Saúde psicológica no trabalho

Cuidar da saúde psicológica dos trabalhadores torna-se cada vez mais uma prioridade, se as empresas querem ter pessoas produtivas e empenhadas e organizações de sucesso.

A Organização Mundial de Saúde define a Saúde Psicológica como ‘o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stresse normal da vida, pode trabalhar de forma produtiva e frutífera e pode contribuir para a comunidade em que se insere’ (OMS, 2022).

Um Local de Trabalho Saudável é assim, aquele em que todos os membros da organização (empregadores, gestores e trabalhadores) cooperam com vista ao melhoramento contínuo dos processos de proteção e promoção da saúde, da segurança e do bem-estar.

A falta de Saúde Psicológica no trabalho e os riscos psicossociais não têm apenas um custo humano, mas também um impacto imenso na sociedade e na economia. A perda de produtividade devida ao absentismo e ao presentismo causados por stresse e problemas de Saúde Psicológica pode custar às empresas portuguesas até €5,3 mil milhões por ano (o equivalente ao que o governo gastou em 2021 em medidas para mitigar os impactos da pandemia COVID-19), uma vez que se estima que, em Portugal, os/as trabalhadores/as faltem, devido ao stresse e a problemas de Saúde Psicológica até 8 dias por ano e o presentismo possa ir até 15,8 dias.

Segundo Relatório “Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações – Relatório do Custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho”, divulgado recentemente pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, estima-se que os trabalhadores faltem 7,4 dias por ano devido ao stresse e a problemas de saúde psicológica.

Em 2022, o absentismo custou 1,8 mil milhões de euros às empresas portuguesas. O presentismo (quando os trabalhadores estão no seu local de emprego, mas têm um desempenho abaixo das suas capacidades) teve um custo de 3,5 mil milhões de euros. No total,  os custos indiretos rondam os 5,3 mil milhões por ano.

A perda de produtividade pode custar às empresas portuguesas até 1,4% do seu volume de negócios. A prevenção e a promoção da Saúde Psicológica e do bem-estar nas empresas portuguesas podem reduzir as perdas de produtividade pelo menos em 30%, resultando numa poupança de cerca de 1,6 mil milhões de euros por ano.

Estes dados, mesmo que não abrangendo todos os setores de atividade, pois não estão incluídas as empresas financeiras e a administração pública, e referem-se apenas aos custos indiretos do stress e dos problemas de Saúde Psicológica (absentismo e presentismo), colocaram em evidência a relevância da Saúde Psicológica e do bem-estar dos/das trabalhadores/as e o seu impacto no sucesso e sustentabilidade das organizações. A construção de locais de trabalho promotores da saúde física e psicológica deve definitivamente ser considerado um investimento e não um custo para as organizações.

“ As medidas essenciais para a construção de Locais de Trabalhos Saudáveis implicam o envolvimento de psicólogos e psicólogas que, para além do seu papel na Saúde Ocupacional, desempenham um papel estrutural e estratégico nas organizações, através da consultoria e assessoria às lideranças no que diz respeito às estruturas e processos de trabalho, ao desenvolvimento organizacional, aos processos de mudança e comunicação, aos sistemas de organização do trabalho, às políticas sociais e de sustentabilidade, à cultura organizacional, bem como ao desenvolvimento das competências dos recursos humanos (incluindo as lideranças).”, conforme mencionado neste relatório.

A investigação científica demonstra amplamente os efeitos adversos dos Riscos Psicossociais e dos problemas de Saúde Psicológica para as organizações nomeadamente no que diz respeito: À diminuição da motivação, desempenho e produtividade; do compromisso dos trabalhadores/as  com a organização e o trabalho; da imagem e reputação positivas da organização; Ao aumento do absentismo, presentismo e dos custos de saúde; Ao aumento dos conflitos no trabalho (os/ as trabalhadores/as perdem, em média, um dia por mês a lidar com estes conflitos); dos acidentes por erro humano; da rotatividade das/os trabalhadoras/es e intenção de sair da organização.

Promover a Saúde Psicológica e o bem-estar é assegurar condições base para o trabalho, é garantir que as pessoas estão integradas nos seus locais de trabalhos e na sociedade, e se sentem cooperantes, produtivas e realizadas.

Organizações bem-sucedidas e sustentáveis têm de priorizar o pilar Social, assumindo responsabilidade pelo Bem-Estar dos/das seus/suas trabalhadores/ as, adaptando as suas políticas e práticas organizacionais para promover a Saúde Psicológica, os Direitos Humanos, a Ética Organizacional, a Diversidade, Inclusão e Equidade.

Na próxima edição continuaremos a abordar este tema, refletindo sobre estes dados e outros que os alertam para a importância de se promoverem mudanças urgentes, pelo bem de todos nós, das organizações e da sociedade em geral.

Fonte: Ordem dos Psicólogos Portugueses (2023). Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações – Relatório do Custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho, em Portugal. Lisboa.

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