Câmara e Assembleia Municipal de Silves tomaram posse… com aliança polémica

A tomada de posse da Câmara e Assembleia Municipal de Silves decorreu no dia 18 de outubro, pelas 17h30, nos Paços do Concelho.
Uma cerimónia em que tomaram posse os eleitos para gerir o concelho de Silves nos próximos quatro anos e que terminou com alguma polémica, no que respeita à presidência da Assembleia Municipal. Nesse órgão, uma aliança entre o PS e o PSD, com o apoio do Chega, impediu que a presidência fosse ocupada pela cabeça de lista da CDU, a força política mais votada.

Paços do Concelho, início da cerimónia

Os Paços do Concelho foram o local escolhido para a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos autárquicos do Concelho de Silves. Num ambiente que se conjugava com a solenidade da ocasião, na presença de autarcas, muitos representantes do poder económico, político e social da região e algum público, a cerimónia iniciou-se com a intervenção do presidente da Assembleia Municipal cessante, Vítor Rodrigues. O mesmo congratulou-se com a forma como a Assembleia Municipal cessante desenvolveu a sua atividade, destacando alguns momentos especiais como a relação com a Assembleia Municipal Jovem e a iniciativa realizada em defesa da navegabilidade do Rio Arade.

Vítor Rodrigues, presidente da Assembleia Municipal cessante

A seguir, “dando cumprimento à vontade do povo de Silves”, empossou os 21 novos membros da Assembleia Municipal – 10 da CDU; 5 do PSD; 5 do PS; e 1 do Chega – e os presidentes de junta – 6- que, por inerência, fazem parte deste órgão. Todos eles, um a um, fizeram o seu juramento, em que se comprometeram a cumprir com lealdade as funções que lhes foram confiadas.
De seguida, tomaram posse os eleitos para a Câmara Municipal de Silves: a presidente Rosa Palma que será acompanhada no Executivo Permanente por Luísa Conduto Luís, Maxime Sousa Bispo e Tiago Raposo, todos da CDU; e ainda os vereadores do PSD João Garcia e Luís Guia e o vereador do PS, Luís Guerreiro.

Tomada de posse da presidente Rosa Palma

Após esse ato, seguiu-se a intervenção da presidente Rosa Palma que começou por saudar os novos eleitos, fazendo votos para que todos se empenhem em construir um município de progresso e desenvolvimento, aberto e participado. Lembrando que este será o seu último mandato à frente da autarquia de Silves, Rosa Palma sublinhou que está neste cargo “com alma e coração e ainda com mais empenho” para “servir a população mantendo elevados níveis de exigência”, cumprindo com a “missão de deixar raízes para o futuro”.
Na sua intervenção, a presidente da autarquia destacou alguns dos projetos e obras realizadas nos últimos anos pela sua equipa, caracterizada pela forte dinâmica na obra pública e pelas muitas candidaturas comunitárias e nacionais apresentadas e falou da responsabilidade que recai sobre o Executivo, no sentido de aproveitar as oportunidades que são oferecidas pelo atual quadro comunitário e pelo plano de recuperação e resiliência. Dentro desse contexto, lembrou os projetos intermunicipais que estão a decorrer, como a criação da Área Marinha Protegida Pedra do Valado, em Armação de Pêra e o Geoparque Algarvensis. Na lista de prioridades de projetos pelos quais a autarquia se irá bater, Rosa Palma enunciou o desassoreamento do Rio Arade, a construção do Estabelecimento Prisional em S. Bartolomeu de Messines e a reabilitação da EN 124, troço entre Silves e Porto de Lagos.
Fazer do concelho de Silves um “lugar melhor para viver e trabalhar”, sempre na perspetiva de desenvolvimento “da serra ao mar, que é uma forma de unir e não deixar ninguém para trás” foi a visão deixada por Rosa Palma.

Tiago Raposo, Luís Guia, Maxime Sousa Bispo, Luís Guerreiro, Luísa Luís, João Garcia e Rosa Palma (da direita para a esquerda)

 

 

Assembleia Municipal- PS fica com a presidência

Depois da tomada de posse dos novos membros da Assembleia Municipal de Silves, a mesma reuniu, no Auditório da Câmara Municipal, para a sua primeira sessão, na qual se procede à votação da Mesa da Assembleia, constituída por um presidente e dois secretários.

Débora Quaresma, da CDU, começou por dirigir a Assembleia

A reunião começou por ser dirigida por Débora Quaresma, a cabeça de lista da CDU, que foi o partido mais votado (37,5%). Da parte da CDU foi feito o convite ao PSD (21,86%) e PS (21,45%) para que integrassem a mesa da Assembleia, nomeando cada qual um secretário, ficando assim a presidência para a CDU.
Essa proposta foi recusada por ambos os partidos, PS e PSD, que preferiram apresentar uma lista conjunta, que contou também o voto favorável do membro do Chega. Feita a votação nominal, a lista A, apresentada pela CDU contou com 12 votos, e a lista B, apresentada pelo PSD e PS contou com 15 votos. Dessa forma a presidência foi atribuída à cabeça de lista do PS, Ana Sofia Belchior; para primeiro secretário foi nomeado Rui Paulino, do PSD, e para segundo secretário Fátima Matos, também do PS.
Feita a eleição, a reunião passou a ser dirigida pela Mesa eleita, tomando a palavra Ana Sofia Belchior.

A Mesa da Assembleia: Ana Sofia Belchior, Rui Paulino e Fátima Matos

No seu discurso, a nova presidente começou por se referir ao facto do PS não ter sido a lista mais votada, mas logo acrescentando que “em democracia as coisas podem ocorrer deste modo” e que “já ocorreram situações idênticas” e que esta não representava “nada de novo”. Pelo contrário, afirmou a sua convicção de que “esta solução é a melhor que serve os interesses da população” e aquela que é capaz de “construir espaços e laços entre todos” e que tem como “primeiro objetivo, o desenvolvimento de políticas conjuntas”. Ana Sofia Belchior fez votos para que desapareçam “ as politiquices” e afirmou que irá cumprir as suas funções de acordo com os princípios “de lealdade, rigor e respeito”.
Após esta intervenção, o membro Bruno Pereira, da CDU, apresentou uma Declaração de Voto, considerando que “a escolha e vontade do povo não foram respeitadas”. A CDU criticou o PS “que foi a terceira força mais votada” e que “preferiu aliar-se à direita”, com o PSD e o Chega. E também questionou os motivos que levaram o PSD “a abdicar da presidência da Mesa da Assembleia, mesmo sendo a segunda força mais votada”.
Uma estratégia que terá por base “ambições políticas”, questiona a CDU, ou que faz parte da aliança que o PS e PSD fizeram também na União de Freguesias de Alcantarilha e Pêra, com o objetivo de afastar a CDU (a segunda força mais votada, a escassas dezenas de votos do PS que venceu), de lugares no Executivo da Junta?
No Auditório da Câmara Municipal a CDU encerrou a sua declaração afirmando que “na política não pode valer tudo”, enquanto do lado contrário se defendia que esta solução será a melhor para o concelho.

A nova Assembleia Municipal de Silves

ELEITOS PARA A ASSEMBLEIA MUNICIPAL    

Presidente: Ana Sofia Belchior da Silva Ferreira » PS

1.ª Secretário: Rui Jorge Paulino » PSD

2.ª Secretário: Fátima Maria Semedo Ramos Matos » PS

 

CDU – COLIGAÇÃO DEMOCRÁTICA UNITÁRIA – PCP – PEV

Débora Andreia Moniz dos Santos Ferreira Quaresma

António Pedro Sequeira Cabrita Mealha

Bruno Chicharo Pereira

Gabriela da Silva Brígida

João Varela dos Santos

Pedro Nuno Teixeira Santos

Rosa Maria Coelho Guerreiro

João Filipe Melo dos Santos Brito

Pedro Alves Andrade

Olga Maria Correia de Almeida Fernandes

 

PPD/PSD – PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA

José Pedro da Silva Soares

Luis Filipe Agostinho Narciso Reis

Sara Filipa Cabrita Luz

Rui Jorge Paulino

Ana Isabel Cunha Costa da Martinha Tomás

 

PS – PARTIDO SOCIALISTA          

Ana Sofia Belchior da Silva Ferreira

João José Palma dos Santos

César Paulo Alves das Neves

Fátima Maria Semedo Ramos Matos

Mário Luis Martins Nobre de Oliveira

 

Partido CHEGA

Tieres Manuel das Neves

 

 

 

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Um Comentário

  1. Desde que a aliança nao salte para o nacional , o que aconteceu abre um precedente perigoso, que já assistimos nos Açores . Sérá que a diferença aí será todos contra o PS para o desalojar do Poder , e então começamos a pôr em risco a Democracia tal como a entendemos desde o post guerra , e põe em perigo a nossa presença na Comunidade Europeia e caímos no isolacionismo, que facilita o assalto anti democrático ao Poder

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