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Caso Maddie: Ministério Público de Faro investiga processos de suspeito que viveu no concelho de Silves

A Procuradoria da República da Comarca de Faro está a proceder a um levantamento das informações e processos que relacionam o cidadão alemão suspeito no caso do desaparecimento de Madeleine McCann com outros casos na região do Algarve.
Entretanto, várias pistas que têm vindo a surgir ligam este suspeito ao concelho de Silves.

A primeira informação nesse sentido aconteceu no passado fim de semana quando a já famosa carrinha com uma risca amarela foi descoberta numa sucata ilegal, num sítio entre São Bartolomeu de Messines e Algoz. Dias depois foi conhecido que o suspeito, Christian Bruckner, esteve a viver no Foral, perto de Algoz. A proprietária da casa onde o homem esteve a viver em 2007, logo a seguir ao desaparecimento de Maddie, contactou as autoridades e mostrou disponibilidade para autorizar buscas no terreno da habitação, num local isolado.
Segundo o jornal Expresso, o suspeito esteve a viver numa casa onde morava um casal também alemão que recebia adolescentes problemáticos – ao abrigo de um programa do estado germânico, que colocava esses jovens com famílias de outros países. Para ganhar dinheiro, Christian começou a trabalhar como empregado de mesa no único restaurante do local, que na altura também era explorado por um alemão.
No sítio do Foral, “Brückner é recordado como uma figura que provocava receio e intimidava quem olhava para ele. Inclusivamente, andava sempre com uma pistola à cintura, revelou, à imprensa britânica, a proprietária da casa”, acrescenta o jornal.
Ao que se sabe agora, este alemão viveu em Portugal entre 1995 e 2007, mas foi presença frequente no Algarve até 2015.

Vários processos, diz o Ministério Público

No que se refere ao Ministério Público de Faro o mesmo explica que “nos últimos dias foram divulgadas várias notícias que relacionam o cidadão alemão suspeito de intervenção no desaparecimento de Madeleine McCann com outros processos que correram termos na comarca de Faro”, pelo que tem vindo a proceder a um levantamento dos mesmos.

Assim, tendo em conta os “elementos disponíveis até ao momento” foi reunida a seguinte informação:

«O agora suspeito foi condenado por desobediência no âmbito do processo com o NUIPC 2/04.8FALGS e por furto no âmbito do processo com o NUIPC 38/06.4PBPTM.

Foram, igualmente, localizados cinco pedidos de cooperação judiciária internacional em que o nome é mencionado. Um desses pedidos é relativo ao processo NUIPC 191/05.4PTM, o qual correu termos contra desconhecidos e foi arquivado em fevereiro de 2006, e quatro respeitam ao processo em que se investiga o desaparecimento de Madeleine McCann (NUIPC 201/07.0GALGS).

O designado processo Maddie foi inicialmente arquivado em 2008, tendo o Ministério Público determinando, em 2013, a reabertura do mesmo, por terem surgido novos elementos que justificavam o prosseguimento da investigação.

O inquérito é dirigido pelo Ministério Público da secção de Portimão do DIAP de Faro com a coadjuvação da Polícia Judiciária. A investigação tem sido desenvolvida em estreita cooperação com as autoridades judiciárias alemãs e inglesas, nos termos definidos na Convenção Europeia de Auxílio Judiciário Mútuo em Matéria Penal e na Diretiva 2014/41/UE do Parlamento Europeu e do Conselho.
Após a reabertura do processo não foram constituídos arguidos, prosseguindo as investigações com a realização de diligências que se revistam de utilidade ao apuramento dos factos e à identificação e responsabilização dos respetivos autores.»

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2 Comentários

  1. O que sucedeu a esta criança é, obviamente, lamentável e chocante, a todos os títulos.
    Porém, ocorre-me deixar três interrogações, que fiz a mim próprio :

    1 – Se o mesmo tivesse acontecido a uma criança portuguesa será que teria merecido toda esta projecção e cobertura mediática, seja espacial ou temporal ?
    2 – Será que alguns Ingleses, no seu chauvinismo quase doentio, supõem que as vidas valem, conforme as nacionalidades ?
    3 – Será que os pais desta pequenina conseguirão descansar, de bem com a sua consciência, quando foram eles próprios que estiveram na origem desta drama, ao abandonarem, irresponsavelmente, os filhos, sozinhos, no apartamento, indo para o restaurante sem, cautelarmente, os ter levado consigo ?

  2. Sr. José Domingos,

    A sua linha de argumentação só tem como propósito dividir e duvidar, desfocando do assunto fulcral – o desaparecimento de uma criança, independentemente da sua nacionalidade, do mediatismo em torno do caso e da negligência dos pais (ponto que não deve ser instrumentalizado como objecto de culpabilidade). Já não estamos em 2007, evolua. Amplie a questão para o que realmente importa: questione a acção da polícia portuguesa, as falhas do nosso sistema judiciário, a desconexão com as comunidades estrangeiras no Algarve, e o obscurismo das redes de tráfico de menores.

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