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Vovó, como você lida com a dor?

No início de um período de desconfinamento, a ansiada “liberdade” de sair de casa, estar com os amigos e familiares, traz uma lufada de ar fresco e um novo ânimo aos rostos das pessoas. A pandemia foi um imprevisto não controlável pelo próprio, o confinamento um desafio com o qual muitos tiveram dificuldade em lidar. Foi um tempo de paragem, bom para organizar e redefinir muita coisa, mas trouxe ao de cima muita dor adormecida ou já meio acordada e que ganhou uma nova dimensão.
Tomo a liberdade de “roubar” este pequeno texto de Elena Bernabe, que comigo partilharam, que reflete bem como os recursos internos, que já estão dentro de nós, podem ser preciosos ao lidar com as “dores”, que os caminhos que escolhemos na vida muitas vezes nos trazem.

“Vovó, como você lida com a dor?
– Com as mãos, querida.
– Com as mãos vovó?
– Sim. Nossas mãos são as antenas de nossa alma. Se você as move costurando, cozinhando, pintando, tocando ou afundando-as na terra, você envia sinais de cuidado para a parte mais profunda de você. E sua alma se ilumina porque você está prestando atenção nela. Então ela não precisa mais lhe enviar dor para ser notada.
– As mãos são realmente tão importantes?
– Sim, minha filha. Pense nos bebés: eles começam a conhecer o mundo graças ao toque de suas mãozinhas. Se você olhar para as mãos dos velhos, elas falam sobre sua vida mais do que qualquer outra parte do corpo. Tudo o que é feito à mão é dito ser feito com o coração. Porque mãos e coração estão conectados. Os massagistas sabem bem disso: quando tocam o corpo de outra pessoa com as mãos criam uma conexão profunda. É precisamente a partir dessa conexão que a cura vem. Pense nos amantes: quando suas mãos se tocam, elas fazem amor da maneira mais sublime.
– As minha mãos vovó… há quanto tempo não as uso assim!
– Mova-as, minha querida, comece a criar com elas e tudo dentro de você se moverá. A dor não passará, mas não vai doer mais, porque você poderá bordar sua essência.”

A dor, seja ela emocional ou física, é necessária para cicatrizar as feridas. O movimento faz a energia fluir e ajuda a libertar a dor presa.

Se queremos viver uma vida gratificante é preciso aprender a entender o nosso corpo e as nossas emoções. Ficar longe, tentar afastar ou adormecer a dor emocional, não é viável, pois mais tarde ou mais cedo ela volta e muitas vezes em forma de doença ou desequilíbrio físico, ansiedade, stresse. Quando movemos o nosso corpo e promovemos o autocuidado através das atividades que nos dão prazer e colocam o nosso cérebro focado nas mesmas, conectamo-nos com o nosso eu. Encontrar a alegria e a beleza da vida, passa por enfrentar a dor conectando-nos com os nossos recursos. No meio da dor é fundamental identificarmos o que somos capazes de fazer apesar do sofrimento que se pode estar a sentir. Desenvolver o sentimento de gratidão pelas conquistas dá-nos uma nova perceção do valor e capacidade pessoal de concretização. Somos responsáveis por aquilo que pensamos e podemos, apesar de não ser fácil e exigir resiliência, alterar e substituir esses pensamentos por outros de cariz mais positivo e redefinir o foco de atenção.

Conhecermo-nos a nós mesmos é a grande ciência. O caminho da cura emocional passa pelo desenvolvimento desse conhecimento.

Termino esta minha partilha com algumas questões para reflexão que pode colocar a si próprio(a) quando sentir algum tipo de dor emocional: O que é isto que estou a sentir? Que nome lhe posso dar? Que está por detrás deste sintoma? Que me quer dizer?

“…a dor é inevitável, o sofrimento é opcional.”
Carlos Drummond de Andrade

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