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Editorial

O que (n)os distingue?

Dizia-me há tempos um amigo: as pessoas agora têm mais dificuldade em votar porque já não há ideologia. “Antigamente”, a pessoa que votava no PCP defendia um modelo de sociedade, quem votava no CDS sabia que queria o oposto, o votante no PS não votaria no PSD porque eram partidos com posições muito diferentes. Agora, andamos baralhados porque se perdeu a ideologia, pouca importância se dá aos programas eleitorais, os partidos estão subordinados às figuras dos líderes, é mais importante a performance do líder e a frase certeira na televisão do que as linhas programáticas, tudo se confunde, a CDU …

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A joaninha e as alterações climáticas

Há dias, ao entrar em casa, senti qualquer coisa a pousar-me na mão. Ainda tive um primeiro momento de receio até perceber que era, afinal, uma joaninha. O segundo momento foi dedicado a pensar há quanto tempo não via uma joaninha. Na sequência desse pensamento facilmente se encadearam outros. Pensei que este ano, não ouvi nenhum cuco, com o seu chamamento caraterístico. E mal tive oportunidade de ver borboletas a esvoaçar no quintal, nem tão pouco as espécies mais vulgares. O meu bocadinho de céu não tem tido a visita da família de gaios que por aqui costumava voar. E …

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Comemorações e ausências

Estive na cerimónia das comemorações do Dia do Município. Três cadeiras estavam vagas, na primeira fila. As destinadas aos vereadores do PSD e do PS da Câmara Municipal de Silves. No ano passado também estive na cerimónia. Estavam vagas duas cadeiras, os lugares dos vereadores do PSD. No Castelo de Silves, onde este ano decorreu a cerimónia, nos lugares reservados, avistei o presidente da Assembleia Municipal e os presidentes das juntas de Silves e de Messines, além de vários representantes de entidades regionais e concelhias. No público, que eu tivesse visto, estavam presentes dois membros da bancada da CDU na …

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É Verão…

Paradoxal I– As urgências pediátricas e a maternidade do Hospital de Portimão têm tido dias em que não estiveram abertas, entramos no Verão sem garantias que esses serviços funcionem convenientemente. Paradoxal. A concentração/vigília que a Comissão de Utentes organizou há poucos dias tinha estes utentes: poucos. Muito poucos. Paradoxal II – O IC1 via principal de acesso à região, que traz os visitantes até ao mar, encontra-se num estado de enorme degradação, com troços lastimáveis. Há um ano e tal soube de uma concentração/protesto organizada por utentes desta via. Lá estavam os mesmos, os “poucos”. Poucos carros, poucas motas, poucas …

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“A minha casinha”

A seguir ao 25 de abril de 1974, na explosão de liberdade e fraternidade que se deu, um dos movimentos mais surpreendentes e transformadores que nasceu nessa euforia foi o das comissões de moradores e comissões de bairros. Por todo o país, milhares de pessoas organizaram-se para resolver o problema da habitação, construindo ou melhorando as suas casas, bairros e aldeias. Surgiram depois as cooperativas de habitação e a habitação social construída pelo Estado e autarquias. Esse poderoso movimento foi travando à medida que a euforia se extinguia e governos mais à direita tomavam conta dos destinos do país. Não …

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O valor da história

Li recentemente um livro de Richard Zimler, no qual o autor aborda a ascensão do nazismo, vista pelos olhos de uma adolescente alemã. Residente na cosmopolita Berlim, integrada na classe média, a jovem partilha a ideia, amplamente difundida no seu meio social, de que um bronco como Hitler nunca alcançará o poder. É com incredulidade que a mesma e seus familiares e amigos assistem à vitória de uma pessoa que consideram social e intelectualmente inferior, sem qualquer capacidade para dirigir um país que acreditam ser forte, desenvolvido e moderno. Da incredulidade ao horror e à derrocada de toda a sua …

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Mudar o mundo é simples

Há uns anos atrás, quando ainda era professora, fazia sempre uma fuga ao programa oficial para ler com os alunos o conto “O homem que plantava árvores”, de Jean Giono. Inspirado numa história verídica, o conto relata a história de um pastor que após a morte de sua mulher e filho, se isola numa cabana na floresta e começa a plantar árvores. Todos os dias o fazia, de uma forma sistemática, percorrendo cada vez mais maiores distâncias e escolhendo com critério o tipo de árvores adaptado aos solos. Este processo começa numa região árida, sem habitantes nem vida. É nessa …

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Constatações de Março

Na sessão da Assembleia Municipal que decorreu em São Bartolomeu de Messines constatei sem surpresa a boa participação popular, como é costume nas assembleias descentralizadas nas freguesias. Sem surpresa mas com alguma tristeza, confirma-se que a grande maioria das intervenções carrega antigas reivindicações: a estrada, a água canalizada. Não são “novos rurais” que ali se apresentam, acabados de mudar para o campo. São as pessoas que ali viveram sempre, os velhos que permanecem e os novos que gostavam de continuar. É o país que vive a escassos quilómetros das zonas urbanas. Uma realidade que atinge todos por igual, até a …

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Incógnitas

Não é que estejamos assim tão afastados da esfera do poder. Em segundos, o mundo digital leva-nos a todo o lado, de avião chega-se lá numa hora, pela autoestrada são duas horas… distâncias ínfimas nos dias de hoje. Mas continuo sem ver como podemos lá chegar. Nós, os que vivemos na periferia do litoral. Veio um ministro ao Algarve anunciar investimentos. Milhões, infraestruturas, desenvolvimento – ouvimos palavras cujo sentido compreendemos e apreciamos. Mas esmiúça-se o conteúdo dos documentos e surgem duas grandes debilidades. Em primeiro lugar, os investimentos continuam a seguir a conveniência da indústria turística; em segundo lugar, a …

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Tolerância

Começa o ano de 2019 com uma discussão acesa acerca da entrevista feita na TVI a Mário Machado, conhecido neonazi. Perante a indignação de muitas pessoas e entidades, entre as quais o Sindicato de Jornalistas, veio aquela estação defender a entrevista argumentando que todas as opiniões devem ser respeitadas e que defende a liberdade de expressão. Poucos valores são mais preciosos do que a liberdade de expressão, pela qual tantas pessoas deram a vida e lutaram durante séculos, numa batalha que está longe de estar ganha em muitos pontos do globo e até aqui em Portugal. Mas Mário Machado é …

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