Calor, neve e Lixo Zero

Hoje está um calor extremo no Canadá e neva no Brasil. A Europa, que já respirava algum alívio com o declínio dos números de infetados por Covid-19, recolhe-se e encolhe-se de novo com a quarta vaga. No concelho de Silves, onde os novos casos eram já residuais, a situação mudou drasticamente em poucos dias e ponho no título da notícia que acabo de publicar, “risco elevado”.

Infelizmente, nada do que antes refiro se trata de uma espécie de mentira de 1 de julho – dia em que enumero tão tristes factos. Factos que nos colocam em causa, enquanto indivíduos e enquanto sociedade. Decerto que em nenhum outro período da nossa vida seremos de novo tão cruelmente testados quanto à nossa resiliência enquanto pessoas e quanto à nossa capacidade de cumprir regras e expressar consciência social, enquanto cidadãos.

A Natureza, no caso do clima, e a natureza ou outro fenómeno ainda não esclarecido, no caso do vírus, faz com que tenhamos de experienciar simultaneamente a batalha do clima e o combate à doença. E, malgrado as baixas permanentes ou temporárias, não obstante os que não mais recuperarão, nós, enquanto sociedade, reagimos. Vamos à luta. E por isso nos vangloriamos.

E no entanto… e no entanto, o tal grilo falante que numa história infantil fazia as vezes da consciência, sussurra-nos, por cima do ombro… e quanto do que está a acontecer é culpa minha/tua/nossa?

Os muitos perigos enunciados em consequência das alterações climáticas incluem uma lista com doenças e organismos potencialmente perigosos para a existência humana, às quais não se tem dado a devida importância. Mas não é necessário estarem 47º graus no Canadá e a nevar no Brasil, para que tomemos consciência do que todos nos apercebemos: de que as estações do ano estão a mudar drasticamente, que cada vez sabemos menos o que vestir no início do dia, que culturas se perdem em todo o lado, por chover ou fazer sol na altura indevida, que humanos e animais veem fugir-lhes os habitats, os meios de sobrevivência.

No meio de toda a algazarra mediática e das justíssimas preocupações com as questões de saúde pública e a braços com uma tremenda crise económica e social cujos contornos e consequências ainda não conseguimos imaginar, não nos restará muita paciência para outra notícia do dia, da abolição dos plásticos…. Imaginem agora que vos falava também da Campanha Lixo Zero que a Câmara de Silves tem vindo a desenvolver, de uma forma muito discreta e que na minha opinião merece ser valorizada. E que vos falava da colocação de ilhas de recolha de lixo ou de oleões inteligentes, temas que são abordados nesta edição. A reação natural é a de pensarmos que são temas secundários, num dia em que as temperaturas batem recordes absolutos no Canadá e em que neva no Brasil. Mas é também necessário chamar a atenção para estes gestos/ atitudes/medidas que parecem tão simples e tão evidentemente necessários, urgentes e consensuais que nem damos por eles.

O combate ao plástico e às fugas de água, o incentivo à recolha e tratamento dos resíduos de forma apropriada, a luta contra o desperdício, a promoção dos tais valores da sustentabilidade de que tanto se fala hoje em dia, são caminhos que se tornaram fundamentais para a nossa qualidade de vida e quiçá sobrevivência. E, se tantas áreas da nossa vida se sucedem sem que tenhamos qualquer controle, façamos a diferença neste campo em que as pequenas ações individuais e coletivas são determinantes.

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