Um Natal atípico outra vez!

E mal nos damos conta e já estamos novamente no Natal. O ano de 2021 voou e já nos preparamos para mais uma quadra natalícia, com tudo o que tal época reclama; mesas repletas de filhós, bolo-rei, bacalhau e outros ingredientes que polvilham o Natal com sabor que todos sabemos.

No entanto, este Natal ainda não será o “típico” Natal a que estávamos acostumados antes da pandemia de Covid-19. A nova vaga de Covid-19 descolou o número de casos no nosso país nos últimos dias e foi levantado novo estado de calamidade no país. No período em que escrevo estas linhas ainda é demasiado cedo para saber se haverá restrições especiais para o Natal dos portugueses, mas certo é a imposição de um período de “contenção” na semana a seguir à passagem de ano, com o encerramento das escolas e a imposição de teletrabalho obrigatório, quando possível. Trata-se, na minha perspetiva, de uma medida profilática inteligente, tendo em vista a identificação de casos de Covid-19 que possam surgir com a passagem de ano, e que, com este período de recato, possam ser identificados sem contaminar outros. Na mesma medida, repetem-se os anúncios de cancelamentos de festas de passagem de ano por parte de municípios um pouco por todo o país, tendo em consideração a recente escalada de casos. Estes cancelamentos terão efeitos gravosos na indústria do turismo, especialmente no Algarve, que embora tenham tido um verão que lhe permitiu sobreviver, as empresas turísticas contavam com uma passagem de ano razoável; ao invés disso, a passagem de ano será semelhante à de 2020.

Também o surgimento da nova estirpe de Covid-19, a Omicron, lança novos receios sobre a doença, nomeadamente sobre a eficácia das vacinas e dos efeitos preventivos que os diferentes países possam implementar para evitar a sua disseminação, nomeadamente ao nível do tráfego aéreo, com consequências nefastas para o turismo nacional e Algarvio.

Por outro lado, esta quadra também é atípica no sentido em que poderemos assistir a alguma dificuldade em obter determinadas prendas, nomeadamente equipamentos eletrónicos. A quebra das cadeias de fornecimento ainda não foi reposta na totalidade e ainda prevalece uma dificuldade em fazer chegar às empresas os componentes necessários para os seus produtos, especialmente no que toca a chips, cuja procura mundial excede a oferta atual. Alguns sapatinhos terão de ficar sem o que desejam.

Por fim, este é um Natal atípico porque o mesmo vai ser regado com uma boa dose de frenesim eleitoral; com a dissolução do parlamento e a marcação de novas eleições para o final do mês de Janeiro, é inevitável que a agenda noticiosa dê especial foco às eleições. Portanto, é possível que, para além de papel de embrulho, possamos também obter vislumbres de bandeirinhas tímidas aqui e acolá, antes, obviamente, da esperada enxurrada de cartazes e outdoors a que assistiremos em Janeiro.

A única forma deste Natal ser ainda mais atípico é se o próximo Campeonato do Mundo de Futebol, a decorrer no Quatar, tivesse lugar em 2021 ao invés de 2022; como este decorrerá durante o mês de Dezembro, haverá jogos durante a época natalícia, o que, para os aficionados do desporto habituados a que a competição decorra durante o verão, é manifestamente atípico. Não obstante, admito ansiar assistir ao Argentina-Inglaterra (ou lá o que o valha) enquanto degusto uma filhó e bebo eggnog.

Francamente, todo este período natalício é, infelizmente, atípico; ainda não é em 2021 que teremos o Natal com tudo o que merecemos. Até lá, agarremo-nos áquilo que ainda identificamos como Natal: as prendas, as filhós, a árvore de Natal, a música “All I want for Christmas is you” da Mariah Carey, e os filmes do “Sozinho em Casa”. Eu sei que o farei.

Bom Natal!

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