Aprendizes

A disputa das próximas eleições autárquicas agita-se, sobretudo nas redes sociais e nos bastidores das forças políticas intervenientes. É um tema incontornável da política local, que vai suscitando comportamentos useiros e vezeiros e também perplexidades, notadas pelo cidadão mais atento e informado.

Nas redes sociais, boa parte dos registos escritos não se afasta do trivial, ou seja, contêm boçalidades e inverdades, apimentadas de ignorância e descontextualização da matéria comentada, sendo igualmente percetível o cumprimento de uma agenda partidária, amesquinhando os adversários, que são visíveis nalgumas plataformas digitais em Silves, cujos escribas se revelam de uma notável mediocridade. São meras descargas de palavras, frases e críticas, invariavelmente, sem nexo e fundamento, violentando, inclusive, a língua portuguesa e a inteligência do cidadão medianamente esclarecido. Neste contexto reproduz-se o que de pior há na praxis política, com a publicação de denúncias anónimas, falsas e ignominiosas, questionando a honradez de gente séria, gerando desconfiança na opinião pública, na convicção do mau e tardio funcionamento da justiça, com o propósito temporário, de até lá, obter dividendos eleitorais.

Mais uma vez é esta postura na política que a desacredita perante a massa da população e fragiliza a Democracia, não obstante o passado recente ter castigado severamente nas urnas através do voto tais comportamentos.

É caso para dizer que os aprendizes não aprendem com os seus atos. Já aqui se tem abordado a questão da preparação dos candidatos para o exercício dos cargos autárquicos, e um dos seus “calcanhares de Aquiles” reside nas lacunas de conhecimento das competências próprias dos municípios e das juntas/uniões de freguesias ou das competências delegadas.

Ainda há dias vimos o candidato do partido do governo equivocar-se com o problema da limpeza urbana na Vila de Armação de Pêra, assacando com a maior ligeireza, responsabilidades à Edilidade Silvense, ignorando que a referida competência se encontra delegada na Junta de Freguesia local!

Porventura também ignorará que no início do mandato autárquico 2018-2021, o Município de Silves tomou a iniciativa, por negociação e estabelecimento de acordos bilaterais, o reforço substancial das transferências financeiras para as Juntas/Uniões de Freguesia, duplicando a verba, de cerca de meio milhão de euros para mais de um milhão de euros, anualmente.

Testemunhamos ainda outra “distração”. Há dias os representantes locais do partido do governo vieram ufanar-se com a decisão da Assembleia da República (aceite a contragosto pelo governo), que por maioria esmagadora, decidiu reduzir em 50% as portagens da Via do Infante (75% para as viaturas elétricas), a partir de 1 de julho do corrente. Porém, esqueceram-se de um pormaior. Os deputados do PS, inclusivamente os eleitos pelo Algarve, opuseram-se e votaram contra, ameaçando o governo com recurso para o Tribunal Constitucional!!!

Os tempos que aí vêm são complexos e desafiantes, a pandemia da Covid-19 causa estragos brutais na economia e nas condições de vida de trabalhadores, famílias e empresas. Portugal, suas instituições, Estado, municípios, empresas, setores público e privado, enfrentam um desafio monumental, que é o de reunir capacidade de organização, planeamento e eficiência redobrada no correto uso dos milhares de milhões de euros, colocados à sua disposição. Falamos do que resta do atual Portugal 2020 (2014-2020), com apenas 58% dos fundos utilizados, a que se junta o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e o próximo Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, no montante astronómico de cerca de 54 mil milhões de euros, nos próximos 10 anos.

À frente das instituições e particularmente das autarquias locais é indispensável garantir liderança e equipas capazes e competentes, sérias e dinâmicas, com provas dadas e sentido de orientação estratégica, que se foquem na resolução dos problemas das populações e no desenvolvimento sustentável dos territórios. Como se diz na gíria popular é preciso unhas para tocar viola!

Veja Também

Convocatória para uma Agenda Climática e Ambiental nas ARU de Silves

É urgente pensar no futuro do tecido edificado para além da dimensão turística e social …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *