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Editorial

A culpa está solteiríssima

A reportagem que o nosso jornal publica (“Rotura no adutor Funcho-Alcantarilha há anos”), dá conta de uma situação que poderia ser considerada inacreditável. Poderia ser, mas não será, nesta altura em que ainda nos quedamos estupefactos perante um País que ardeu, e um roubo de armamento militar que aconteceu ou não, agora sim, depois não, novamente sim e com um bónus: os assaltantes até devolveram material que não tinham levado!… E escrevo tudo isto sem aspas, perdoem-me, mas nem sei onde as colocar, no caos das frases que se constroem quando tentamos compreender acontecimentos que não fazem sentido. Aconteceram mas …

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As coisas já não são o que eram

É uma constatação e creio que positiva: as coisas já não são o que eram. Isto vem a propósito das recentes eleições autárquicas. 1º- Os eleitores preferem votar em pessoas do que em partidos e fazem muito bem essa destrinça. 2º- A campanha pela negativa não funciona. 3º – O futuro faz-se a andar para a frente. 1º– Para o bem e para o mal, a maioria das pessoas já interiorizou uma ideia: nas autárquicas votamos em pessoas e seus projetos, deixando as questões partidárias em plano secundário. Nenhuma outra freguesia do nosso concelho ilustra tão bem esta ideia como …

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Vá votar!

Por entre o alarido da recém-iniciada campanha eleitoral para as próximas autárquicas, enquanto se discutem virtudes e defeitos de uns e de outros, uma constatação positiva: os partidos ressuscitaram…e mexem-se! Nesta altura metade dos leitores está prestes a abandonar a leitura, a rogar pragas aos políticos, aos partidos, aos candidatos e a quem os apoiar!… Mas as autárquicas têm um gosto de vizinhança, de convívio e de familiaridade que por vezes nos levam aos extremos, positivos ou negativos. Não há eleições como estas para mexer com o quotidiano local. Primeiro as emoções da composição das listas, tarefa que tem rosas …

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Quando os últimos podem ser os melhores

Há todo um ensinamento na fábula da lebre e da tartaruga (que acabou por ganhar a corrida) que nós, os residentes do Concelho de Silves, teríamos todo o interesse em apreender. Ando a pensar nisso, desde os primeiros dias de junho, quando uns aprazíveis feriados trouxeram animação às ruas, cafés e supermercados. Entoações estranhas, sotaques diferentes e o lugar de estacionamento do costume ocupado por veículos desconhecidos é sinal seguro de que estamos no verão. Isto, claro, na visão dos que estão cá para trás, mais junto à serra do que ao litoral (E como uns escassos quilómetros que nos …

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Toma lá 4 000 camas

No Algarve tão massacrado por um urbanismo descontrolado e à mercê de interesses privados existe um pequeno reduto, descrito como único na região. Existe, mas por pouco tempo mais. Este reduto natural está a ser comercializado como uma “oportunidade única de promoção turístico-imobiliária pela sua qualidade, localização e envolvência natural altamente conservada”. Então, no espaço “natural altamente conservado” precisamente porque tem estado a salvo de interesses imobiliários querem construir hotéis, aldeamentos, centros comerciais e campos de golfe. Camas, muitas camas: 4 000. O pontapé de saída para esta aberração é dado em 2007 pela Câmara Municipal e Assembleia Municipal de …

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Populismos há muitos

Nos dias em que escrevo esta edição paira a incerteza sobre o resultado das eleições francesas e consequentemente sobre o futuro desta Europa comunitária a que nos habituámos nos últimos anos. No receio de que as alterações que possam vir a acontecer não se traduzam numa melhoria das condições de vida da generalidade da população, e que ameaças tenebrosas desencadeadas pelos nacionalismos ganhem expressão, vivemos um momento que só não inquietará quem anda totalmente distraído do mundo. Neste novo mundo de frágeis ligações à realidade do outro, caem por terra muitos dos tradicionais alicerces da nossa democracia e ao mesmo …

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Um homem, uma pasta de cabedal, uma pistola metralhadora, algumas granadas e um rádio

Às 03h25 do dia 24, um homem dirige-se sozinho à unidade militar da Força Aérea, no aeroporto de Lisboa. Leva consigo uma pasta de cabedal, uma pistola metralhadora, algumas granadas e um pequeno rádio. No peito, o coração bate com força e na cabeça mil e um cenários atropelam-se, enquanto o homem tenta não pensar em nenhum deles, mas apenas na missão que tem de cumprir. Abre a porta da unidade militar, sobressaltando os dois oficiais que dormitavam no serviço e que, apanhados em falta, se assustam com a presença do superior. Não há nenhum problema, sossega-os o homem. É …

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Altos e Baixos

Na edição anterior, publicamos um artigo dando voz a queixas relativas à qualidade da alimentação servida aos utentes do Centro Social e Cultural João de Deus. Pela repercussão que a notícia teve e pelos variados testemunhos que, pessoalmente e nas redes sociais, vieram a público, confirma-se que há uma situação que merece a atenção dos responsáveis da instituição mas também da comunidade. Há muitos indicadores que deverão ser tomados em conta quando se escreve sobre um assunto tão delicado como a qualidade da alimentação numa instituição (que entendeu solicitar a publicação de um esclarecimento que o Terra Ruiva publica nesta …

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Os Amigos da Ermida

A história poderia começar da forma tradicional, “era uma vez uma ermida, situada no cimo de um monte, a poucos passos de uma pequena terra do concelho de Silves, chamada Algoz”. Contaríamos depois sobre os períodos áureos da bonita ermida, até chegarmos aos anos do abandono, da vandalização, da incúria e do desinteresse. Lamentavelmente, chegaríamos a um tempo muito recente, durante o qual a única voz pública que denunciou e se ergueu contra esta situação ( que tenha conhecimento), foi a do jornal Terra Ruiva que foi publicando artigos e fotos que revelavam o abandono e a degradação cada vez …

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O canto da formiga

Ai cantaste durante o verão? Então dança agora, disse a formiga para a cigarra, na fábula de João de Deus. A cigarra levara o verão a cantar, a formiga passara os dias a trabalhar, pensando no duro inverno que se aproximava. E quando a cigarra pediu ajuda à formiga, foi essa a resposta que ouviu. Claro que hoje, nos dias do politicamente correto, a formiga repartiria com a cigarra os frutos do seu trabalho, porque, afinal, cantar também é trabalho que deve ser recompensado. Mas não à custa do formigueiro! – diria a formiga de João de Deus… Confesso que …

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