As visitas dos chefes de Estado a São Bartolomeu de Messines

São Bartolomeu de Messines recebeu ao início da noite do passado dia 14 de dezembro o chefe de Estado, o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, no encerramento do 190º aniversário do nascimento do poeta e pedagogo João de Deus. Um acontecimento raro na história da localidade, ao qual a pandemia retirou muito do «brilho» que merecia.

O presidente da República com a presidente da Câmara de Silves na homenagem a João de Deus

Note-se que as visitas régias ao Algarve foram esparsas e raras. Depois da chegada do comboio, em 1889, a região tornou-se mais acessível e dele tiraram partido, principalmente os presidentes da República, mas não só. Foi de comboio que a família real se deslocou ao Algarve, em 1897, pondo termo a um interregno de 324 anos, ou seja, desde a visita de D. Sebastião, em 1573.

O rei D. Carlos e a rainha D. Amélia percorreram o Algarve, cruzando S. B. de Messines, vindos de Silves, na noite de 14 de outubro, rumo à estação, onde tomaram o comboio real para Lisboa. Segundo «O Jornal do Commercio», a aldeia «estava vistosamente ornamentada, com arcos de triumpho, festões de verdura, bandeiras, tropheus, colchas, esmaltadas essas decorações com as legendas: Viva D. Carlos! Viva D. Amélia! As illuminações, realçadas pela escuridão da noite, produziam um belo effeito. […] A igreja de Messines também estava toda contornada com luminárias. Da escola de Messines até á estação, havia renques de fogueiras. Na estação, aguardavam a chegada de Suas Magestades muitas senhoras e cavalheiros de Faro que foram ali expressamente para se despedirem dos monarchas».

 

Duas décadas depois, a 16 de Fevereiro de 1918, era a vez de Professor Doutor Sidónio Pais. De acordo com o «Diário de Notícias», o presidente teve aqui uma grande receção, tendo atravessado as «ruas da vila a pé, soltando vivas» ao regimento de Infantaria 33, em homenagem aos soldados daquele regimento, maioritariamente messinenses. Refira-se que o contributo daqueles rapazes fora decisivo para o sucesso do golpe de Estado, protagonizado por Sidónio Pais, em Lisboa, em Dezembro de 1917.

Só 48 anos depois S. B. de Messines logrou receber novamente o mais alto magistrado da nação. Na manhã de 6 de Novembro de 1966, após a inauguração da estrada de São Marcos, cuja cerimónia decorreu na Aldeia Ruiva, junto àquela via, «perante densa multidão», segundo «O Século», o almirante Américo Tomás, em carro aberto, percorreu as ruas de São Bartolomeu de Messines, até à estátua de João de Deus, acompanhado pelos ministros das Obras Públicas, do Interior e secretário de Aeronáutica, entre outras entidades. Partiram de seguida para São Marcos da Serra, para presidir à inauguração do abastecimento de água àquela povoação.

Apesar de prevista a visita do general Ramalho Eanes, para a inauguração do quartel dos Bombeiros Voluntários em 1984, o presidente não compareceu à cerimónia, fazendo-se representar.

É certo que os messinenses não deixaram de saudar os chefes de Estado que se deslocaram ao Algarve de comboio, que por norma parava alguns instantes na estação (por exemplo o general Carmona, em 1934), ou e já depois do 25 de Abril, em campanhas eleitorais, como o general Eanes ou o Dr. Mário Soares.

Todavia, foram visitas de carácter não oficial, ao contrário do que aconteceu agora com o presidente Marcelo. Com a simplicidade e empatia que o caraterizam não se coibiu de tomar uma bebida no «Tropic Bar», por entre selfies com vários messinenses. Ao jantar, que decorreu no «Restaurante Caixeiro», acompanhado à mesa pelas presidentes da Câmara de Silves e da Junta de Freguesia, dirigente do Crédito Agrícola de Messines e Professora Doutora Maria João Duarte, evidenciou mais uma vez a sua simpatia, por entre as entradas de tomatada, xerém, os pratos de cabrito e cozido à portuguesa, coroados com os doces de figo, amêndoa e alfarroba, e o afamado medronho. Depois do repasto e após uma breve passagem por Silves, o presidente descansou em Armação de Pêra.

Marcelo Rebelo de Sousa no Tropic Bar

O Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa foi deste modo o 4º chefe de Estado a visitar São Bartolomeu de Messines, sendo o primeiro o rei D. Carlos, há mais de 123 anos.

 

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