Francisco Martins

Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascido em 1957. Licenciado em Economia, Membro Efetivo da Ordem dos Economistas. Professor e vice-presidente da Escola Secundária de Silves; vereador permanente e não permanente da Câmara Municipal de Silves (eleito da CDU); dirigente associativo em várias entidades. Fundador do Terra Ruiva.

(Des)Investimento público na Educação

A Educação é um dos pilares fundamentais do desenvolvimento do país, constituindo uma das componentes do Estado Social, a par da Saúde e da Segurança Social, cujas competências se encontram constitucionalmente atribuídas à Administração Central. A política educativa tem sido secundarizada pelos sucessivos governos, sendo corporizada por medidas erráticas, subfinanciamento e constantes alterações legislativas, recaindo na gestão e administração das escolas e na desvalorização do trabalho dos seus profissionais, designadamente, da classe docente, os efeitos mais perniciosos e desmotivadores, que se reflete na qualidade do ensino e no sucesso educativo. Num país em que 47,6% da população e 43,4% dos …

Ler Mais »

Manipulação e desinformação

As eleições autárquicas ainda distam cerca de um ano mas alguns dos protagonistas locais, eleitos e círculos próximos das forças da oposição ao atual executivo municipal, oriundos do partido do governo (PS) e doutras forças políticas, já se fazem notar. Nada desta postura seria surpreendente e questionável se os meios e métodos utilizados fossem sérios, cristalinos e saudáveis no quadro do debate democrático que se recomenda informado, esclarecido e participativo. É uma espécie de vale tudo, não olhando a meios para atingir os fins (eleitorais), distorcendo e empolando factos, manipulando e desinformando o povo. A falta de uma pedra na …

Ler Mais »

Investimento ambicioso

O país necessita de recuperar e regressar ao crescimento económico, sabendo-se, contudo, que este processo é indissociável da (in)eficácia do plano estratégico, das políticas adotadas pelo Governo e dos resultados dos compromissos estabelecidos no seio da União Europeia, designadamente, a aplicação da “bazuca financeira” que tarda a chegar ao terreno, cujas condicionalidades, capacidade nacional de absorção dos fundos no período de 3 anos, equidade e justiça na sua repartição, nos levanta fundadas dúvidas, dado o neoliberalismo europeu vigente e o passado histórico. As consequências da pandemia de Covid-19 que a todos toca, embora, de forma assimétrica, afetando com intensidade superior …

Ler Mais »

Democracia sob ameaça

A Democracia portuguesa conquistada com o 25 de Abril de 1974, num processo revolucionário que espantou o mundo, não é um direito imutável para todo o sempre. Necessita de ser alimentada e defendida permanentemente contra os seus adversários que espreitam na primeira esquina para a desfeitear e destruir. Em Portugal (e noutros pontos do mundo ocidental), estão em movimento forças populistas e de extrema-direita, que procuram cavalgar as imperfeições do sistema democrático, a crise económica, social e ambiental, o alastramento do desemprego, o futuro incerto dos jovens, o aprofundamento das desigualdades sociais, a exclusão social, o crime, revolta e insegurança …

Ler Mais »

Autarquias e a Covid-19

A pandemia da covid-19 criou uma situação de calamidade inesperada que tudo veio alterar na sociedade contemporânea, mudando radicalmente o quotidiano das populações, o relacionamento social, provocando crise económica de proporções épicas. O desfecho da pandemia permanece imprevisível. O que já é certo é a quebra acentuada do Produto Interno Bruto (PIB) que se aproximará dos dois dígitos em Portugal e na Europa, as dificuldades na retoma da economia, no processo de desconfinamento social e no funcionamento do tecido organizacional, os cortes salariais e a perda de rendimentos das famílias (1/3 do rendimento dos trabalhadores em layoff), o aumento do …

Ler Mais »

Nada será como dantes

O surto pandémico da Covid-19 está a provocar a crise e a recessão económica em todo o mundo, numa magnitude somente comparável à “Grande Depressão” de 1929, devastando a sociedade – sujeita a confinamentos e a medidas de proteção sanitária, e a economia – forçada a reduzir os níveis de atividade e a encerrar portas, cuja rigorosa extensão e impacto são imprevisíveis. Porém, é certo que o produto interno bruto (PIB) português e o desemprego não evitarão pesados desempenhos durante o ano de 2020, na ordem dos 8% e 13,9%, respetivamente. No quadro geral do capitalismo dominante e da ideologia …

Ler Mais »

Salazarismo e democracia

Volta e meia deparamo-nos com opiniões, oriundas de cidadãos com mais ou menos conhecimentos, defendendo que no tempo de Salazar o país era melhor. Há que distinguir três ordens de razão: 1) a fúria da revolta e o desabafo indignado contra a violência da austeridade assimétrica, o custo de vida, o empobrecimento, as desigualdades, o desemprego, a corrupção e o retrocesso civilizacional em matéria de direitos laborais e sociais; 2) a ignorância e memória curta dos 48 anos de ditadura; 3) a defesa consciente da ideologia fascista (felizmente, muito rara na sociedade portuguesa). Por muito degradante que seja o estado …

Ler Mais »

Contas Certas

O conceito de contas certas quando aplicado às contas públicas, designadamente ao Orçamento de Estado, pode proporcionar leituras e ilações completamente opostas, atento os pressupostos, as medidas e as políticas que lhe estão subjacentes. Sendo racional e sensato numa boa gestão atingir o equilíbrio orçamental, garantindo a cobertura da despesa pela receita, evitando derrapagens e o crescimento do endividamento, também é fundamental saber como lá se conseguiu chegar, se foi por via do corte cego da despesa, das cativações e redução do investimento público, do aumento de impostos ou do sacrifício do serviço público em áreas como a saúde e …

Ler Mais »

Perplexidades

Sempre causou espanto a ligeireza ou mesmo desfaçatez a habilidade como alguns protagonistas e forças políticas na região, para não estender a análise do fenómeno ao todo nacional, se descartam da gestão autárquica dos seus antecessores, com a mesma filiação partidária, sacudindo para trás das costas responsabilidades que são únicas e coletivas do grupo que não deixaram de integrar, apresentando-se à opinião pública como nada tendo a ver com o desempenho do período transato. O mote da conversa foi despoletado por afirmações vindas a público oriundas da liderança do Município de Vila Real de Santo António que se queixa da …

Ler Mais »

Poderes

Num sistema democrático, tão relevante é quem governa, como a oposição. Uns e outros devem pautar a sua ação pelo sentido do dever público, exercendo as funções com competência e conhecimento dos dossiers, atuando com responsabilidade e credibilidade, ética e bom senso, mantendo o respeito mútuo, fazendo prevalecer, fundamentalmente, os interesses das comunidades e das populações. Em democracia é salutar a divergência de opinião, o confronto de orientações políticas e conceções ideológicas, revelando-se a oposição absolutamente necessária, enquanto força de pressão que critica com fundamento e impede o adormecimento e as práticas rotineiras de quem governa. Entre poder e oposição …

Ler Mais »