Tempo de regressar

Ainda a viver sob o peso do impacto do Covid-19, vamos tentando organizar-nos de forma a viver com esta nova realidade. Com o ano letivo à porta, novos desafios se aproximam e alguns medos também. Como se vai organizar a escola? Que riscos vão correr alunos, professores e o pessoal não docente? Presencial ou de novo online? Entre o risco do contágio e a vontade de voltar a uma suposta “normalidade”, muitas questões, dúvidas e incertezas.

O medo e a desinformação, são inimigos de uma adaptação da vida ao contexto atual e podem ser geradores de problemas ao nível da saúde mental do individuo. Se por um lado o isolamento funcionou (e pode vir ainda a ser necessário em algumas situações) como factor protetor, também é verdade que trouxe ao de cima debilidades emocionais e dificuldades relacionais, na maioria, já pré-existentes. Assim, o regresso progressivo da vida familiar e social ajudará a prevenir ou minorar os efeitos desta situação. Durante a crise, é comum o foco dos profissionais de saúde, dos cientistas e dos responsáveis políticos ser na doença em si e no risco de contágio, procurando controlar as cadeias de transmissão e encontrar uma vacina que possa proteger. As implicações psicológicas e psiquiátricas, quer a nível individual, quer a nível coletivo, são comumente subestimadas e mesmo consideradas secundárias. Esta postura leva a graves lacunas nas estratégias definidas para enfrentar o problema. Assim, assistimos a um decréscimo nos cuidados de saúde geral, na atenção dada, quer pelos profissionais, quer pelas próprias pessoas, a todas as outras situações já preexistentes ou desenvolvidas entretanto.

Para entender as repercussões psicológicas e psiquiátricas de uma pandemia, as emoções envolvidas, como medo e raiva, devem ser consideradas e observadas. O medo é um mecanismo de defesa animal adaptável que é fundamental para a sobrevivência e envolve vários processos biológicos de preparação para uma resposta a eventos potencialmente ameaçadores.

No entanto, quando é crónico ou desproporcional, torna-se prejudicial e pode ser um componente essencial no desenvolvimento de vários transtornos psiquiátricos. Numa pandemia, o medo aumenta os níveis de ansiedade e estresse em indivíduos saudáveis e intensifica os sintomas daqueles com transtornos psiquiátricos pré-existentes.

É tempo de regressar, e neste regressar (como os cuidados necessários) é tempo de pensar sobre a forma como gerimos as nossas prioridades, como gerimos as nossas emoções, como estamos a dar atenção a quem nos rodeia, como estamos a cuidar de nós. Que efeitos sentimos, ou estamos a sentir na nossa vida, da nossa família e da nossa comunidade? Como podemos contribuir para uma melhor informação? Como podemos contribuir para o apoio aos nossos, mas também da comunidade?

Hoje sabemos mais do que sabíamos, amanhã saberemos mais e poderemos fazer mais. “Onde estava antes e onde estou agora? O que aprendi? O que experienciei? O que vivi? Como posso ajustar a minha vida para viver esta nova realidade sem deixar que o medo controle a minha vida? Como posso usar esta experiência para fazer diferente?”

A nossa saúde física não está separada da nossa saúde mental. Sem saúde mental, não cuidamos bem da nossa saúde física. As situações externas são experienciadas, normalmente, com sofrimento e dureza, mas, na verdade, são excelentes oportunidades para o autoconhecimento e crescimento pessoal. São a projeção dos nossos próprios assuntos por resolver, exteriorizados de forma a termos um olhar menos pessoal sobre eles e aprendermos com isso.

Vai correr sempre bem como diz a frase que se tornou famosa neste período? Não, claro que não! Mas o que se fizer só será um erro se não se aprender com ele.

Valorize a sua saúde mental!

 

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