Os resultados do Projeto RIOS – Monitorização da Qualidade da Água na Ribeira do Falacho foram apresentados e debatidos numa sessão organizada pelo Grupo Amigos de Silves (GAS), no dia 27 de junho, na Associação de Regantes de Silves, Lagoa e Portimão.
A sessão de debate dinamizada pelo GAS, sobre o ecossistema ribeira do Falacho, teve como base de reflexão, o relatório realizado pelo Clube de Ciência Viva da Escola Secundária de Silves e “pretendeu identificar problemas e apresentar sugestões que promovam a melhoria do ecossistema e da água enquanto BEM PÚBLICO”.
O debate contou com a participação das docentes Conceição Ferreira e Florbela Cabrita, responsáveis pelo Clube de Ciência Viva do Agrupamento de Escolas de Silves e autoras do estudo de monitorização da qualidade da água na ribeira do Falacho; do engenheiro António Martins, em representação das Águas do Algarve; do engenheiro João Garcia, representando a Associação de Regantes de Silves, Lagoa e Portimão e da bióloga Anabela Pereira como representante da Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), responsável pelo Projeto RIOS.
Do debate, “resultou um conjunto de evidências e de sugestões de melhoria no ecossistema ribeira do Falacho/ rio Arade.”
Começando pelas “evidências”, o estudo realizado pelas professoras e alunos, apesar das limitações “no que diz respeito ao kit utilizado”, na Ribeira do Falacho, concluiu que a mesma se encontra “poluída, quer a montante, quer a jusante”, no que resulta num “mau estado da salubridade da ribeira”.
Concluiu ainda que “ a ETAR trata 1500 litros de água por dia, aproximadamente 550 m3 por ano e 330 toneladas de lama por ano. Não tem tratamento de odores e está previsto um investimento, na referida ETAR, em 2028” e que “a rede de distribuição da água, em Silves, apresenta uma perda de 35% e a água tratada que sai da ETAR e é despejada na ribeira, vai para o rio Arade, não sendo aproveitada para a agricultura ou rega de jardins.”
No capítulo das sugestões, destaca-se a necessidade da limpeza e requalificação da ribeira do Falacho e da realização de “investimentos, urgentes, na rede de distribuição de água em Silves, na requalificação das ribeiras do Falacho, do Arade e do Enxerim com construção de bacias de retenção da água, para manter o caudal ecológico dos ecossistemas e antecipar o investimento na ETAR do Falacho para permitir a reutilização da água na agricultura”.
O GAS propõe “a requalificação do ecossistema ribeira do Falacho até ao rio Arade (em direção a Silves), com a implantação de um circuito pedestre, a construção de dois pontos de observação de aves, um na ilha da Sra. do Rosário e outro no final da Quinta de Mata-Mouros, a recuperação do deck junto às Piscinas Municipais e a construção de uma estrutura de apoio à utilização de canoas.” Propõe-se ainda que as autarquias, Câmara Municipal de Silves e Junta de Freguesia de Silves, os proprietários confinantes com a ribeira e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) sejam todos envolvidos no processo de requalificação do ecossistema da Ribeira do Falacho.
Em conclusão, os intervenientes no debate defendem que “a manutenção do ecossistema ribeira do Falacho /rio Arade é potenciada pela utilização da população através de caminhadas, observação de aves e prática de canoagem, de lazer, no plano de água do rio Arade. Estas atividades contribuem para a conservação do ecossistema e os utilizadores que usufruem da natureza alertam as entidades competentes para a correção de eventuais situações de degradação do espaço. E a comunidade local que confina com a ribeira do Falacho tem direito a usufruir de um ambiente saudável.”
Finalmente, salientam a intervenção de um representante dos alunos que participaram no projeto, “manifestando-se muito descrente na ação das entidades com competências no desenvolvimento de políticas amigas do ambiente e da promoção da qualidade de vida das populações.”




