Oportunidades irrepetíveis

24 anos após o último Grande Prémio de Portugal foi oficialmente confirmado, no passado 24 de Julho, o regresso da Fórmula 1 (F1) ao nosso país de 23 a 25 de Outubro. O palco será o Autódromo Internacional do Algarve (AIA) em Portimão, sucedendo aos circuitos da Boavista, Monsanto e Estoril. Volvidas algumas semanas e eis que o Autódromo de Portimão receberá em Novembro a derradeira prova de MotoGP, competição na qual se salienta a presença do “nosso” Miguel Oliveira, o primeiro português a chegar ao patamar máximo da velocidade em duas rodas e a subir ao lugar mais alto do pódio, sagrando-se vencedor do GP da Estìria. Bravo!

De acordo com os números preliminares, relativos à F1, avançados pelo CEO do AIA, Paulo Pinheiro, o impacto directo na economia oscilará entre os 25 milhões de euros para uma prova sem público e a contar unicamente com as equipas e organização da prova (o pior cenário), e poderá ultrapassar os 100 milhões de euros caso o público que já adquiriu bilhetes possa estar presente na prova, isto é, se a crise sanitária evoluir de forma favorável. Como se percebe a vinda de uma competição de topo mundial como a Fórmula 1 e o MotoGP representa uma importante receita para os sectores da hotelaria e restauração mas também para áreas de actividade conexas como transportes, aluguer de veículos, serviços de táxi, entre outros.

Que o nosso país tenha conseguido colocar-se numa posição em que seja o anfitrião de duas competições motorizadas de topo mundial em plena pandemia, projectando assim o nome de Portugal, ou se preferirem as marcas Portugal e Algarve, para todo o Mundo perante milhões constitui um exercício notável de aproveitamento de oportunidades – sobretudo se tivermos em conta os custos insignificantes envolvidos, cerca de 1,5 milhões de euros para o novo asfalto do circuito – podendo ser determinante para transmitir a percepção de que Portugal continua a ser um país “Clean & Safe” (limpo e seguro), sendo o Algarve um dos seus ex-libris.

É este tipo de aproveitamento de oportunidades, inteligência e visão que se exige a quem comanda os destinos do país, especialmente num período tão crítico como o que atravessamos. Uma gestão eficiente dos recursos existentes, articulando com privados, procurando maximizar e potencializar as oportunidades em prol do bem comum.

Se enquanto apaixonado por desportos motorizados regozijo com a presença da F1 e MotoGP no Algarve, por outro, enquanto algarvio, questiono-me o que seria possível realizar caso a região mais a sul do país contasse com boa vontade política e não estivesse praticamente entregue à sua sorte? Uma região que apesar de contribuir «mais para Portugal do que, em muitos casos, Portugal tem contribuído para o Algarve» – palavras do Sr. Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa numa das suas visitas recentes ao sul do país – apresenta deficiências estruturais crónicas em termos de saúde, mobilidade e transportes, sendo sistematicamente ignorada e esquecida pelos sucessivos Governos, Orçamentos de Estado e até empresas onde o Estado detém participações – Senhores da TAP, já ouviram falar da maior região turística do país? O Algarve?

Numa tentativa de emendar a mão, a Assembleia da República aprovou um programa de medidas específico para o Algarve de forma a atenuar o impacto económico e social causado pela pandemia. Será este contributo suficiente para o que a região, as empresas, e as suas gentes precisam? Não responderá a todos os problemas mas poderá servir de incentivo para transmitir a importante mensagem de que o Algarve merece e exige muito mais a quem nos governa e representa. O tempo urge.

Texto: Fabrice Martins (Gestor)

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