Trabalhadores da hotelaria exigem melhores salários e condições de trabalho

Uma delegação de dirigentes, delegados e activistas sindicais da hotelaria, restaurantes, campos de golfe e similares do Algarve concentraram-se ontem, dia 19 de agosto, junto às associações patronais do sector, AHETA e AIHSA,  para “exigir a rápida negociação das tabelas salariais que se traduza num aumento real dos salários, a melhoria das condições de trabalho, o respeito dos direitos dos trabalhadores consagrados na contratação colectiva em vigor, a manutenção em funcionamento de todos os estabelecimentos de forma a garantir o emprego e o pagamento dos salários a 100% para que os trabalhadores consigam fazer face às actuais dificuldades acrescidas causadas pelos impactos da COVID-19.”

Segundo o Sindicato de Hotelaria do Algarve “não é aceitável nem compreensível que o patronato do sector, que acumulou milhões de euros de lucros nos últimos anos e não os repartiu com os trabalhadores, esteja nesta fase mais complicada da vida das famílias a lançar milhares de trabalhadores para o desemprego e a reduzir os salários, deixando milhares de famílias sem meios de subsistência, aumentando as desigualdades e a fome.”

No final da concentração foi aprovada a seguinte moção:

MOÇÃO

APROVADA  PELOS DIRIGENTES, DELEGADOS E ACTIVISTAS SINDICAIS FRENTE À AIHSA, NO DIA 19 DE AGOSTO DE 2020

Considerando que:

– Nos últimos anos, o sector do turismo tem vindo a atingir recordes históricos sucessivos e a acumular muitos milhões de euros de lucros, mas as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores têm vindo a degradar-se de forma muito acentuada, estando a empurrar milhares de trabalhadores e suas famílias para a pobreza.

– Entre 2011 e 2019 os proveitos na hotelaria registaram um aumento de 124%, enquanto que a remuneração base média dos trabalhadores teve um aumento de apenas 4%, ao mesmo tempo que a taxa de inflação se situou nos 10%.

– O número de trabalhadores no sector a receber o Salário Mínimo Nacional passou de 17% para 39%, ou seja, um aumento de 129% em 8 anos.

– É no sector do turismo onde o flagelo da precariedade laboral mais se faz sentir, onde cerca de 60% dos trabalhadores são contratados com contratos a termo ou através de empresas de trabalho temporário ou de prestação de serviços, sendo a precariedade dos vínculos laborais a principal de causa do desemprego.

– A contínua desregulação dos horários e o aumento da penosidade dos ritmos de trabalho está a dificultar a conciliação da actividade profissional com a vida pessoal e familiar e a causar cada vez mais situações de esgotamento físico e psicológico, com todas as consequências gravosas que essas situações acarretam para a vida dos trabalhadores e para a produtividade e a qualidade do serviço.

– Na maioria das empresas e locais de trabalho a contratação colectiva não está a ser respeitada por indicação da associação patronal, nomeadamente, no que diz respeito ao pagamento das folgas, feriados, horas extras, entre outros, prejudicando os trabalhadores com essas irregularidades.

Assim, os dirigentes, delegados e activistas sindicais concentrados em frente à AIHSA, no dia 19 de Agosto de 2020, decidem:

  1. Solicitar à AIHSA a marcação urgente de uma reunião de negociação do contrato colectivo de trabalho, com o objectivo de se alcançar rapidamente um acordo que traga melhorias reais para os trabalhadores.
  2. Exigir a manutenção do funcionamento de todos os estabelecimentos turísticos e similares e o pagamento dos salários a 100%.
  3. Reivindicar uma justa repartição da riqueza que é criada pelos trabalhadores, nomeadamente, através de um aumento geral dos salários que reponha o poder de compra perdido nos últimos.
  4. Continuar a esclarecer, organizar e mobilizar os trabalhadores para a luta reivindicativa, nas empresas e locais de trabalho, em defesa dos direitos e da melhoria das condições de trabalho e de vida.
  5. Dar conhecimento desta moção ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo, à Região de Turismo do Algarve e aos órgãos de comunicação social,

Faro, 19 de Agosto de 2020

Os trabalhadores

 

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