Alerta vermelho nas barragens do Algarve

A falta de água é de novo uma realidade muito preocupante no Algarve. E o aviso já foi lançado para a praça pública: se não chover de forma significativa nos próximos meses a situação será complicada. Os recursos existentes no momento só garantem o abastecimento até ao final do ano.

O alerta para o agravamento da situação chega de forma categórica através do relatório da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca que descreve a situação da região do Algarve como “preocupante”, a mais grave da última década. Segundo o referido documento, vários factores têm contribuído para se chegar a este nível de gravidade, nomeadamente repetidos anos com precipitação muito abaixo da média, o que levou a que nos últimos oito anos nunca tenha sido atingida a capacidade máxima de armazenamento das principais reservas superficiais do Algarve: Bravura, Odelouca, Funcho, Arade, Beliche e Odeleite.

Por outro lado, tem-se agravado a tendência de descida do nível das águas subterrâneas, “com massas a registarem níveis inferiores a 20%”, incluindo-se neste grupo o aquífero Querença-Silves, um dos mais importantes da região. O qual, se encontra agora “em vigilância” pois “se observam descidas significativas do nível de água subterrâneo”.
A falta de água nas ribeiras de quase todo o Algarve e a seca que se estende em vastos territórios são demonstradas neste documento que aborda também as consequências económicas que a falta de água na região poderá causar a um dos sectores mais dinâmicos – os citrinos.

Barragem do Funcho, dia 2 de setembro 2020. Foto de Bruno Alves

Os dados do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH) mostram que a bacia Ribeiras do Barlavento era a que apresentava, no final do mês de agosto, a menor disponibilidade de água, com apenas 18,3%, quando a média se situa nos 62,5%.
Na região, quatro albufeiras encontravam-se com volumes inferiores a 40% da sua capacidade, nomeadamente a do Arade com 34%. Já a barragem de Odelouca estava com 53,2% e o Funcho com 55%.

No que se refere ao abastecimento de água às populações, a Comissão de Acompanhamento da Seca lembra que, “para fazer face à situação de seca do ano hidrológico de 2019-2020”, foi dada autorização à Águas do Algarve para que recorresse à barragem do Funcho, para garantir o abastecimento público, o que “permitiu uma alternativa à captação na albufeira de Odelouca”.
“Assim, entre 7 de janeiro e 30 de junho de 2020, foram captados 11, 75 hm3 de água na albufeira do Funcho, para o abastecimento público, estando previsto retomar a captação nesta albufeira em outubro de 2020, para captação do volume remanescente titulado para este ano, ou seja, de 3,25 hm”.
Mas – acrescenta o mesmo organismo – “pode afirmar-se que, no final de junho de 2020, a situação em termos de disponibilidades de água superficial nas origens de água do SMAASA, associadas às medidas e estratégias de gestão implementadas, permitem apenas assegurar os consumos estimados durante o ano civil de 2020, condicionando muito fortemente uma gestão plurianual, sobretudo nas albufeiras de Odeleite, Beliche e Bravura”.

Portanto, defende a Comissão. “há que definir as medidas e restrições à captação de água nas albufeiras do Algarve para o ano hidrológico de 2020-2021 e para todos usos que não tenham por finalidade o Abastecimento Público de Água, salvaguardando, de forma inequívoca, o princípio fundamental, consagrado pela legislação, da prioridade à captação de água para abastecimento público, face aos demais usos, em situações de escassez de água.”

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