Privações Natalícias

Como todo o ano de 2020, este Natal vai ser atípico. O crescente número de infeções verificado no nosso país devido à pandemia de Covid-19 assim o obriga.

Com a extensão do Estado de Emergência até ao dia 6 de janeiro de 2020, o governo espera reduzir a toada de infeções durante esta época festiva. As restrições com que temos vivido nos últimos meses assumem especial importância neste período; sendo o Natal uma festa de índole familiar e tendo os portugueses uma atitude muito gregária, é inevitável que haja sentimentos de alguma relutância. Este Natal vai ser diferente; ao invés de juntar os primos, tios, amigos e seja lá quem mais, numa casa com uma mesa recheada de filhós, bacalhau e doces natalícios, teremos uma mesa (esperançosamente) igualmente recheada, mas com menos familiares sentados.

Embora à altura em que escrevo estas linhas a decisão ainda não estivesse tomada, correm notícias nos media de que a mesa da ceia de Natal estará limitada a 6 pessoas. A confirmar-se, trata-se de um fortíssimo golpe na alegria do Natal de muitos portugueses, pese embora a ferocidade da pandemia que afeta Portugal e o mundo. Para muitos, este Natal vai ser uma sombra dos anteriores, sem muitos dos habituais convivas e familiares desta época festiva.
Se no que toca ao Natal, haverá esta “benesse” da permissão de algumas pessoas à mesa, o Primeiro-Ministro António Costa referiu numa entrevista recente, que haverá maiores restrições no que toca à passagem de ano. As habituais festas de fim de ano municipais e públicas serão de natureza reduzida, ou mesmo interditadas. As festas privadas irão obviamente ter restrições mais rigorosas em relação ao que estamos acostumados e serão implementados controlos de movimentações entre concelhos, à semelhança do que se tem passado nos fins-de-semana prolongados.

A implementação de acrescidas restrições nesta altura, depois do ano que tivemos, irá ter consequências pesadíssimas no Algarve e nos agentes económicos. Um Natal mais distante irá ter efeitos perniciosos no comércio, e se os comerciantes já estavam a recuperar algo do que perderam no segundo trimestre de 2020, suspeito que este Natal seja inferior aos anteriores.

Para o turismo, as novas e acrescidas restrições serão devastadoras. As empresas de organização de eventos deveriam estar à espera do final do ano para conseguir mitigar o pesado prejuízo do ano de 2020; com as expectativas goradas, não deverei estar a exagerar quando digo que a sobrevivência do sector deverá estar em risco. O sector hoteleiro, que em novembro exibia taxas de encerramento de 80% no Algarve, também perde a possibilidade de reduzir os prejuízos do ano, com todas estas restrições.

O Algarve, tendo o turismo como o seu ex-libris, sofre especialmente com estas limitações, com todos os efeitos nocivos que delas se extrai, em matéria de emprego e de valor acrescentado.

Estando 2020, para todos os efeitos, perdido, no que toca ao desempenho da economia, esperemos que 2021 nos traga algum género de exultação económica. A promessa de uma vacina para o mês de janeiro de 2021 apresenta-se como provável, depois da farmacêutica Pfizer anunciar a vacinação de 300 mil portugueses já no início do ano. Restam-me algumas dúvidas se a vacina terá efeitos práticos e imediatos na economia regional. Depois de um 2020 muito complicado, bem nos dava jeito um 2021 com alguma normalidade de 2019.

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