Discutia-se há dias, em Silves, questões relacionadas com a cultura, numa tertúlia que reuniu algumas dezenas de pessoas, no foyer do Teatro Mascarenhas Gregório, por iniciativa da Associação Grupo Amigos de Silves.
Discutindo um tema sobre o qual dificilmente se pode dizer que há opiniões que não são válidas, e onde se encontra a concordância em sensibilidades semelhantes, alongou-se a conversa, com participações do público e dos oradores convidados. Em determinada altura, defendeu-se a ideia de que falta em Silves um “equipamento cultural”, nomeadamente uma sala para espetáculos e produções de dança, ou outras, de grande envergadura.
Temos na cidade de Silves, o Teatro Mascarenhas Gregório, a Fissul (com o seu espaço interior e exterior), o Castelo, a Praça Al-Mutamid, os auditórios da Escola Secundária de Silves e do Instituto Piaget; em Messines contamos com o Auditório Francisco Vargas Mogo, a Sala Polivalente da Casa Museu João de Deus e o Pavilhão da Casa do Povo; temos o Centro Pastoral de Pêra, em Pêra e as instalações das Sociedades de Messines, Alcantarilha, São Marcos da Serra; e o Centro Cultural Luís Augusto Mascarenhas e o Antigo Celeiro, no Algoz. E a Casa do Povo em Alcantarilha. E temos ainda as instalações do Serrano Futebol e do Clube de Futebol Os Armacenenses e o fantástico recinto da Fortaleza que tantos eventos acolhe… e brevemente mais uma sala de espetáculos no renovado Casino de Armação… E temos ainda os salões com palcos, nos quartéis dos bombeiros, que também acolhem eventos e salas nas sedes das juntas de freguesia e os nossos jardins e praças, disponíveis grande parte do ano…
Não temos, é verdade, a grande sala de espetáculos que outras cidades podem ter. E necessitamos dela?
Principalmente tendo em conta quanto iria isso custar e quão difícil e dispendioso seria assegurar a sua manutenção e sustentabilidade, a não ser que não nos importássemos de criar um elefante branco e sustentá-lo com dinheiros públicos a troco de muito pouco usufruto?
O problema, digo eu, é que não temos público. Não temos pessoas. Os concertos intimistas, chamados de “Lado B”, que a Câmara de Silves promove há anos nas freguesias, tiveram, até hoje, um único concerto esgotado (os Dead Comb). Nestes concertos já passaram artistas para todos os gostos, todos os géneros de música. Mas sobram sempre lugares no teatro e nos auditórios do concelho.
E sobram lugares vazios no teatro. E nas tertúlias, nas exposições, nas conferências, nas apresentações de livros. Quando a sala se encontra “composta”, já os organizadores se dão por felizes!…
Não temos pessoas. Não é um problema exclusivo de Silves, nem do Algarve, nem do País. A Cultura, esse imenso campo que nos alimenta a criatividade, a inteligência, que nos enriquece e diferencia, definha no nosso esclarecido e moderno século XXI.
Definha no nosso país, onde ainda se luta para que o Orçamento de Estado consagre 1% para a Cultura e, onde em plena campanha eleitoral, para elegermos quem vai governar nos próximos anos, não houve nenhum espaço para este tema, no meio de dezenas (centenas?) de debates…
E luta para sobreviver no nosso concelho, apesar da Câmara Municipal de Silves ser, segundo os dados da Pordata, uma das que mais investe na Cultura e Desporto – a 5 ª no Algarve. Porque, na nossa escala concelhia, não temos público suficiente para encher as salas mas também não temos o número suficiente de criadores, agentes culturais e cabeças pensantes que possam imprimir uma dinâmica constante e diferenciadora, que permita resultados a médio prazo. E, diga-se a verdade, sem essas “cabeças pensantes” não é possível atingir determinados patamares.
E, salvo uma ou outra rara exceção, não as encontramos em concelhos do interior. Porque nestes territórios, normalmente apenas as câmaras municipais podem pagar salários de técnicos superiores, (de pouco mais de mil euros), e poucos são os que aceitam essa remuneração para um lugar onde terá de haver um amor suplementar à camisola e à cultura, muitas horas extraordinárias, muito trabalho à noite e fins de semana. E as “cabeças pensantes” e os artistas, e os criadores também têm de pagar as suas contas…
É muito com a prata da casa que vamos fazendo o nosso caminho e este é um trabalho que tem de ser valorizado e tem, de facto, sido apoiado pela Câmara Municipal de Silves, que este ano dedicou 150 mil euros para apoio a atividades culturais desenvolvidas por associações.
Não necessitamos de grandes equipamentos, necessitamos de pessoas atentas e interventivas, participativas. Que peguem na Cultura com os braços e a distribuam por toda a gente. Como se fossem cravos de abril.
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Nota: Uma nota muito positiva para a atitude da Câmara Municipal de Silves que, em reunião da AMAL, foi a única do Algarve a votar contra o aumento do preço da água por considerar esta medida injusta para as famílias.
Soube-se depois que os autarcas das três câmaras PSD, que tinham votado a favor, decidiram não levar para a frente essa sua decisão e depois também a socialista Isilda Gomes, em Portimão.
A situação que se vive na região é mesmo muito complicada e os municípios vão ter de poupar para assegurar o abastecimento público. Mas querer “castigar” a população pela ausência de medidas que há décadas se encontram definidas como essenciais seria um caminho muito injusto, especialmente na atual conjuntura económica, com a maioria das famílias estrangulada com os aumentos de preços da habitação e dos produtos essenciais.



De grandes equipamentos não, concordo. Mas de um simples equipamento, auditório ou teatro municipal (Silves não tem), que permita a realização de espectáculos que no presente a cidade não tem. E volto ao cineteatro ao abandono, o qual bem reabilitado poderia ser uma boa sala de espectáculos; e a par da infraestrutura cultural permitiria a renovação urbana e comercial, criando uma nova centralidade na cidade.
E enumerar tão exaustivamente, do mais pequeno salão recreativo a auditórios particulares do concelho, para justificar a não necessidade de uma sala capaz de receber certas produções é ridículo e escamoteia o problema. Mais: podemos ver bem e gostar da Gisela João ou do António Zambujo na Fissul mas experimentemos ouvir numa sala como o Tempo ou o auditório municipal de Lagoa e percebemos a diferença (para melhor).
não quero mais equipamentos vazios, o cine teatro é privado, quero sim mais adeptos de cultura em geral, mais pessoas para fazer teatro ou simplesmente assistir, mais pessoas para participar em associativismo ou simplesmente assistir, mais pessoas a organizar o baile ou simplesmente assistir, mais pessoas a organizar os eventos ,ou simplesmente assistir, mais pessoas a participar no artesanato ou simplesmente visitar sem comprar, ninguém é obrigado,.
a maior recompensa das pessoas que lutam para fazer qualquer evento por carolice, é ver as salas cheias, os recintos cheios de pessoas felizes.
é triste ver que a maioria desta nova geração, não querem saber absolutamente de nada que tenham que ter alguma responsabilidade, gostava de um dia voltar cá para ver como ficaram as coisas, se lhes deram alguma continuação ou se simplesmente deixaram tudo abandonado á espera que alguém que não eles fizesse alguma coisa, mas ao mesmo tempo digo não, não quero voltar porque ainda me sentiria mais triste.
é triste de cima de um palco olhar e ver que nem todas as cadeiras estão ocupadas, estamos em Silves, aqui vive muita gente que dava para encher vários teatros!
não podemos desistir por causa disso é verdade, mas dava vontade de fazer mais, se visse a sala a abarrotar e a encher o nosso coração cheio de palmas, de qualquer modo agradeço de coração a todas as pessoas que ainda vão assistir, a seja o que for que se faça em silves, são essas pessoas que nos continuam a dar força para continuar a fazer cultura para o nosso povo que sempre foi um povo de tradições e que é difícil manter, mas o que é preciso é que não acabe .
e nós continuarmos a contribuir para que as pessoas saiam de casa e que a única coisa que lhes pedimos, assistam áquilo que se faz na nossa cidade e não venham para as cidades vizinhas, dizer que em Silves não se faz nada, e quando se faz as pessoas não estão lá para nos compensar com a sua presença!
sei que isto é geral mas a mim doí-me aquilo que se faz, deixando família em casa para contribuir para alguns eventos e depois ficamos tristes no final por não haver publico a agradecer o que fazemos por todos. Obrigado!