua última presença oficial enquanto membro do executivo, antes das vindouras eleições. O Ministro deixou duas ideias na sua intervenção: uma é …

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Escassez de mão-de-obra e baixos salários

A escassez de mão-de-obra é uma das maiores ameaças ao investimento, à produtividade, ao crescimento e desenvolvimento económico do país. Correlaciona-se com o grave problema demográfico que não se resolve com incentivos à natalidade cujas consequências só se sentirão no longo prazo ou com paliativos para fazer regressar os emigrantes. Para ultrapassar o problema no curto prazo é necessário que se promova ativamente a imigração, bem como a valorização dos salários. Não é com o modelo de salários baixos e a precariedade na contratação que imperam no país que fixamos população e evitamos as vagas emigratórias que registam números preocupantes …

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Porém, Todavia, Contudo

Estava a almoçar com o meu amigo António Baeta, uma dose de costeletas de porco de cebolada com puré de batata, quando, a propósito da sonoridade da palavra puré, o António me contou que uma sua tia escrevia cartas por outros, em virtude de estes não saberem escrever. Algumas pessoas, quando tinham necessidade de se corresponder, na ausência do conhecimento necessário para redigirem meia dúzias de linhas, direitas ou tortas só Deus sabe, solicitavam a pessoas letradas, com conhecimento das letras, que, por si, escrevessem as referidas cartas e as lessem na volta do correio. O meu amigo contava que …

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Uma silly season regionalizada

Findo o verão, e como consequentemente, a silly season (a época tonta, traduzindo o termo de uma forma algo tosca) deste ano, voltamos todos ao trabalho, já plenamente recarregados e energizados. Poder-se-ia pensar que durante o verão não acontece grande coisa; não é de todo descabido: o país para nos eixos e toda a gente vai a banhos. As empresas entram em férias, os tribunais entram em férias judiciais e até o Parlamento cessa a atividade. Afinal de contas, quem é que precisa de governar durante o verão? Tal não significa, no entanto, que ninguém trabalhe durante o verão. Basta …

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