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Rocha de Sousa

Natural de Silves. Professor Universitário ( aposentado) pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde foi docente. Membro da Academia Nacional de Belas Artes. Com larga atividade artística em vários campos, da pintura, ao cinema, do vídeo à literatura, Participou em dezenas de exposições, em séries de arte para a RTP, tem publicadas vários livros e é colaborador do Jornal de Letras.

A propósito da conquista de Silves

A conquista de Silves por D Sancho II decorreu, com apoio na 4ª Cruzada que vogava para os mares e terras onde podia dar luta aos mouros, durante essa afectação nórdica e equívoca das guerras religiosas. O ponto de vista dos portugueses não era tanto esse desvio ideológico, aliás tendo chegado a mortandades de assombro. D Sancho II não dispunha de meios humanos e técnicos para enfrentar, até ao Algarve, uma ocupação consumada e determinante. O expediente de compromissos com as poderosas Cruzadas que passavam, para o sul, a caminho do Mediterrâneo não era uma exclusividade portuguesa e as próprias …

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A Guerra, o Trabalho e a Solidão

O MUSEU MILITAR DE LISBOA lançou há largos meses um série de exposições ligadas aos terríveis acontecimentos da presença portuguesa na Primeira Guerra Mundial, mais citada como Grande Guerra. Estas exposições decorreram e decorrem de um conjunto de convites dirigidos a conhecidos artistas (pintores, escultores, desenhadores) a fim de que concebessem intervenções plásticas adequadas, entre meses e meses, a homenagear os soldados recrutados para aquele conflito e aqueles, famílias e sobretudo mulheres, então deixados no país, tratando das casas e dos filhos, laborando pelos maridos em lugares de diferentes técnicas , fábricas, pequenas e médias empresas, por vezes tarefas pesadas, …

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O futuro dos emigrantes

Nos anos sessenta, ou pouco depois, a editora Ulisseia encomendou-me a capa para um livro de Nuno Rocha, jornalista, cujo título logo me impressionou: tratava-se de FRANÇA, A EMIGRAÇÃO DOLOROSA. Já se vivera mais uma nova vaga de emigrantes portugueses sobretudo para França, nomeadamente no âmbito da construção civil. O Nuno, ainda bem novo, vestira-se a preceito (como se partisse de uma aldeia do Norte), meteu uma máquina de escrever portátil na mala, juntamente com roupa e outros apetrechos. Tinha comprado uma passagem para França, viagem que se fazia a salto e numa camioneta ronceira, trabalhada na sombra, já velha …

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Do Regional ao Nacional e Global

Li, em concordância, as palavras de Paula Bravo, directora deste jornal, que reflectiam alguma perplexidade sobre um certo balanço entre o acesso a temas regionais e outros de cunho nacional ou global. É uma questão pertinente mas também é verdade que a imprensa das regiões (ou similar) não parece ter vocação para se comprimir, embora com lucidez, apenas sobre assuntos, os mais diversos, locais, individuais, de costas voltadas para o mundo inteiro. Na contemporaneidade, isso já não tem sentido ou não é mesmo possível. Com os seus defeitos e as suas virtudes, os fenómenos colectivos da globalização envolvem grandes regiões …

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Parábola sobre a Idade da Razão

Nascer e crescer fazem parte de duas das mais complexas situações da Natureza. Os sons e as imagens ganham dia a dia maior nitidez e mobilidades selectivas nos polos receptivos do pequeno ser. Os principais símbolos que adquirem maior consistência nos tempos iniciais da consolidação do ser humano, ainda que dependam da grande selectividade física de especiais alentos a emergir, começam desde muito cedo a codificar o mal e o bem, escolhas por vezes compulsivas e sem sentido. A actividade das crianças torna-se rapidamente muito agitada nos fluxos miméticos e dinâmicos, certamente quando a gestualidade assenta, precoce, nas atitudes do …

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Não há planetas eternos nem utopias sem fim

Os Açores sofreram uma das tempestades que o aquecimento do planeta reflecte, quer pelas grandes quantidades de CO2 que a actividade industrial humana produz aos biliões de toneladas, quer por metamorfoses cíclicas inerentes à vida dos vastos ecossistemas confrontados. Desde Kyoto que a humanidade tenta encontrar linhas de contensão no sentido de se começar a corrigir os erros da produção, consumos e desperdícios, embora a teimosia gananciosa dos poluidores resista enquanto não chegar ao limite. A poluição, cada vez mais generalizada, da atmosfera do planeta, chegando a níveis preocupantes, envolveu há dois meses quase todos os países da Terra no sentido de …

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As cidades sem direito a transportes

Há cerca de cinco anos, não sendo possível chegar a Silves vindo de Lisboa a pé, nem sequer a cavalo como D. Sanches no antigo tempo da conquista, vim naturalmente de carro, a um domingo de manhã. Sou filho de Silves, a ela volto sempre durante diversos períodos, e posso por isso testemunhar que outrora, ao entrar, ali era com alegria que parava muitas vezes pelo caminho, ao encontrar amigos, novos e velhos. Não eram casos festivos nem circunstâncias inusitadas. Era a vida ao ar livre, passeios, trajectos de naturais rotinas. Era a presença salpicada da comunidade, aberta, entre lugares …

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Os ruídos da história

Quem está hoje na Síria, nas zonas queimadas, entre ruínas onde moram os últimos orfãos, pode eventualmente achar carros a bater terreno e obter boleia, chegando ao norte do Iraque na outra madrugada. Há zonas que se enchem de figuras com roupas aparentemente regulares, abivacando em grande algazarra. Faiscando. Mas nada é fácil, mesmo que transitoriamente, e estes fantasmas acabam por ser forçados a limpar lamas sangrentas, restos de corpos, lixo de comidas inclassificadas, talvez como patéticas simulações da pintura de Miodrag Djuric, sobretudo em “Grande plage bleue”. Os sulcos da morte são constantes, perante a corrida dos guerreiros selvagens, …

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A Interioridade Seca

Dia 3 de Setembro, Silves deveria ter saudado a história de si mesma — não tanto na severidade curta das distinções desportivas, sem escrutínio plural capaz de dar a ver a qualidade das referências formadoras de cada quadro civilizacional. Este exiguidade recorrente parece duplicar o lado massificante da globalização na vida comunitária. Em certo sentido, já quase ninguém sabe se Deus existe e de que morte padece o homem, crente do excesso e do nada, cada vez mais espelho de si mesmo. As modernas tecnologias têm sobretudo imprimido velocidade a tudo em volta, atravessando os olhares e cegando as multidões …

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