Sismo registado junto a Lagos

Um sismo de magnitude 2.9 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 45 km a Sul-Sudeste de Lagos foi registado hoje de manhã, pelas 10h35, segundo informa o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Não há conhecimento de que o sismo tenha sido sentido pelas populações.

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Um Comentário

  1. O “BANCO GORRINGE”, O SUSPEITO DO COSTUME

    A Natureza prendou-nos com a proximidade de um vizinho pouco desejável, que, de quando em quando, vem fazer prova de vida.

    Um vizinho, que os geólogos designam por “Falha Açores-Gibraltar”, com seus vários acidentes físicos, que mais não é do que a parte noroeste da extensa zona de contacto entre as Placas Africana e Euroasiática, linha que, partindo do centro do Atlântico, junto dos Açores, se prolonga até à Ásia Menor, atravessando todo o Mar Mediterrâneo e que explica a sismicidade e a orografia, ao longo de toda a Europa do Sul, assim como a existência de vulcões como o Etna (na Sicília) e o Stromboli (ao largo da costa Norte da mesma ilha).

    Como efeito do avanço para Norte da Placa Africana, à cadência de cerca de 2,15 cm por ano, foi igualmente gerado todo o relevo que caracteriza o Sul europeu, de que são exemplo, entre outros, os Alpes, os Apeninos, os Balcãs ou os Cárpatos, assim como o relevo da Península Ibérica.

    Refira-se, a propósito, que a microplaca da Península Ibérica faz actualmente parte do continente europeu, porque efectuou, há cerca de 30 milhões de anos, uma deriva, pela qual se foi ligar à Placa Euroasiática, após uma rotação sobre si mesma de 35 graus, indo, de seguida, por compressão contra a mesma Placa Euroasiática, dar origem à formação dos Pirinéus.

    Segundo os cientistas, com o avanço incessante, para o Norte, da Placa Africana, à cadência de deslocação acima referida, prevê-se que, dentro de cerca de 650 mil anos, o Mediterrâneo será separado do Atlântico, com o fechamento de Gibraltar, seguindo-se o que ocorreu já, por mais do que uma vez com o Mediterrâneo, ou seja, que toda a sua água se evapore e a sua bacia se transforme num deserto.
    Da memória dos eventos anteriores da sua perda total de água, restam a memória física das enormes minas de sal gema de Loulé, assim como noutros pontos do Mediterrâneo.

    Ainda como efeito da já citada “Falha Açores-Gibraltar”, existe, a sudoeste de Portugal, o chamado “Banco de Gorringe”, uma verdadeira montanha subaquática, constituída por dois picos submarinos, dos quais, o mais alto fica a 20 metros da superfície do mar e cuja altura, se fosse retirada a água do mar, ficaria a constituir a segunda montanha mais elevada da Europa, mais alta do que os próprios Alpes.

    Este “Banco de Gorringe” e toda a sua zona adjacente, não obstante ser um fantástico paraíso para a vida submarina, é, na qualidade de epicentro, um réu confesso de enormes dramas sísmicos que têm ocorrido em Portugal, de que o Terramoto de 1755 é um exemplo, composto pela “criminosa” tríade “terramoto, seguido de tsunami, seguido de incêndios”.

    A parte meridional do nosso país, designadamente o Algarve, tem sido, ao longo dos milénios, uma vítima apetecível dos humores geológicos da instabilidade do “Banco de Gorringe”.

    Não é referido na notícia do Terra Ruiva o ponto preciso do epicentro do abalo sentido em Lagos, porém, em princípio, deverá ter, por detrás, o mesmo “suspeito” do costume, ou seja, aquele “Banco” submarino e a sua zona envolvente.

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