Home / Editorial

Editorial

Ano precário

Um dos valores mais caros aos seres humanos é o da segurança. A grande maioria das pessoas anseia por uma vida profissional e familiar estável, com novidades mas sem sobressaltos, com condições para fazer planos a médio e longo prazo e estabelecer metas para os seus percursos pessoais. No entanto, estes desejos não passam de uma miragem para um número crescente de trabalhadores, sendo o Algarve a região mais atingida por um autêntico flagelo: a precariedade no trabalho. No passado mês de dezembro, a CGTP- IN organizou uma Semana Contra a Precariedade e o Sindicato da Hotelaria do Algarve divulgou …

Ler Mais »

Falemos de pobreza

Nesta época de sininhos a tocar, músicas natalícias, apelos aos bons sentimentos, e estímulos brutais ao consumismo, o Instituto Nacional de Estatística (INE) entrou em contramão para nos desassossegar com as estatísticas da pobreza. E diz-nos que, em 2018, existiam em Portugal 2,2 milhões de pessoas em situação de pobreza e risco de exclusão social, mais de um quinto da população. Inquieta-se quem lê estes números, quem imagina em cada número uma pessoa. Ainda assim, esta é uma estatística positiva, o número de pobres tem vindo a baixar e o rendimento das famílias a aumentar, desde que a troika saiu …

Ler Mais »

O que (n)os distingue?

Dizia-me há tempos um amigo: as pessoas agora têm mais dificuldade em votar porque já não há ideologia. “Antigamente”, a pessoa que votava no PCP defendia um modelo de sociedade, quem votava no CDS sabia que queria o oposto, o votante no PS não votaria no PSD porque eram partidos com posições muito diferentes. Agora, andamos baralhados porque se perdeu a ideologia, pouca importância se dá aos programas eleitorais, os partidos estão subordinados às figuras dos líderes, é mais importante a performance do líder e a frase certeira na televisão do que as linhas programáticas, tudo se confunde, a CDU …

Ler Mais »

A joaninha e as alterações climáticas

Há dias, ao entrar em casa, senti qualquer coisa a pousar-me na mão. Ainda tive um primeiro momento de receio até perceber que era, afinal, uma joaninha. O segundo momento foi dedicado a pensar há quanto tempo não via uma joaninha. Na sequência desse pensamento facilmente se encadearam outros. Pensei que este ano, não ouvi nenhum cuco, com o seu chamamento caraterístico. E mal tive oportunidade de ver borboletas a esvoaçar no quintal, nem tão pouco as espécies mais vulgares. O meu bocadinho de céu não tem tido a visita da família de gaios que por aqui costumava voar. E …

Ler Mais »

Comemorações e ausências

Estive na cerimónia das comemorações do Dia do Município. Três cadeiras estavam vagas, na primeira fila. As destinadas aos vereadores do PSD e do PS da Câmara Municipal de Silves. No ano passado também estive na cerimónia. Estavam vagas duas cadeiras, os lugares dos vereadores do PSD. No Castelo de Silves, onde este ano decorreu a cerimónia, nos lugares reservados, avistei o presidente da Assembleia Municipal e os presidentes das juntas de Silves e de Messines, além de vários representantes de entidades regionais e concelhias. No público, que eu tivesse visto, estavam presentes dois membros da bancada da CDU na …

Ler Mais »

É Verão…

Paradoxal I– As urgências pediátricas e a maternidade do Hospital de Portimão têm tido dias em que não estiveram abertas, entramos no Verão sem garantias que esses serviços funcionem convenientemente. Paradoxal. A concentração/vigília que a Comissão de Utentes organizou há poucos dias tinha estes utentes: poucos. Muito poucos. Paradoxal II – O IC1 via principal de acesso à região, que traz os visitantes até ao mar, encontra-se num estado de enorme degradação, com troços lastimáveis. Há um ano e tal soube de uma concentração/protesto organizada por utentes desta via. Lá estavam os mesmos, os “poucos”. Poucos carros, poucas motas, poucas …

Ler Mais »

“A minha casinha”

A seguir ao 25 de abril de 1974, na explosão de liberdade e fraternidade que se deu, um dos movimentos mais surpreendentes e transformadores que nasceu nessa euforia foi o das comissões de moradores e comissões de bairros. Por todo o país, milhares de pessoas organizaram-se para resolver o problema da habitação, construindo ou melhorando as suas casas, bairros e aldeias. Surgiram depois as cooperativas de habitação e a habitação social construída pelo Estado e autarquias. Esse poderoso movimento foi travando à medida que a euforia se extinguia e governos mais à direita tomavam conta dos destinos do país. Não …

Ler Mais »

O valor da história

Li recentemente um livro de Richard Zimler, no qual o autor aborda a ascensão do nazismo, vista pelos olhos de uma adolescente alemã. Residente na cosmopolita Berlim, integrada na classe média, a jovem partilha a ideia, amplamente difundida no seu meio social, de que um bronco como Hitler nunca alcançará o poder. É com incredulidade que a mesma e seus familiares e amigos assistem à vitória de uma pessoa que consideram social e intelectualmente inferior, sem qualquer capacidade para dirigir um país que acreditam ser forte, desenvolvido e moderno. Da incredulidade ao horror e à derrocada de toda a sua …

Ler Mais »

Mudar o mundo é simples

Há uns anos atrás, quando ainda era professora, fazia sempre uma fuga ao programa oficial para ler com os alunos o conto “O homem que plantava árvores”, de Jean Giono. Inspirado numa história verídica, o conto relata a história de um pastor que após a morte de sua mulher e filho, se isola numa cabana na floresta e começa a plantar árvores. Todos os dias o fazia, de uma forma sistemática, percorrendo cada vez mais maiores distâncias e escolhendo com critério o tipo de árvores adaptado aos solos. Este processo começa numa região árida, sem habitantes nem vida. É nessa …

Ler Mais »

Constatações de Março

Na sessão da Assembleia Municipal que decorreu em São Bartolomeu de Messines constatei sem surpresa a boa participação popular, como é costume nas assembleias descentralizadas nas freguesias. Sem surpresa mas com alguma tristeza, confirma-se que a grande maioria das intervenções carrega antigas reivindicações: a estrada, a água canalizada. Não são “novos rurais” que ali se apresentam, acabados de mudar para o campo. São as pessoas que ali viveram sempre, os velhos que permanecem e os novos que gostavam de continuar. É o país que vive a escassos quilómetros das zonas urbanas. Uma realidade que atinge todos por igual, até a …

Ler Mais »