Efetivamente (Análise dos resultados eleitorais no concelho de Silves)

Efetivamente, o poder efetivo ficou exatamente na mesma no concelho de Silves, nos diferentes órgãos de gestão autárquica, Assembleia Municipal, Câmara Municipal e Assembleias de Freguesia.

 

Assembleia Municipal – A incógnita do(a) presidente

 

Vejamos o caso da Assembleia Municipal de Silves. Desta vez, a CDU (PCP-PEV) obteve maioria relativa, com a perda de um deputado municipal (a favor do PS).

Na conjugação dos eleitos com os presidentes de Juntas de Freguesia, a CDU (PCP-PEV) mantém a maioria relativa, como acontecia no mandato anterior. Contudo, desta vez, a conjugação dos membros da Assembleia Municipal do PPD/PSD com os do PS, fazem maioria absoluta (mesmo sem a contribuição do CHEGA).

Será que estes dois partidos (PPD/PSD e PS) vão juntar os seus eleitos para elegerem o (ou a) presidente da Assembleia Municipal?

A CDU (PCP-PEV) poderá, ao longo deste mandato, ter a permanente oposição da conjugação de forças do PPD/PSD e do PS (ou talvez não) com ou sem o CHEGA. O concelho de Silves vota, tradicionalmente, à esquerda (ver gráfico), por isso seria contranaturo um permanente apoio do PS, ao PPD/PSD e ao CHEGA, na oposição de direita. Esse eventual apoio colocaria o PS no espectro das políticas de direita no nosso concelho de Silves, o que seria pouco sensato, mas plausível atendendo aos discursos e tomadas de posição dos seus eleitos.

Como nota, o BE evaporou a sua representação na Assembleia Municipal.

Sobre o (a) presidente da Assembleia Municipal, temos três (ou quatro) cenários:

Cenário um – cada partido vota no seu candidato a presidente e será eleita, por maioria relativa, Débora Andreia Moniz dos Santos Ferreira Quaresma, cenário que imagino provável, sendo que não antevejo protagonismo especial (desde logo por ser da força política da Câmara Municipal) da possível presidente Débora Quaresma;

Cenário dois – o PS vota no candidato a presidente do PPD/PSD, José Pedro da Silva Soares, o que poderá acontecer, sendo o seu eventual protagonismo como presidente um regozijo para a sua família e uma dor de cabeça para as outras tendências sociais-democratas;

Cenário três – o PPD/PSD vota na candidata a presidente do PS, Ana Sofia Belchior da Silva Ferreira, o que poderá acontecer, sendo uma faca de dois gumes (pode correr bem ou pode correr mal) para a sua ambição a ser candidata pelo PS, em 2025, à Câmara Municipal;

Cenário quatro – a eleição de um outro membro, numa conjugação de votos, que não foi anunciado como candidato a presidente, sendo que acho pouco provável este cenário.

 

Câmara Municipal – Estabilidade do poder na CDU (PCP-PEV)

No caso da Câmara Municipal, em termos de eleitos, tudo ficou como no mandato anterior. A CDU (PCP-PEV) governa com maioria absoluta (quatro mandatos contra três mandatos das restantes forças).

A transferência de votos da esquerda para a direita e, dentro da esquerda, para o PS (a desfavor do BE e da CDU (PCP-PEV)) e, dentro da direita, para o PPD/PSD, o IL, e o CHEGA (a desfavor do CDS/PPM/A) (ver gráfico), não resultou numa alteração de mandatos.

Para quem gosta de cenários sobre os eleitos, a partir do método Hondt, não sendo expectável o crescimento ou a diminuição de votos de um partido sem resultar na alteração dos votos nos outros, poderei dizer que, mantendo os votos dos restantes partidos, a CDU (PCP-PEV) colocaria mais um vereador (a favor do PPD/PSD) com mais 2226 votos ou perderia um vereador (a favor do PS) com menos 776 votos.

O PPD/PSD colocaria mais um vereador (a favor da CDU (PCP-PEV)) com mais 1370 votos ou perderia um vereador (a favor da CDU) com menos 891 votos.

O PS colocaria mais um vereador (a favor da CDU (PCP-PEV)) com mais 388 votos ou perderia um vereador (a favor da CDU) com menos 1550 votos.

Estes cenários, apesar de não contar com a natureza de vasos comunicantes das eleições, só demonstram que os eleitos na Câmara Municipal estão bastantes sustentados e fixos e que, dificilmente, existiria uma transferência de vereadores entre os partidos com representação, nestas proporções de votantes.

 

Assembleias de Freguesia – Negociação em Alcantarilha/Pêra

Relativamente às Assembleias de Freguesia e, consequentemente, às Juntas de Freguesia, tudo ficou como anteriormente:

Em São Marcos da Serra, apesar da redução de eleitos de 9 para 7, o PPD/PSD manteve a maioria absoluta com 4 eleitos, com o mesmo presidente; em São Bartolomeu de Messines, a CDU (PCP-PEV) mantém a maioria absoluta com 10 eleitos (em 13), com a sua presidente (agora eleita); em Silves, a CDU (PCP-PEV) mantém a maioria absoluta com 9 eleitos (em 13), com o mesmo presidente; em Algoz/Tunes, que viu aumentado o número de eleitos para 13, o PPD/PSD manteve a maioria absoluta com 7 eleitos e o mesmo presidente; em Alcantarilha/Pêra, o PS, com um novo presidente, manteve a maioria relativa (com 4 eleitos); e em Armação de Pêra, o PPD/PSD manteve a maioria absoluta e o seu presidente.

Portanto, nas Assembleias de Freguesia, apenas existe uma situação de necessidade de diálogo para a concretização da gestão autárquica, o caso de Alcantarilha/Pêra. Irá o PS desenvolver acordos com a CDU (PCP-PEV) ou com o PPD/PSD para partilhar a gestão desta freguesia? Este eventual acordo tem como contrapartida a presidência da Assembleia Municipal de Silves? O PS ficará com a CDU (PCP-PEV) por ser poder municipal ou com o PPD/PSD por ser oposição e resultar de acordo na Assembleia Municipal? Para mim são interrogações, neste dia que escrevo esta análise. Talvez já sejam conhecidas as respostas a estas incertezas aquando da publicação no jornal.

 Autárquicas 2025

O grande desafio de 2025 chama-se limitação de mandatos. Salvo erro, temos uma substituição obrigatória das pessoas: da presidente de Câmara, dos presidentes das Juntas de Freguesia de São Marcos da Serra, Silves, Algoz/Tunes e Armação de Pêra. Fica o desafio aos partidos (aos vários partidos) e à comunidade silvense (partidos e independentes).

Silves, 3 de outubro de 2021

António Guerreiro

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