Postal de Natal

Atualmente, para enviar um postal de Natal, posso utilizar vários meios de comunicação, desde logo através deste jornal, mas também por email, serviços de mensagens, pelo tradicional serviço de correio e, ainda, por interposta pessoa ou pessoalmente, com o cuidado de resguardar o referido postal num envelope, de preferência adequado à época natalícia. Os postais de Natal desejam boas festas e um ano novo cheio de felicidades. Atendendo à proximidade destas duas festividades, numa única mensagem envolvemos toda a quadra festiva. Particularmente, neste ano, bem precisamos de esperança e de um novo ano bem distinto, para melhor, do que agora finda. Feliz Natal e Bom Ano Novo.

Apesar da diversidade de meios de comunicação, do nosso tempo, tenho umas desconfianças de que para enviar uma carta ou um postal de correio ao Pai Natal terei de me recorrer dos CTT, Correios de Portugal, os Correios, como qualquer silvense os designará. Tendo os Correios uma identidade única, é absurdo, para a generalidade dos portugueses, especialmente os mais idosos, necessitarmos de identificar os mesmos, os Correios são naturalmente os Correios de Portugal, os quais deviam ser nacionais e nacionalizados. Será que os Correios de Portugal conhecem a verdadeira morada, o verdadeiro endereço, do Pai Natal?

Vou aos Correios desde miúdo, particularmente enviar cartas, receber encomendas e, já mais velhinho, telefonar, nas cabines do Correio, naquele tempo em que os telefones ainda eram uma raridade nas nossas casas e impossíveis nos nossos bolsos. Destas minhas idas ao Correio, recordo a minha aflição quando a funcionária (lembro-me de carteiros, homens, e associo as mulheres ao serviço de balcão) me pedia para escrever na carta: “carta registada”. A minha dislexia fonética, registada, uma palavra difícil para mim, um guê com som de /Ʒ/, semelhante ao jota, uma regra aparentemente incompreensível, o guê para valer de /g/ tem de levar um u antes do e e do i, senão tem som de /Ʒ/. E eu tremia a escrever “carta registada”, sempre a pensar que ia errar e baralhar o guê com o jota. Para ainda completar mais a tragédia (lá esta outra palavra foneticamente difícil), às vezes, garantindo o rigor da informação nos impressos, solicitavam-me que indicasse que rasurei dada palavra. Para mim, cujo som de dois érres não consigo emitir, qualquer palavra com um érre ou com dois érres no meio da mesma é foneticamente indiferente, no meu cérebro, o que me levava sempre à dúvida se tinha rasurado (já com um dificuldade de um ésse ler-se ) ou rasurrado (este erro é intencional).

Mas os Correios são muito mais que o preenchimento de impressos, rasurados ou não. São um dos locais multiculturais e multissociais da cidade, são uma porta do mundo e para o mundo.

Os Correios são, com o apoio dos respetivos funcionários, um parceiro para os idosos no recebimento das suas parcas reformas, para os emigrantes que remetem dinheiro para os seus pais, filhos e outros familiares em terras distantes, para os cidadãos que fazem compras online, nestes tempos de ficar em casa.

Os Correios são os amigos das crianças que ainda escrevem ao Pai Natal.

«Meu querido Pai Natal, este ano …»

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