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Opinião

Na minha terra

Fui de comboio a Santarém. Até Lisboa fui no Alfa Pendular das sete horas e vinte e nove minutos da manhã (a partir de Tunes). Desci em Lisboa Oriente e esperei por um comboio regional com destino a Santarém. Verdadeiramente o comboio regional tinha como destino Tomar. Fiquei pensando, quais seriam as estações até Santarém e, o mais importante de tudo, qual seria a estação imediatamente anterior a Santarém. Gosto de antecipar as situações e de me precaver em relação a acontecimentos futuros. Quando o revisor veio certificar-se do meu título de transporte, perguntei-lhe qual era a estação imediatamente anterior …

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O Brexit para o Algarve

Sigo com uma certa curiosidade mórbida o desenrolar do Brexit desde que a saída britânica da União Europeia foi anunciada em meados de 2016. Confesso até um certo deleite ao assistir às contínuas tentativas frustradas da Primeira-Ministra britânica em conseguir um acordo que seja aceite pelos Parlamentos Britânico e Europeu. Comparo a tarefa ao castigo imposto a Sísifo, o lendário rei de Corinto, condenado pelos deuses a empurrar uma pedra por um monte acima, apenas para ver a pedra rebolar para baixo cada vez que se aproxima do cume. Theresa May vê todas as tentativas de acordo esbarrarem num parlamento …

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Desmandos na Banca

Num processo infindável, a banca nacional continua a sugar milhares de milhões de euros aos cofres do Estado e aos contribuintes, na forma de empréstimos, linhas de crédito ou garantias, para cobrir a gestão irresponsável e aventureira, negociatas e tráfico de influências, bem como atos de promiscuidade e corrupção, que poderiam ser alocados ao investimento público em áreas fundamentais para o desenvolvimento do país, como por exemplo, na educação ou na saúde. O Governo não retira daí as devidas ilações, faltando-lhe coragem e convicção política para proceder ao controlo público da banca. Na verdade, o Governo encontra-se de mãos atadas, …

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Regresso ao passado no futuro

Acredito que, ao lerem o título desta crónica, pensaram «lá está ele outra vez com as histórias do antigamente, estamos fartos daquelas historinhas do século passado». Tenho consciência dessa limitação, mas é mais fácil falar do passado do que tagarelar sobre o futuro, um futuro que raramente se concretiza daquele modo. Posso ilustrar esta minha afirmação com o visionamento de filmes de ficção científica em que tudo nos parecia moderno e agora, no nosso atual futuro, muito antiquado, com exceção do teletransporte. Desta vez, vou-vos falar do futuro, não necessariamente do meu, mas do futuro de alguns de nós, com …

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Estraga- albardas

O estroina anda outra vez destrambelhado. Assim que lhe caíram uns cêntimos a mais no ordenado, desatou a fazer vida de rico. Ou a imitá-la. O número de famílias endividadas tem vindo a aumentar. Cresceu muito no ano passado. Houve 29.350 pedidos de ajuda ao Gabinete de Protecção Financeira da Deco. Mais 350 do que no ano anterior. Há quem não tenha conseguido pagar, em 2018, o empréstimo acabado de contrair… em 2018. Provavelmente porque 2018 não teve 24 ou 48 meses como seria devido. Em cada família super-endividada há pelo menos um estroina superlativo. Normalmente o superlativo é o …

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A falta de investimento público

A discussão dos meios de comunicação nos últimos meses incidiu, de uma forma directa ou indirecta, sobre investimento público, ou nomeadamente, a falta dele. O nível de investimento público está ao nível mais baixo desde há quarenta anos. E o que é o investimento público? É o montante que o Estado gasta em infraestruturas como estradas, ferrovias, saneamento, hospitais ou outros investimentos que o Estado faz para melhorar o estado do país. O investimento público cria empregos e estimula a inovação e a atividade económica; capacita o país para outros níveis de produtividade. Se assim é, porque gastamos tão pouco? …

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Questão demográfica e economia

A questão demográfica está diagnosticada como um dos principais bloqueios ao desenvolvimento do país. A população portuguesa, hoje com 10,3 milhões de pessoas, em 2080, prevê-se que passe para 7,5 milhões, reduzindo-se em 2,8 milhões. Além disso, Portugal é o sexto país mais envelhecido do mundo, sendo que na União Europeia do futuro, mantendo-se o rumo, o nosso país ocupará o segundo lugar. No concelho de Silves o índice de envelhecimento atinge os 162,7% (100 jovens para 162,7 idosos), acima da média do Algarve – 131% (censo de 2011). A média nacional é 148,7%, à data de 2016. Com a …

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A emoção das reguadas

A minha escrita prazerosa, mesmo que sofrida, iniciou-se numa tentativa poética, reclamando um amor idealizado, próprio de um jovem no início da sua adolescência, num enquadramento campestre de uma árvore, já lá vão quarenta e três anos. Muito mais tarde, há dez anos, o primeiro poema foi reescrito, uma árvore que se reinventa e que majestosamente brota frutos na raiz. Ainda desejo os teus lábios pequenos, nessa tonalidade juvenil, que se afastam, impulsionados pelo tempo, na boca de uma mulher. Fiquei fundeado junto àquela árvore, que imagino frondosa e rendilhada de grafias no seu tronco. O vento esfriou a sombra …

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A Parvónia

Sou natural da Parvónia. Parvo, portanto. Nado e criado. Mal criado. Deixo aqui já escrito o registo de interesses. A Parvónia é aqui onde me não calo. Lugar duvidoso. Excesso de mar a dar à costa. Barrocal alteado, em bicos de pés, a fugir do mar. Serra encarquilhada, cabeluda, a fugir do Barrocal. Barlavento altaneiro a fugir das Américas. Sotavento areento, a fugir de Espanha. Paisagem feia. Imprópria para viver. E vive-se. A Parvónia é habitada por gente esquisita. Gente atoleimada. Pouco inteligente. Poucochinha. Como eu. Dizem que há pior. Não conheço. A Parvónia já foi reino. Reino dos Algarves. …

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A Descentralização do Estado Central

A questão da descentralização é um assunto caro aos portugueses. Trata-se de algo que tem pairado sobre o imaginário colectivo da sociedade portuguesa desde há décadas. A regionalização, uma forma de descentralização, está prevista na nossa Constituição desde a sua elaboração, muito embora não tenha sido colocada em prática em todos estes anos. Não há ano que não se passe sem que não se debata a necessidade de uma regionalização. As pessoas gostam de proximidade e este assunto da descentralização volta sempre à baila porque sentem que há um distanciamento crescente entre as suas necessidades e as prioridades do Estado. …

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