Um grupo de cidadãos de São Bartolomeu de Messines entregou à Câmara Municipal de Silves uma “Petição pela Valorização do Grés de Silves”, na qual sugerem algumas ideias para que este património natural seja preservado, recuperado e promovido, de forma a que a freguesia se afirme no panorama turístico como a “Terra do Grés”.
Na introdução da petição os signatários consideram que o “grés de Silves” foi “o passaporte” para a integração do concelho de Silves no projeto de formação do Geoparque Algarvensis, sendo que é na freguesia de Messines “nomeadamente em Vale Fuzeiros, Amorosa e no povoado sede” que as manifestações geológicas conhecidas como “grés de Silves” assume maior expressão e relevância.
“Em Messines desde sempre se “trabalhou” a pedra, dando-lhe múltiplas utilizações, daqui saindo, como emissário de marca, para variados destinos. Tal atividade ainda hoje é mantida com empenho pela família que tradicionalmente se tem dedicado à exploração e à arte de transformar a “pedra ruiva” ou “rebolo””, afirmam.
Nesse sentido, os signatários propõem à Câmara Municipal de Silves “para que diligencie a conceção e sequente candidatura de um projeto municipal que vise a preservação, recuperação, salvaguarda e promoção deste património natural e que afirme S. B. de Messines, no panorama turístico, como a terra “Terra do Grés”. Um projeto próprio, concebido na autarquia, com génese em Messines, envolvendo as pessoas e associações locais.
Um projeto que inventarie e mapeie este património, identificando-o por sinalética adequada e que preveja formas de divulgação desta nossa marcante característica, tão disseminada pela freguesia.”
Na petição sugere-se que, na sequência desse projeto seja criado/instalado um centro expositivo permanente, dotado de oficina adstrita “onde a arte de trabalhar a pedra seja preservada e legada ao futuro.”
“De tal projeto deverão constar medidas a incorporar na requalificação em curso do centro histórico da vila, especificamente na definição das intervenções que conduzam à valorização, salvaguarda e preservação das componentes existentes do grés de Silves e do edificado. Sugerimos ainda que seja considerada a implantação de elementos escultóricos em pontos conspícuos da vila (arte de rua) identificativos desta singularidade com que a natureza nos brindou”.
Sugere-se ainda que os regulamentos municipais incluam “medidas adequadas de incentivo à salvaguarda e proteção do grés de Silves na edificação existente, em solo urbano e em solo rústico, tanto na arquitetura, como nas infraestruturas” e que se procure “no quadro de referência 2023-2030 dos fundos europeu” as formas de financiamento que permitam a concretização do projeto.
“Para além da honrosa distinção que nos é conferida pela imortalidade da figura do poeta João de Deus, eis-nos a acrescer a “marca” patrimonial “Terra do Grés”, enquanto berço deste recurso endógeno diferenciador do território e marca identitária e cultural da nossa terra”, acrescentam.
“Antevemos um futuro envolvimento e adesão da comunidade, motivada pelo progresso da sua terra, ciente de que a criatividade se irá desenvolver e impor, medrando sem dirigismos, em manifestações genuínas da nossa cultura, das nossas artes e do nosso modo de estar”, afirmam ainda os signatários do documento que foi dirigido à presidente da Câmara Municipal de Silves no dia 18 de junho.
Subscrevem: Amílcar Sousa Camacho, Américo Bárbara, Aurélio Cabrita, Bruno Matos, Fernando Sequeira Santos, Gualberto Tomé, José António Sequeira Gonçalves, José Guerreiro Cabrita, José Neto Farinha, Jorge Pires, Luciano Machado, Margarida Guerreiro Cabrita, Maria Adélia Neves Lourenço, Mário Neto Lourenço, Patrícia de Jesus Palma, Paula Bravo, Paulo Gregório, Ricardo Camacho, Rui Coelho Cabrita, Tiago Custódio.



