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António Guerreiro

Natural de Silves, nascido em 1962, é doutor em Educação Matemática, professor e diretor da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve. Os seus interesses atuais nos tempos livres são a escrita, a leitura e a fotografia.

Tem mais encanto

Estive de novo em Coimbra, desta vez (a terceira no espaço dum ano) por razões académicas, no primeiro congresso do Espaço Matemático em Língua Portuguesa. A Universidade de Coimbra e o Departamento de Matemática continuam gravativos e áridos, como os conheci no início dos anos oitenta do século XX. Para mim, a cidade e a universidade sempre assumiram uma dupla face de regozijo e de frustração, tal como celebra a Balada da Despedida do 6.º Ano Médico de 1958 (Coimbra tem mais encanto), «Não me tentes enganar com a tua formosura/Que para além do luar/Há sempre uma noite escura». Há …

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Lanterna Mágica

Fui a Lisboa à Cinemateca Júnior (serviço educativo da Cinemateca) com os alunos do primeiro ano da licenciatura em Ciências da Comunicação e com um dos seus professores, o meu colega Vítor. O Vítor, aos vinte anos, era refugiado político na Suécia, quando aconteceu Abril. As suas recordações do tempo revolucionário são mais presentes do que as minhas, na época, eu era aluno do atual 2.º ciclo do ensino básico e tinha doze anos. Os meios audiovisuais são também construtores de memórias, por isso recordo acontecimentos que nunca vivi, mas memorizo-os como fragmentos da nossa vida coletiva. Entrámos na zona …

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A MENINA DO BALÃO VERMELHO

A menina disse a sua mãe que só os balões vermelhos é que fazem voar! Voar para além da destruição das casas e dos lares, das linhas imaginárias, as trincheiras, nomeadas de fronteiras entre estados, destacadas por altos muros de forte betão e imensos rolos de arame farpado. Como eu queria ter farpas para esfarrapar todo aquele arame que nos isola da humanidade, que nos isola dos outros, nossos iguais. Quantas fronteiras justificam uma criança morta, como quem sonha, pendida nas águas do nosso mar? Quantos milhares de mortos no mar mediterrâneo, no âmago da terra, são bastantes para ensanguentar …

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