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Opinião

Rebeldia

Quando eu era um jovem adolescente, no final dos anos setenta do século vinte, escrevinhava umas pequenas histórias de confronto moral de um jovem revolucionário contra a burguesia reinante, muito arreigada numa sociedade basicamente tradicional e salazarista. As minhas rebeldias eram idealizadas numa mudança de mentalidades, longe de confrontos físicos ou distúrbios materiais. Fundamentalmente era um jovem idealista que adotara uma chave de bocas (de prata) num fio de prata, em lugar do tradicional crucifixo num fio de oiro. Acredito na construção moral dos indivíduos e no poder das utopias de rebeldia na (r)evolução da sociedade. Os escritos repousam algures …

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Investimento Municipal em alta

A proposta de orçamento do Município de Silves para o ano de 2019, já aprovada em sede de reunião de câmara (com os votos contra dos vereadores do PSD e PS), dá continuidade à linha de orientação e consolidação, iniciada em 2014, primeiro ano do mandato autárquico anterior. A estimativa orçamental ascende a 47,7 milhões de euros que compara com 39,6 milhões de euros do previsto para o ano transato, justificando-se a diferença, essencialmente, com a incorporação da contratação de empréstimo bancário para investimento no valor de 6,2 milhões de euros. Abordando os últimos orçamentos camarários, identificam-se alguns traços comuns …

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Bom proveito

Gosto de ir jantar fora. No quintal. Dois passinhos. Sento-me à mesa. Aprecio a paisagem ofuscante. Quatro paredes caiadas. Um cheirinho a alecrim. Há quem chame jardim a um quintal. É mais fino. Sirvo-me. Não me excedo com os sólidos. Nem com os líquidos. Não fico gasoso. Sou um doce. Nunca abuso deles. Nem eles de mim. Amargo, portanto. Por pouco. Jantar fora das quatro paredes caiadas é muito mais excitante. Tem de haver intermináveis negociações, ao telefone, com os amigos do costume para decidir o restaurante. Tento fugir do modelo 24 Kitchen. Duas poitas (termo náutico) no deserto do …

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Dilemas do Poder Local

O processo de transferência de competências para os municípios, designadamente, nas áreas da educação, saúde, habitação, cultura, património, ação social, transportes e vias de comunicação, encontra-se estabelecido no quadro da Lei-50/2018, de 16 de Agosto. É elucidativo o constante no seu artigo 2.º, alínea f) que assegura “a garantia da transferência para as autarquias locais dos recursos financeiros, humanos e patrimoniais adequados, considerando os atualmente aplicados nos serviços e competências descentralizados”. Nesta passagem da Lei situa-se o cerne da questão, demonstrando-se que o país se confronta com uma transferência de encargos, de responsabilidades e de descontentamentos do Governo para os …

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Ver o comboio a passar

A decisão de transferir a Direção Ferroviária de Tunes para Faro, por parte das Infraestruturas de Portugal (IP) apanhou muita gente de surpresa, inclusivamente as pessoas que lá trabalhavam. Os 25 trabalhadores que lá estavam alocados teriam de começar a efectuar o seu trabalho em Faro. Desconfio que a decisão se prenda com a necessidade das Infraestruturas de Portugal em concentrar os serviços geograficamente, optimizar recursos e reduzir custos de operação. O edifício, devoluto de pessoas, será alvo de subconcessão a uma unidade hoteleira. Se achar que está a ter um “deja vu” e que já ouviu esta história antes …

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A degradação das pilastras da Igreja Matriz de Messines

Desloquei-me, recentemente, em visita à minha terra, e, como é usual, não dispenso a peregrinação, pelos locais icónicos da minha infância. Um deles é o adro da Matriz e não gostei do que vi. Tinha conhecimento da degradação do arenito das pilastras que ladeiam o escadório frontal da igreja. Fiquei, porém, desta vez, surpreendido com o processo muito avançado e acelerado da erosão dos alvéolos, alguns dos quais registam uma profundidade bastante acentuada, pelo que se afigura, como urgente e conveniente, que sejam tomadas medidas, até porque existem instrumentos de apoio para a recuperação de monumentos públicos, sendo que – …

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Agosto a Contragosto

Chegam de supetão. Em fila, para não se perderem. Do Norte e do Centro, de Leste e de Oeste. Mais não nomeio porque o mundo é vasto e o Algarve infinito. Cabem sempre mais uns quantos. Os que vêm da Grande Lisboa são todos de Lisboa. Ninguém é do Fogueteiro, Porcalhota, Arrentela, Coina. Os outros são todos do Norte porque o norte fica sempre a norte do Algarve. Do Sul, ninguém chega porque é onde estamos. A terra não é redonda. É suposto acabar aqui. Do estrangeiro vêm aos magotes, em pássaros de ferro ‘lowcost’, atroando os ares a cada …

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O peso do Turismo

Com o final de Agosto, as estradas do país enchem-se com o regresso dos turistas às suas casas e às suas rotinas. Para trás ficam os dias de praia, as tardes nas piscinas e as noites quentes do Verão. Igualmente quentes continuam as discussões sobre a questão da massificação do turismo. Um pouco por todo o mundo questiona-se sobre o valor das hordas de turistas que invadem as cidades europeias, munidos de selfie-sticks e telemóveis, fotografando tudo o que se assemelhe remotamente a algo turístico. Estes movimentos pendulares turísticos criaram empregos e dinamizaram centros urbanos, mas pouco a pouco foram …

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E depois do petróleo?

Augusto Santos Silva, o nosso Ministro dos Negócios Estrageiros, que até tenho em muita consideração, foi o testa de ferro de António Costa nesta trapalhada do petróleo no Algarve. Prospecção apenas, dizia o senhor Ministro. Mas que me digam uma operação a nível global que tenha apenas prospecção e não produção também? Gastam rios de dinheiro apenas para prospetar? António Costa por sua vez foi o testa de ferro dos interesses das grandes multinacionais petrolíferas, o que é extremamente embaraçoso, para um político que usa as energias renováveis e o ambiente como bandeiras. Os sinais estiveram todos lá, como as …

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Voltaram as Chamas, restam as chamas da política

Bem me parecia que esta civilização tem sido a fingir, rasurando por todo o lado o planeta, enchendo paisagens de diversos perigos de funcionalidade e capacidade produtiva, confundindo trocas comerciais e económicas com os mundos contrafeitos dos bancos secretos onde os ganhadores de dinheiro desviado escondem fortunas. Portugal fazia parte de uma zona temperada da Península Ibérica, voltada para o Oceano Atlântico, pelo qual viajou em lanchas e caravelas, entre lendas e achamentos deslumbrantes, deuses do mar e da terra, novos continentes, novas gentes, coisas e produções que negociaram durante séculos. Este Portugal perdeu a monarquia, tentou abrir-se à modernidade …

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