Fumos da Corticeira Amorim “não são tóxicos”, diz o Ministério da Economia

Em resposta à questão levantada pelo Bloco de Esquerda relativamente às emissões de fumo da Unidade Fabril Corticeira Amorim, em Vale Lama, na freguesia de Silves, o Ministério da Economia, diz que os mesmos “não são tóxicos ou poluentes”.

“De acordo com o que foi possível apurar, nomeadamente junto do IAPMEI e por contacto desta Agência com as entidades públicas competentes em razão da matéria (Câmara Municipal de Silves e CCDR Algarve), corresponde à verdade a existência de emissão de fumos pela Unidade Fabril Corticeira Amorim, em Silves, porém estes fumos não são tóxicos ou poluentes”, afirma o referido Ministério.

E continua: “Com efeito, esta unidade fabril encontra-se no local há mais de 50 anos e em produção do mesmo produto, e mantém uma constante preocupação com o cumprimento da legislação ambiental, em particular quanto à monitorização de emissões e limiares legalmente previstos.
A unidade industrial em apreço emite dois tipos de fumos: um cuja fonte de emissão são os Autoclaves (“fumo visível branco”, resultado do vapor emitido no processo de aglomeração de cortiça em autoclave) e outro cuja fonte de emissão é uma Caldeira (“fumo invisível”), resultado da combustão de biomassa. Ambos são objeto de medições de monitorização sobre efluentes gasosos, são tratados e expelidos por chaminés distintas, com sistemas de filtragem diferentes, adequados ao tipo de fumo.”

Ainda segundo o Ministério da Economia, o fumo que tem provocado as queixas da população é o chamado “fumo visível branco”, resultante “de vapor de água que resulta do processo de aglomeração de cortiça (processo totalmente natural, ou seja, sem qualquer químico ou aditivo) e que resulta do aquecimento da cortiça com vapor de água.”

Emissão de fumos (Foto de Stella Bale)

No seu documento, a entidade governamental admite a existência de algum “alarme social” devido ao impacto visual do fumo “semelhante a nevoeiro” que ocorre em dias em que há mais condensação do vapor de água, agravado pela localização da fábrica num vale” mas salienta que o fumo “tanto quanto nos foi reportado, não representa um risco para a saúde pública”.

Recorde-se que esta resposta surgiu na sequência da interpelação do Bloco de Esquerda, há cerca de um mês, sobre esta emissão de fumos. Na altura, segundo o BE, a corticeira Amorim explicava que em 2012/2013 fora instalada “na fábrica uma máquina filtrante, importada da Áustria, para melhorar a qualidade ambiental. Este equipamento, denominado “RTO” terá trabalhado em boas condições nos primeiros anos, mas devido a um grande desgaste terá avariado em 2019, sem que fosse possível obter ajuda junto da empresa austríaca por ter encerrado portas.” Seria essa avaria a responsável pela situação e o elevado custo da reparação, cerca de 250 mil euros, segundo a Corticeira, estaria a comprometer a sua resolução
“Devido à pandemia da Covid-19 – diz a Corticeira – a empresa encontra-se em sérias dificuldades devido à redução de vendas e que pretende garantir todos os postos de trabalho, não tendo assim condições para proceder à reparação do equipamento avariado no presente momento”, esclarecia o BE.

A mesma explicação terá disso dada ao Ministério da Economia que diz na sua resposta: “O impacto visual e o decorrente alarme social, parecem estar temporalmente associados à reportada avaria do equipamento RTO, o qual ainda não foi substituído. No entanto, foi possível apurar que têm sido feitas diligências de articulação entre a CCDR Algarve e a empresa, no sentido de resolver a situação.

Apesar dos testes e medições efetuados, a empresa estima ter uma nova medição das emissões, ainda durante o corrente mês de novembro, de modo a comprovar a causa-efeito do referido “fumo branco” , bem como para determinar o curso de qualquer ação que deva ser tomada”.

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