A toponímia na cidade de Silves – A republicanização da toponímia

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de outubro a Exposição do Arquivo Municipal com o tema «A toponímia na cidade de Silves – II- A republicanização da toponímia em Silves».
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando um resumo da exposição. A versão integral, com o texto e as imagens, está disponível aqui: Expo_DM_10_2020

A toponímia na cidade de Silves – De finais do século XIX à revolução de Abril

2. A republicanização da toponímia de Silves

Após a revolução de 5 de outubro, a 11 de janeiro de 1911, o novo executivo, sob a presidência do republicano António Vaz Mascarenhas, deliberou que “existindo n’esta cidade, differentes ruas cuja denominação não se justifica no actual regime e desejando a Comissão manifestar a sua admiração pelos homens que mais contribuiram, uns pelas suas ideias liberaes, outros pelos seus constantes esforços para a implantação da Republica Portuguesa e bem assim comemorar o acto glorioso da implantação da mesma Republica” propôs alterações toponímicas que afetaram uma dezena de artérias da cidade: os largos Serpa Pinto e Nossa Senhora dos Mártires ficaram denominados de Largo da República e Largo Mártires da Pátria, as ruas do Pelourinho, da Sé, Cruz de Portugal, Nossa Senhora dos Mártires, do Rio, das Pimenteiras, das Amoreiras e Coronel Galhardo denominaram-se respetivamente Rua 5 de Outubro, Joaquim António de Aguiar, Cândido dos Reis, Miguel Bombarda, José Estevão, Heliodoro Salgado, Elias Garcia e Marquês de Pombal. Esta última denominação acabou por ser revogada, devido aos relevantes serviços prestados à nação pelo brioso Coronel Galhardo.

Rua 5 de outubro e Rua Comendador Vilarinho

A 18 de julho de 1912 deliberou-se a alteração do Largo Magalhães de Barros para Largo Marquês de Pombal, no entanto esta mudança acabou também por ser revogada, retomando o anterior nome de Largo Conselheiro Magalhães de Barros. Por sua vez, “ao largo em frente da casa da residencia do cidadão Jaime Alvares Marques” , também conhecido como largo da Sé, foi dado o nome de Largo Marquês de Pombal.

Rua José Falcão, Largo Conselheiro M. Barros e Rua Cruz de Portugal

Em dezembro de 1918 quando o presidente da República Sidónio Pais é assassinado no Rossio, a Comissão Administrativa silvense decidiu prestar-lhe homenagem, atribuindo o seu nome à antiga Rua do Buraco. Recorde-se que Sidónio Pais havia visitado a cidade meses antes.
No ano seguinte foram aprovadas três novas alterações toponímicas: que as ruas vulgarmente conhecidas por Rua de Pão de Ló e Rua Augusto Monteiro passassem a denominar-se Rua Dr. Manuel de Arriaga e Rua Dr. João de Menezes e, ainda, que ao Largo do Município fosse dado o nome de Largo Dr. João de Deus .

Em 1921, sob a presidência de Henrique Martins, outras duas propostas toponímicas foram discutidas pelo executivo municipal. A primeira foi aprovada a 28 de março: “que à rua que vai da “Praça João de Deus” até à rua Miguel Bombarda, seja dado o nome de Rua dos Soldados Portugueses Desconhecidos”, homenageando os soldados silvenses que pereceram na I Guerra Mundial. A outra foi deliberada a 1 de agosto: “que o Largo que fica por detraz da Egreja Matriz d’esta cidade bem como à rua que passa por detraz da mesma, fosse desde já dado o nome do Largo e Rua da Sé” .

Travessa da Cató

Em outubro do ano seguinte, na continuação da numeração dos largos e ruas desta cidade e existindo algumas artérias sem denominação, foi deliberado “que se dessem a estas os nomes seguintes: à rua conhecida por “do Cano”, Rua Policarpo Dias; à estrada da circunvalação na parte que vai do Moinho da Porta à Cruz de Portugal, Rua Cruz de Portugal; à rua Fabrica Calhau, Rua dos Operários; à rua da fábrica Manoel Braz Machado & Filho, Rua da Cruz da Palmeira; à rua conhecida por “Augusta” que vai do Largo dos Mártires à rua Serpa Pinto, Rua Sacadura Cabral; à rua conhecida por “do Canelas”, e que vai da rua das Pimenteiras à rua Serpa Pinto, Rua Gago Coutinho; à travessa conhecida por “do Augusto Monteiro”, Travessa João de Deus; à rua do Cemitério Velho, Rua do Mirante; à rua do Prior, Rua da Porta do Sol; à travessa conhecida por “das Catós”, Travessa Joaquim António d’ Aguiar; à travessa onde habita Alfredo Negrão, Travessa Marquês do Pombal; à rua conhecida por “do Arreda Pau”, Rua Nova dos Carmos; ao Largo da Azóia, Largo do Hospital; à antiga rua do Buraco, Rua das Muralhas; à rua onde reside Doutor Cristina Monteiro, Rua Gregório Nunes Mascarenhas; à rua conhecida por “do Albergue”, Rua do Castelo; à conhecida por rua do Cemiterio, Rua do Mirante”. Entre 1922 e 1933 o largo do Hospital passou a denominar-se Largo José Correia Lobo, apesar de não ter sido encontrada nenhuma deliberação camarária nesse sentido, no entanto, em 1933 há referência ao falecimento de um cidadão residente no Largo José Correia Lobo.

Rua Cândido dos Reis e do Cemitério

Durante o período final da I República foi atribuída a denominação do distinto médico municipal, Dr. Francisco Vieira, a uma das artérias da cidade e a atribuição do nome Jardim João de Deus ao novo jardim, sito no largo da República, vulgarmente conhecido por jardim do matadouro.

Neste período assistiu-se essencialmente à republicanização da toponímia que passou pela consagração de personalidades locais e nacionais dos domínios político ou social, pela celebração de datas históricas e dos valores ideológicos do novo poder.

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