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Opinião

Dilemas do Poder Local

O processo de transferência de competências para os municípios, designadamente, nas áreas da educação, saúde, habitação, cultura, património, ação social, transportes e vias de comunicação, encontra-se estabelecido no quadro da Lei-50/2018, de 16 de Agosto. É elucidativo o constante no seu artigo 2.º, alínea f) que assegura “a garantia da transferência para as autarquias locais dos recursos financeiros, humanos e patrimoniais adequados, considerando os atualmente aplicados nos serviços e competências descentralizados”. Nesta passagem da Lei situa-se o cerne da questão, demonstrando-se que o país se confronta com uma transferência de encargos, de responsabilidades e de descontentamentos do Governo para os …

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Ver o comboio a passar

A decisão de transferir a Direção Ferroviária de Tunes para Faro, por parte das Infraestruturas de Portugal (IP) apanhou muita gente de surpresa, inclusivamente as pessoas que lá trabalhavam. Os 25 trabalhadores que lá estavam alocados teriam de começar a efectuar o seu trabalho em Faro. Desconfio que a decisão se prenda com a necessidade das Infraestruturas de Portugal em concentrar os serviços geograficamente, optimizar recursos e reduzir custos de operação. O edifício, devoluto de pessoas, será alvo de subconcessão a uma unidade hoteleira. Se achar que está a ter um “deja vu” e que já ouviu esta história antes …

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A degradação das pilastras da Igreja Matriz de Messines

Desloquei-me, recentemente, em visita à minha terra, e, como é usual, não dispenso a peregrinação, pelos locais icónicos da minha infância. Um deles é o adro da Matriz e não gostei do que vi. Tinha conhecimento da degradação do arenito das pilastras que ladeiam o escadório frontal da igreja. Fiquei, porém, desta vez, surpreendido com o processo muito avançado e acelerado da erosão dos alvéolos, alguns dos quais registam uma profundidade bastante acentuada, pelo que se afigura, como urgente e conveniente, que sejam tomadas medidas, até porque existem instrumentos de apoio para a recuperação de monumentos públicos, sendo que – …

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Agosto a Contragosto

Chegam de supetão. Em fila, para não se perderem. Do Norte e do Centro, de Leste e de Oeste. Mais não nomeio porque o mundo é vasto e o Algarve infinito. Cabem sempre mais uns quantos. Os que vêm da Grande Lisboa são todos de Lisboa. Ninguém é do Fogueteiro, Porcalhota, Arrentela, Coina. Os outros são todos do Norte porque o norte fica sempre a norte do Algarve. Do Sul, ninguém chega porque é onde estamos. A terra não é redonda. É suposto acabar aqui. Do estrangeiro vêm aos magotes, em pássaros de ferro ‘lowcost’, atroando os ares a cada …

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O peso do Turismo

Com o final de Agosto, as estradas do país enchem-se com o regresso dos turistas às suas casas e às suas rotinas. Para trás ficam os dias de praia, as tardes nas piscinas e as noites quentes do Verão. Igualmente quentes continuam as discussões sobre a questão da massificação do turismo. Um pouco por todo o mundo questiona-se sobre o valor das hordas de turistas que invadem as cidades europeias, munidos de selfie-sticks e telemóveis, fotografando tudo o que se assemelhe remotamente a algo turístico. Estes movimentos pendulares turísticos criaram empregos e dinamizaram centros urbanos, mas pouco a pouco foram …

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E depois do petróleo?

Augusto Santos Silva, o nosso Ministro dos Negócios Estrageiros, que até tenho em muita consideração, foi o testa de ferro de António Costa nesta trapalhada do petróleo no Algarve. Prospecção apenas, dizia o senhor Ministro. Mas que me digam uma operação a nível global que tenha apenas prospecção e não produção também? Gastam rios de dinheiro apenas para prospetar? António Costa por sua vez foi o testa de ferro dos interesses das grandes multinacionais petrolíferas, o que é extremamente embaraçoso, para um político que usa as energias renováveis e o ambiente como bandeiras. Os sinais estiveram todos lá, como as …

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Voltaram as Chamas, restam as chamas da política

Bem me parecia que esta civilização tem sido a fingir, rasurando por todo o lado o planeta, enchendo paisagens de diversos perigos de funcionalidade e capacidade produtiva, confundindo trocas comerciais e económicas com os mundos contrafeitos dos bancos secretos onde os ganhadores de dinheiro desviado escondem fortunas. Portugal fazia parte de uma zona temperada da Península Ibérica, voltada para o Oceano Atlântico, pelo qual viajou em lanchas e caravelas, entre lendas e achamentos deslumbrantes, deuses do mar e da terra, novos continentes, novas gentes, coisas e produções que negociaram durante séculos. Este Portugal perdeu a monarquia, tentou abrir-se à modernidade …

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De novo, o flagelo dos incêndios

15 anos depois os incêndios voltaram em força ao concelho de Silves, tendo origem na serra de Monchique, como anteriormente. Se em 2003 a área ardida atingiu 43 mil hectares, em 2018 a calamidade retrocedeu para 27 mil hectares, representando à data, recorde europeu, que em nada nos honra. No concelho de Silves, apesar do extraordinário esforço levado a cabo pelo Município desde 2014, em termos de execução de faixas de execução de combustível com a largura aproximada de 26 metros, faixas de interrupção de combustível, nalguns casos superiores a 100 metros de largura, abertura e limpeza de caminhos, aceiros, …

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Nem Vivalma

Céu limpo por dentro. Maré cheia. Água azul. Ar manso. Temperatura tropical. O Verão já corre. Nem vivalma na piscina. O vestiário está órfão de roupas de homem. O atleta, que lá vai três dias por semana, só vê o seu par de calças suspenso do cabide. O atleta é um colunável. Operado à coluna, precisa de enrijecer a musculatura da lombada. Tem de pôr cem quilos de carne e osso a bracejar à chapada na água. 25 metros para lá, 25 metros para cá e torna-viagem. O volume de água deslocado impressiona. Um verdadeiro maremoto. Os vagalhões de sueste …

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Mathilde

A minha avó materna foi exposta, aquando do seu nascimento. Assim reza a história de que fora abandonada pelos pais após o nascimento ou com pouca idade. Os chamados enjeitados, numa palavra mais popular e menos erudita, pouco própria para as escrituras das paróquias das cidades e das vilas do nosso país. Sempre assumi, com alguma certeza, três ou quatro factos a propósito desta minha avó que já era sexagenária quando nasci. Que tinha sido enjeitada, no ano da graça de mil oitocentos e noventa e oito (estava errado), que fazia anos em março, que foi deixada à porta da …

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