Fumos da Corticeira Amorim- Após reclamações vai haver uma reunião na Câmara de Silves

Está marcada para o dia 10 de novembro, às 15h30, na Câmara Municipal de Silves, uma reunião para esclarecer as razões da alegada poluição provocada pelos fumos da Unidade Fabril da Amorim, em Vale de Lama, Silves.

À porta da fábrica

Nos últimos tempos têm sido muitas as queixas dos moradores vizinhos e o assunto chegou até à Assembleia da República, por via do Bloco de Esquerda que, no ano passado, interpelou o Governo a esse respeito.

Com a situação a tornar-se mais gravosa, no entender dos moradores, estes têm vindo a tomar várias iniciativas, entre as quais a de denunciar a situação às entidades regionais. Os vizinhos queixam-se de muito ruído, mas, principalmente, de “fumos mal cheirosos e inconvenientes para a população”, como disse Nuno Neves, ao Terra Ruiva. Segundo este, as nuvens de fumo que saem das chaminés da corticeira Amorim, não contém apenas vapor de água, que forma nuvens brancas que se evaporam, ao contrário deste fumo espesso, escuro, com partículas que ficam suspensas. “Em resultado de pesquisa, foi possível identificar que as micropartículas, que vão junto ao vapor de água, trata-se de suberina” (um composto que está presente em todas as plantas, mas é na casca dos sobreiros que se encontra em maior quantidade e em estado mais puro).

Esta situação resultará da deterioração e /ou falta de limpeza dos filtros das chaminés, o que origina os fumos escuros que prejudicam não só os moradores locais, como as atividades no campo de golfe do Grupo Pestana, ali próximo, os condutores que por aqui circulam e inclusive moradores em determinadas zonas da cidade, quando o vento sopra nessa direção.

Visível a diferença de cor do fumo que sai das chaminés

O que os vizinhos da unidade fabril pretendem é que “as situações sejam esclarecidas e que sejam apresentadas medidas concretas para se resolver”, esclarece Nuno Neves, sublinhando que os queixosos nada têm contra a existência e laboração na fábrica, e que, forma alguma desejam colocar em risco os cerca de 50 postos de trabalho que ali existem.

Recorde-se que, na sequência da interpelação feita pelo Bloco de Esquerda, a corticeira Amorim explicou que em 2012/2013 fora instalada “na fábrica uma máquina filtrante, importada da Áustria, para melhorar a qualidade ambiental. Este equipamento, denominado “RTO” terá trabalhado em boas condições nos primeiros anos, mas devido a um grande desgaste terá avariado em 2019, sem que fosse possível obter ajuda junto da empresa austríaca por ter encerrado portas.” Seria essa avaria a responsável pela situação e o elevado custo da reparação, cerca de 250 mil euros, segundo a Corticeira, estaria a comprometer a sua resolução
“Devido à pandemia da Covid-19 – diz a Corticeira – a empresa encontra-se em sérias dificuldades devido à redução de vendas e que pretende garantir todos os postos de trabalho, não tendo assim condições para proceder à reparação do equipamento avariado no presente momento”.
A mesma explicação terá disso dada ao Ministério da Economia que diz: “O impacto visual e o decorrente alarme social, parecem estar temporalmente associados à reportada avaria do equipamento RTO, o qual ainda não foi substituído. No entanto, foi possível apurar que têm sido feitas diligências de articulação entre a CCDR Algarve e a empresa, no sentido de resolver a situação. No mesmo documento, afirma-se que “ainda durante o corrente mês de novembro” seria feita uma nova medição das emissões, de modo a comprovar a causa-efeito do referido “fumo branco”, bem como para determinar o curso de qualquer ação que deva ser tomada”.

Uma nuvem de fumo a envolver toda a zona

Um ano depois, a situação persiste. A reunião de dia 10 de novembro poderá ser decisiva para o esclarecimento do problema e para a sua resolução. “Só queremos que a fábrica crie as condições para funcionar e que se faça um cronograma com as ações que serão decididas, porque até agora não se passou de intenções”, acrescenta Nuno Neves.

Na referida reunião, promovida pela Câmara Municipal de Silves, na sequência das reclamações, foram convidados a estar presentes representantes dos vizinhos, um representante da CCDR Algarve, do Pestana Silves Golf e da Fábrica Amorim.

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