Falemos de violência contra as mulheres

Existe um número gigantesco de mulheres e homens que vivenciaram situações de violência e abuso na infância, adolescência e idade adulta. Guardam esse sofrimento, muitas vezes em silêncio, uma vida inteira por sentirem vergonha, medo do julgamento e sentimentos de culpa.

A violência é estrutural, está em todos os lugares, nos jornais, nas ruas, nas escolas e, muitas vezes, perto de nós sem que percebamos. A sua manifestação ocorre no machismo, no abuso infantil, na exploração animal, no preconceito, entre outras formas. Nem sempre a violência é visível. Muitas vezes, ela é praticada por meio de palavras agressivas que destroem a saúde emocional da vítima. As cicatrizes mais profundas são aquelas que crescem do lado de dentro.

Sufocar essa sombra é uma tentativa de não lidar com a dor, pois ela manifestar-se-á em forma de diversos problemas emocionais, bem como na realidade externa de quem carrega esse tipo de trauma.

Em pleno mês de março, que se inicia com a comemoração do Dia da Mulher, nunca é demais recordar a violência contra as mulheres, que tem, infelizmente, crescido ao longo dos anos, com um impacto psicológico profundo e duradouro nas vítimas, podendo causar uma série de consequências emocionais, mentais e comportamentais.

As Nações Unidas definem a violência contra as mulheres como “qualquer ato de violência de gênero que resulte ou possa resultar em danos ou sofrimentos físicos, sexuais ou mentais para as mulheres, inclusive ameaças de tais atos, coação ou privação arbitrária de liberdade, seja em vida pública ou privada”.

Algumas das principais formas pelas quais a violência afeta as mulheres psicologicamente incluem:

– Trauma psicológico: As vítimas de violência muitas vezes experimentam trauma psicológico significativo, que pode manifestar-se em forma de transtorno de stress pós-traumático (TEPT), ansiedade, depressão e outros distúrbios psicológicos.

– Baixa autoestima e autoimagem: A violência pode minar a confiança e a autoestima das mulheres, levando a uma visão negativa de si mesmas e à perceção de que merecem o tratamento abusivo.

– Sentimentos de culpa e vergonha: Muitas vítimas de violência enfrentam sentimentos de culpa e vergonha, mesmo que não tenham feito nada para provocar o abuso. Isso pode levar ao isolamento social e dificultar a procura de ajuda.

– Dificuldades nos relacionamentos: A violência pode afetar negativamente os relacionamentos interpessoais das vítimas, incluindo com parceiros íntimos, familiares e amigos. Elas podem ter dificuldade em confiar nos outros e estabelecer relacionamentos saudáveis.

– Problemas de saúde mental: A violência está associada a uma variedade de problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade, transtornos alimentares, abuso de substâncias e ideação suicida.

– Impacto nas crianças: Quando a violência ocorre em um ambiente familiar, as crianças também podem ser afetadas psicologicamente, testemunhando o abuso e sofrendo traumas secundários.

Em 2023, entre 1 de janeiro e 15 de novembro, foram assassinadas 25 mulheres. Destas 25 mulheres, em 15 existe informação suficiente para classificar estes assassinatos como femicídios. Cada ato de violência é uma agressão conta a dignidade humana, é trauma que se gera com marcas para a vida. Cada morte é uma vida que se perde. É uma família que se destrutura, é trauma que se gera também para quem fica. Quem ama não maltrata!

É fundamental reconhecer e abordar o impacto psicológico da violência contra as mulheres, fornecendo apoio psicológico adequado, acesso a serviços de saúde mental e recursos para ajudar as vítimas a se recuperarem e reconstruírem suas vida.

 

Uma, em cada cinco mulheres, já sofreu violência. Não podemos continuar romantizando os relacionamentos tóxicos. O amor não fere. O amor não silencia. E o amor não mata. Denuncie!

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