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A água que nos falta

No mês passado, Silves recebeu um importante debate sobre a água no Algarve. Vários intervenientes debateram não só os problemas, mas também algumas das soluções possíveis para minimizar o problema da falta de água e da seca que a região atravessa – sendo certo que com as alterações climáticas (todos os estudos o apontam) o Algarve será muito afetado. Deste debate, que foi replicado noutras cidades algarvias, saiu a chamada “Solução Guadiana” que propõe recorrer à água do Guadiana, que seria conduzida, através de conduta, até à barragem de Odeleite. Uma obra que custará entre 20 a 25 milhões de …

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Paradoxos à algarvia

Este mês duas notícias diferentes chamaram-me a atenção. Na sua essência, ilustram os paradoxos que caracterizam a região do Algarve. Falo em primeiro lugar do projeto “Bayline”, que já foi notícia no Terra Ruiva em 2018, quando se anunciou que a urbanização Lagoa das Garças, em Armação de Pêra, iria sair da situação em que encontrava – com as obras paradas há uma década – e que um novo promotor avançava com a sua reconversão e construção. Milhões, luxo, falava-se na peça. E volta o assunto nesta edição de fevereiro de 2020, quando as obras começaram. E o projeto “Bayline” …

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Ano precário

Um dos valores mais caros aos seres humanos é o da segurança. A grande maioria das pessoas anseia por uma vida profissional e familiar estável, com novidades mas sem sobressaltos, com condições para fazer planos a médio e longo prazo e estabelecer metas para os seus percursos pessoais. No entanto, estes desejos não passam de uma miragem para um número crescente de trabalhadores, sendo o Algarve a região mais atingida por um autêntico flagelo: a precariedade no trabalho. No passado mês de dezembro, a CGTP- IN organizou uma Semana Contra a Precariedade e o Sindicato da Hotelaria do Algarve divulgou …

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Falemos de pobreza

Nesta época de sininhos a tocar, músicas natalícias, apelos aos bons sentimentos, e estímulos brutais ao consumismo, o Instituto Nacional de Estatística (INE) entrou em contramão para nos desassossegar com as estatísticas da pobreza. E diz-nos que, em 2018, existiam em Portugal 2,2 milhões de pessoas em situação de pobreza e risco de exclusão social, mais de um quinto da população. Inquieta-se quem lê estes números, quem imagina em cada número uma pessoa. Ainda assim, esta é uma estatística positiva, o número de pobres tem vindo a baixar e o rendimento das famílias a aumentar, desde que a troika saiu …

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O que (n)os distingue?

Dizia-me há tempos um amigo: as pessoas agora têm mais dificuldade em votar porque já não há ideologia. “Antigamente”, a pessoa que votava no PCP defendia um modelo de sociedade, quem votava no CDS sabia que queria o oposto, o votante no PS não votaria no PSD porque eram partidos com posições muito diferentes. Agora, andamos baralhados porque se perdeu a ideologia, pouca importância se dá aos programas eleitorais, os partidos estão subordinados às figuras dos líderes, é mais importante a performance do líder e a frase certeira na televisão do que as linhas programáticas, tudo se confunde, a CDU …

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A joaninha e as alterações climáticas

Há dias, ao entrar em casa, senti qualquer coisa a pousar-me na mão. Ainda tive um primeiro momento de receio até perceber que era, afinal, uma joaninha. O segundo momento foi dedicado a pensar há quanto tempo não via uma joaninha. Na sequência desse pensamento facilmente se encadearam outros. Pensei que este ano, não ouvi nenhum cuco, com o seu chamamento caraterístico. E mal tive oportunidade de ver borboletas a esvoaçar no quintal, nem tão pouco as espécies mais vulgares. O meu bocadinho de céu não tem tido a visita da família de gaios que por aqui costumava voar. E …

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Comemorações e ausências

Estive na cerimónia das comemorações do Dia do Município. Três cadeiras estavam vagas, na primeira fila. As destinadas aos vereadores do PSD e do PS da Câmara Municipal de Silves. No ano passado também estive na cerimónia. Estavam vagas duas cadeiras, os lugares dos vereadores do PSD. No Castelo de Silves, onde este ano decorreu a cerimónia, nos lugares reservados, avistei o presidente da Assembleia Municipal e os presidentes das juntas de Silves e de Messines, além de vários representantes de entidades regionais e concelhias. No público, que eu tivesse visto, estavam presentes dois membros da bancada da CDU na …

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É Verão…

Paradoxal I– As urgências pediátricas e a maternidade do Hospital de Portimão têm tido dias em que não estiveram abertas, entramos no Verão sem garantias que esses serviços funcionem convenientemente. Paradoxal. A concentração/vigília que a Comissão de Utentes organizou há poucos dias tinha estes utentes: poucos. Muito poucos. Paradoxal II – O IC1 via principal de acesso à região, que traz os visitantes até ao mar, encontra-se num estado de enorme degradação, com troços lastimáveis. Há um ano e tal soube de uma concentração/protesto organizada por utentes desta via. Lá estavam os mesmos, os “poucos”. Poucos carros, poucas motas, poucas …

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“A minha casinha”

A seguir ao 25 de abril de 1974, na explosão de liberdade e fraternidade que se deu, um dos movimentos mais surpreendentes e transformadores que nasceu nessa euforia foi o das comissões de moradores e comissões de bairros. Por todo o país, milhares de pessoas organizaram-se para resolver o problema da habitação, construindo ou melhorando as suas casas, bairros e aldeias. Surgiram depois as cooperativas de habitação e a habitação social construída pelo Estado e autarquias. Esse poderoso movimento foi travando à medida que a euforia se extinguia e governos mais à direita tomavam conta dos destinos do país. Não …

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O valor da história

Li recentemente um livro de Richard Zimler, no qual o autor aborda a ascensão do nazismo, vista pelos olhos de uma adolescente alemã. Residente na cosmopolita Berlim, integrada na classe média, a jovem partilha a ideia, amplamente difundida no seu meio social, de que um bronco como Hitler nunca alcançará o poder. É com incredulidade que a mesma e seus familiares e amigos assistem à vitória de uma pessoa que consideram social e intelectualmente inferior, sem qualquer capacidade para dirigir um país que acreditam ser forte, desenvolvido e moderno. Da incredulidade ao horror e à derrocada de toda a sua …

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