Presidente da República encerra comemorações dos 190 anos de João de Deus, em Messines

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve em São Bartolomeu de Messines, terra natal do poeta/pedagogo João de Deus, para presidir ao encerramento das comemorações do 190º aniversário do ilustre messinense. “Andei a vida inteira à espera deste momento”- disse.

Na cerimónia, que decorreu no dia 14 de dezembro, pelas 18h45, no Auditório Francisco Vargas Mogo, no Crédito Agrícola de Messines, o chefe de Estado foi recebido pela presidente da Câmara Municipal de Silves, Rosa Palma.A presidente da autarquia fez a primeira intervenção, no decorrer da qual falou destas comemorações que tiveram como objetivo “promover e manter viva a excecional personalidade que foi João de Deus”, um “homem sempre à frente do seu tempo”, a “maior referência da Educação no século XIX” e que se encontra sepultado no Panteão Nacional, ao lado dos maiores vultos da história do país.
A presidente Rosa Palma não deixou de lembrar a existência da Casa Museu João de Deus, equipamento municipal, concebido e inaugurado em 1996, pelo então presidente da Câmara de Silves, José Viola, autarca eleito pela CDU.
A presidente do Município de Silves afirmou também que as atividades que se encontravam previstas para este ano, e que tiveram de ser canceladas devido à pandemia, irão realizar-se no próximo ano e que a autarquia irá continuar não só a dar a conhecer e a projetar este ilustre filho do concelho, mas também a promover a investigação histórica acerca da figura de João de Deus. Rosa Palma destacou também a presença do presidente da República neste encerramento e afirmou estar com o “espírito de missão cumprida”.

O presidente da República agradeceu a João de Deus

Quanto a este, confessou-se um admirador de João de Deus, um “atento decifrador do seu tempo” e uma “personalidade multifacetada” que teve “uma vida acidentada que se projetou na vida de muitas gerações”. Falando das facetas de João de Deus, enquanto poeta e pedagogo, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que este foi um homem que viveu para o povo, e “deixou-nos um roteiro para aprender a chegar à língua portuguesa e para aprender a amar em português”. O presidente evocou também os milhões de crianças que, tal como o próprio, aprenderam a ler pela Cartilha Maternal e os milhares que ainda aprendem, nos Jardins-Escola João de Deus, espalhados pelo país.

Na mesa: Paulo Lourenço, Marcelo Rebelo de Sousa, Rosa Palma, Maria João Raminhos Duarte

“Andei uma vida inteira à espera deste momento para lhe agradecer”, disse o presidente da República, porque “transformou a minha vida e a de milhões de portugueses”.

Após as intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa e Rosa Palma, foi feita a apresentação do livro infantil “Fábulas de João de Deus”, ilustrado por Marta Jacinto, mais conhecida como “Martolita”. Na ausência da autora, o livro foi apresentado por Paulo Lourenço, chefe da Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Silves, que explicou que a obra reúne um conjunto de fábulas para crianças, as quais pretendem transmitir uma “aprendizagem de valores”. Um trabalho a que João de Deus, considerado um grande precursor da literatura infantil portuguesa, também se dedicou.

Seguiu-se a apresentação do livro “João de Deus Imortal e Intemporal”, da autoria da professora e historiadora, Maria João Raminhos Duarte, editado pela autarquia de Silves, em parceria com a editora Colibri e que foi prefaciado por Marcelo Rebelo de Sousa. A capa é do pintor silvense Mário Rita.
Nas palavras da autora, “este livro não é uma biografia”, mas antes “um estudo histórico e historiográfico sobre uma pessoa excecional, extraordinária e maravilhosa: João de Deus. Acrescento: única. Ele é Imortal, porque o seu legado, incontornável na cultura nacional e imprescindível no imaginário da região mais meridional portuguesa, perdura e perdurará na cultura portuguesa, apesar do esquecimento a que foi votado, sobretudo, na alma algarvia das últimas gerações. E Intemporal, porque, pelo seu exemplo de vida e pela sua expressão clara e inigualável das emoções humanas, João de Deus se tornou um “clássico”, um natural portador do pensamento dos filósofos da Antiguidade.” Um homem, disse Maria João Raminhos Duarte, para quem “o coração era a bússola para a felicidade”.Feitas as apresentações, a sessão terminou com apontamentos musicais pelo projeto Guitarras de Fado.

O programa comemorativo terminou mais tarde em Silves, com o concerto “Se eu fosse uma Nuvem João de Deus Revisitado”, pela Lisbon Poetry Orchestra. O espetáculo, produzido em exclusivo para estas comemorações, revisitou a obra do poeta, entrosando a sua lírica à do seu amigo íntimo Antero de Quental e trançando, simultaneamente, uma trajetória entre o passado, o presente e o futuro da poesia e o próprio percurso da Lisbon Poetry Orchestra, numa homenagem à palavra dos poetas Jorge de Sena, Sophia de Mello Breynner Andresen, ao surrealista António José Forte e à novíssima poesia de Cláudia R. Sampaio.

Recorde-se que as Comemorações do 190º Aniversário do Nascimento de João de Deus, que assim encerraram, tiveram início em janeiro, com o Alto Patrocínio do Presidente da República, com um ponto alto no dia 8 de março, dia em que nasceu o poeta messinense.

Por curiosidade, refira-se que há 54 anos que um presidente da República não se deslocava à Vila de São Bartolomeu de Messines. A última visita presidencial tinha acontecido a 6 de novembro de 1966, protagonizada pelo almirante Américo Tomás. O presidente percorreu algumas ruas, em carro aberto, tendo visitado a estátua de João de Deus. A sua vinda prendeu-se com a inauguração da estrada de São Marcos da Serra.

Veja Também

A toponímia na cidade de Silves – Após a Revolução de Abril

4. Toponímia criada após a Revolução de Abril O 25 de Abril, data marcante da …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *