Catarina Martins no Algarve: “o Algarve é um laboratório da privatização do SNS”

Elementos do secretariado do Bloco de Esquerda Algarve, acompanharam Catarina Martins e o Eurodeputado José Gusmão, numa reunião com a delegação do  Sindicato dos Médicos da Zona Sul – SMZS, e ouviram os profissionais de saúde sobre a realidade vivida no interior do Centro Hospitalar do Algarve – CHUA.

Esta crise vivida no SNS verifica-se em todo o país, sendo que, no Algarve a situação é particularmente difícil e assume contornos próprios de uma zona tipicamente turística, muito preocupantes. A falta de recursos no serviço público, obriga a que muitos recorram ao privado para obter cuidados de saúde ou para realizarem exames complementares de diagnóstico, que deveriam ser assegurados pelo hospital público. Dados recentes mostram que no norte do país 1% das pessoas não têm médico de família e no distrito de Faro o número chega a 1 milhão e quatrocentas mil.

O encerramento do bloco de partos e a falta de médicos pediatras, não resumem a problemática do Hospital de Portimão, pois na generalidade, faltam recursos humanos no CHUA em quase todas as especialidades. Acontece que há uma enorme dificuldade em fixar profissionais de saúde, tanto os internos como os médicos especialistas. Aqueles que residem no distrito, enfrentam obstáculos, como a falta de condições de trabalho, aliado à desmotivação pelo baixo salário. Aqueles que procuram o Algarve para trabalhar, enfrentam problemas desencorajadores, que todos conhecemos: a dificuldade em encontrar casa, os elevados preços praticados e a inexistência de vagas nas creches e escolas, são fatores que condicionam a fixação destes profissionais na região.

Mas não são só estes os fatores que afastam os profissionais de saúde do CHUA e do distrito. Equipamentos obsoletos, outros em fim de vida, instalações bastante envelhecidas,  aliados à falta de espaço e de condições para exercer a profissão, “os corredores servem de armazém”, “as copas estão entupidas com material diverso, nestas condições é muito difícil trabalhar e motivar alguém para permanecer” enunciam os médicos sindicalistas.

O facto de existir um centro hospitalar, tem se mostrado fundamental para “assegurar o atendimento aos utentes ,com o mínimo de qualidade no serviço prestado”. Já no serviço de urgência pediátrica “ainda não aconteceu uma desgraça por sorte”, pois são muitos os dias em que não há um único pediatra para assegurar uma urgência.  A falta de diálogo entre as diversas estruturas internas ao nível da gestão e do planeamento, também  foi apontado pelos médicos, como um dos problemas que este centro hospitalar vive.

A oferta privada neste setor tem vindo a aumentar exponencialmente, e a fuga de médicos do SNS tem se mostrado difícil de combater. Salários compensatórios e melhores condições de trabalho, estruturas e equipamentos atrativos. A Coordenadora do BE considera que “é importante perceber o que aconteceu no Algarve, o que correu mal e aprender com isso” e que “é urgente criar condições para fixar pessoas, esse problema não é só dos profissionais de saúde, é um problema dos professores, e de outros setores que necessitam de trabalhadores”.

João Vasconcelos, ex-deputado do BE expressou a sua preocupação e reafirmou que “é necessário mais investimento público, contratar os médicos pediatras e obstetras necessários, além de outros recursos humanos, criar incentivos e valorizar as suas carreiras”. Desta forma evita-se a sangria de médicos para o privado e a concorrência desleal com o SNS. Esta é uma responsabilidade que cabe ao poder central, no caso concreto ao governo de maioria absoluta do PS”.

José Gusmão deixou a mensagem que “o SNS precisa do empenho dos Algarvios neste momento difícil e que a luta será dura”. A Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda do Algarve, em comunicado, apresentou algumas das preocupações de quem vive no distrito, onde deu conta da situação do Bloco de Partos do Hospital de Portimão e a deslocação que muitos utentes fazem a Sevilha para realizarem uma Ressonância Magnética. Os bloquistas comprometeram-se em acompanhar a situação de perto e lutar pelo SNS do distrito.

Texto e fotos: Sandra Moutinho

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