Confinamento de 2021

A decisão de voltar a um confinamento semelhante ao vivido em Março e Abril de 2020 é alicerçada pela torrente de novos casos de Covid-19 detetados: um tsunami com ondas diárias de 10.000 casos. Com os hospitais a rebentarem pelas costuras, e com a exaustão do pessoal da saúde, é uma medida necessária para impedir mais danos. O início da vacinação elevou as esperanças dos portugueses para o regresso à normalidade, mas a escalada dos casos de infeção implode com essa esperança a curto prazo.

As consequências do novo confinamento para a economia nacional são principalmente devastadoras em virtude de não se ter ainda verificado uma recuperação económica que compensasse os resultados negativos do confinamento anterior. Há um efeito composto nestas “pausas” económicas, que fazem com que o PIB potencial a longo prazo seja menor; o confinamento retarda investimento, destrói emprego e reduz consumo, o que reduz a capacidade produtora da economia. É imperioso que o novo confinamento seja acompanhado por medidas de proteção de rendimentos e emprego, tal como no primeiro confinamento, pese embora tal terá efeitos nocivos no orçamento do Estado.

Para o Algarve, o efeito composto é especialmente grave. Depois de 2020 se ter apresentado como o pior ano de sempre para a hotelaria algarvia, com quedas globais de 75% na procura externa, o turismo em 2021 seria sempre titubeante.

O Banco Mundial vaticinou que as economias baseadas em turismo terão recuperações mais débeis do que as suas congéneres mais industrializadas, dado que, mesmo com a vacina, haverá menos turistas com vontade de rumarem a outras paragens. Estas economias serão também menos capazes de recuperar o emprego perdido; o Banco Central Europeu reportou que as maiores vítimas da pandemia são os mais jovens e os precários ou temporários. A maioria dos trabalhos executados na indústria do turismo são exatamente aqueles que não podem ser executados por teletrabalho. A elevada sazonalidade do Turismo do Algarve faz com que uma componente substancial do mercado de trabalho seja efetivamente composta por precários e temporários, que trabalham apenas alguns meses do ano. Para estes, o confinamento de Março e Abril foi particularmente complicado, dado que era o início da época de férias; o novo confinamento de Janeiro de 2021, por ser em plena época baixa, teria contornos menos dramáticos, caso 2020 não tivesse sido tão devastador e o Ano Novo não tivesse sido alvo de imolação por parte do Governo.

De facto, e embora não haja quaisquer estudos que o confirmem ainda, é bastante óbvio que a recente escalada de casos de Covid-19 derivaram das festas da época natalícia.

O que se assiste nesta altura é o que se verifica em todos os natais: o enfardamento no Natal dá sempre lugar a uma dieta forçada no início do ano.

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