Dois cágado-mediterrânicos, espécie ameaçada de extinção, devolvidos à natureza, na Barragem do Arade

Dois cágado-mediterrânicos, uma espécie ameaçada de extinção, foram largados na Barragem do Arade, na freguesia de Silves, no dia 24 de maio.

Esta foi uma ação efetuada por especialistas do Porto d’Abrigo do Zoomarine, em parceria com o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que devolveram à Natureza dois cágados que terminaram o seu processo de reabilitação: o Titã e a Theia, ambos cágado-mediterrânicos (Mauremys leprosa).

O Titã [força e poder] foi internado a 19 de junho de 2022, depois de ter sido encontrado prostrado. O diagnóstico revelou um grave distúrbio eletrolítico, anemia e hipoglicémia; adicionalmente, o seu trato digestivo estava fortemente parasitado e padecia de anorexia. Terminado a sua reabilitação, o seu peso passou de 877 para 946 gramas.

A Theia [deusa grega da visão] deu entrada no centro de reabilitação a 21 de agosto de 2022. Pesava, na altura, 861 gramas e revelou ter anemia e distúrbios eletrolíticos, uma infecção bacteriológica e dificuldades de flutuabilidade. Hoje, totalmente recuperada, esta fêmea adulta já pesa 909 gramas.

Durante a sua permanência sob cuidados humanos, ambos os cágados foram alimentados com várias espécies de peixe, carnes brancas, hortaliças e, ocasionalmente, minhocas.

Os cágados foram marcados com um microchip que permitirá, no futuro, que ambos os espécimes possam ser identificados (caso voltem a ser avistados ou recolhidos), por reabilitadores e investigadores.

O cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa) é uma das duas espécies de cágado que ocorrem em Portugal e que são autóctones.

O cágado-mediterrânico pode ser observado em cursos de água com correntes fracas, albufeiras, represas e charcos com elevada cobertura de vegetação aquática e insolação das margens. Esta espécie por norma não se encontra em rios e ribeiros de corrente rápida e em zonas de maior altitude acima dos 1000 m.

Nos últimos anos tem-se verificado um grande decréscimo no número de populações. A captura ilegal é um dos factores para tal, bem como a destruição do habitat, em particular no Algarve. Outro motivo importante é a introdução de espécies exóticas, como as tartaruga-verde e tartaruga-da-Flórida que são maiores e mais agressivas, competindo pelos mesmos recursos.

O Porto d’Abrigo do Zoomarine, fundado em novembro de 2002, foi o primeiro centro de reabilitação criado em Portugal para espécimes aquáticos – integra, desde sempre, a rede ABRIGOS, gerida pelo ICNF (e cofundada pelo Zoomarine, em 1999), com vista a dar apoio a espécimes arrojados na costa Portuguesa (golfinhos, focas, tartarugas marinhas, entre outros) ou confiscados pelas autoridades Portuguesas.

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