INHUMAN – O regresso da mítica banda silvense e conversa com Pedro Garcia

Os Inhuman formaram-se em dezembro de 1992, em Silves. Quase a celebrarem 30 anos de carreira, esta banda lançou, no dia 6 de novembro, o seu “mais ambicioso trabalho”. O novo disco chama-se “Contra”: um título forte e sugestivo para um grupo que nunca deixou de acreditar e lutar pelo seu lugar na cena heavy metal.

O disco, que tem Daniel Cardoso como produtor, foi lançado pela editora Alma Mater Records (liderada por Fernando Ribeiro dos Moonspell, que se deixou enfeitiçar pela brilhante proposta da banda) nos formatos CD, LP, Cassete e Digital.
“Recebidos com entusiasmo pelos fãs e pela crítica desde “Strange Desire” (1996), ao qual se seguiu o seminal “Foreshadow” de 1998, os Inhuman sempre se destacaram da maioria pela capacidade de combinar as suas influências (Paradise Lost, Anathema) com as suas características musicais únicas, que os distinguem. CONTRA” será um dos melhores discos do ano do Metal Português e marca o regresso em força da banda aos trabalhos discográficos.”

“Contra” está agora disponível em todas as plataformas digitais. Para adquiri-lo em CD, LP ou Cassete pode fazê-lo através da editora Alma Mater Records.

Os Inhuman formaram-se em dezembro de 1992, em Silves. A banda era constituída por Pedro Garcia (voz), João Pedro Correia (guitarra), Diogo Simões (teclas) e José Vairinhos (bateria).
A primeira atuação em público foi em Silves, em outubro de 1993, e em 1995 gravaram a primeira demo-tape, num estúdio profissional, com o nome “Pure Redemption”.
As críticas a este primeiro trabalho são muito favoráveis e várias editoras, inclusive uma francesa, mostram interesse. Em 1995 surge o primeiro álbum, intitulado “Strange Desire”.

Em 1997, a banda assina um novo contrato discográfico, com a União Lisboa e edita o segundo álbum: “Foreshadow”, gravado nos Square Center Studios em Nottingham, com produção a cargo de Simon Efemey, conhecido por ter trabalhado com bandas como os Paradise Lost, Pantera, Therapy, Napalm Death ou Amorphis. No início da promoção do álbum dá-se a saída de Pedro Garcia, substituído por Hugo Lopes (ex-Bell Witch). Com este segundo álbum, a banda de Silves alcança a fama internacional, sendo conhecida e muito apreciada pelos fãs do género (death metal).
Mas o terceiro álbum, iniciado em 1999, confronta-se com uma série de problemas com a editora, depois com a saída do vocalista. São gravados alguns temas mas não foram editados. Em 2002 a banda anuncia o fim. Entre 2007 e 2010 foi feita uma tentativa de reunir de novo a banda mas não resultou.
Em 2020, está de volta a banda mais famosa de Silves, com Pedro Garcia, Rogério Sequeira, João Pedro Correia, José Vairinhos e Diogo Simões.

 

Este é um álbum para “mostrar a nós mesmos que ainda somos capazes”
Pedro Garcia, vocalista do Inhuman

 

Este é um álbum para “mostrar a nós mesmos que ainda somos capazes de fazer algo relevante”, disse ao Terra Ruiva o vocalista da banda, Pedro Garcia, numa breve conversa sobre este momento que os Inhuman vivem.

Como se formou a banda?
PG: A banda formou-se em Dezembro de 1992 com um grupo de amigos que me conheciam e acabaram por me convidar para vocalista. Na altura hesitei, porque o som que eles estavam ainda a tentar fazer era um pouco extremo e o que teria que fazer era ainda desconhecido para mim. Já tinha participado noutros projetos mas com um registo vocal mais tradicional ou como teclista. Ainda assim, fomos desenvolvendo as nossas capacidades juntos e as nossas primeira atuações acabaram por ter uma excelente aceitação por parte do público. A partir daí fomos traçando objetivos e as coisas acabaram por acontecer depressa. A nossa primeira demo tape foi considerada a melhor do ano em Portugal nesse ano, por vários órgãos de comunicação especializada e a partir daí começamos a tocar por todo o país. À medida que os nossos lançamentos se foram sucedendo a nossa notoriedade também e em poucos anos tocamos nas salas mais emblemáticas do país e tendo um reconhecimento cada vez maior. Infelizmente, houve alguma pressão das pessoas que nos rodeavam e a banda acabou por cessar atividades após algumas trocas de elementos.

Qual o momento que a nível pessoal mais o marcou?
Inequivocamente quando fomos gravar o nosso segundo álbum a Inglaterra. Tivemos a colaboração de um produtor bastante reconhecido a nível internacional, o que motivou até a deslocação de uma equipa da SIC à nossa sala de ensaios, na altura nos arredores de São Bartolomeu de Messines. Poucos dias depois quando nos preparávamos para voar para Inglaterra, a reportagem passou no telejornal da SIC e toda a gente passou a olhar para nós de outra forma. Todo esse processo que antecedeu a gravação do álbum e própria experiência em Inglaterra constituiu o momento mais marcante para a banda.

No lançamento deste novo álbum, quais as expetativas?
Neste altura da nossas vidas, e uma vez que ficámos com um pouco frustrados com o fim da banda, resolvemos cumprir o sonho de gravar um terceiro álbum e mostrar a nós mesmos que ainda somos capazes de fazer algo relevante. Basicamente, e acima de tudo, este álbum é uma recompensa para nós próprios. Decidimos que a fazer, faríamos algo com qualidade e trabalhámos com o que consideramos um dos melhores produtores portugueses, o Daniel Cardoso, um músico fantástico que até há pouco tempo foi baterista e teclista de uma banda bastante conceituada internacionalmente, os ingleses Anathema.
Gravado o álbum, o Fernando Ribeiro dos Moonspell, ficou bastante entusiasmado com o que ouviu e decidiu contratar-nos para a sua editora, a Alma Mater Records, o que para nós é um reconhecimento tremendo.
Ainda não sabemos como o disco irá ser acolhido por parte do público, mas estamos bastante orgulhosos do que fizemos. É um disco muito forte, tanto em termos sonoros, como líricos, uma vez que aborda temas complicados, como a religião, política e os problemas psicológicos que afetam cada vez mais a população.

Está prevista a realização de alguma apresentação/concerto em Silves?
Até à data não. Temos previstas apresentações/showcases em Lisboa e no Algarve, mas ainda nada confirmado por causa da pandemia que vivemos. Já há também convites para outras cidades do Algarve, vamos aguardar para ver como se desenvolvem as coisas.

E só por curiosidade, qual a naturalidade dos restantes elementos da banda?
Todos os elementos têm as suas raízes no concelho, alguns nasceram noutros pontos do país e até no estrangeiro, mas até esses vieram ainda em crianças para cá. Somos todos do concelho.

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