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COVID-19 – Presidente da Câmara de Silves faz o balanço: “A nossa preocupação foi a de antever os cenários e estarmos preparados”

A 27 de março a presidente da Câmara Municipal de Silves, Rosa Palma, anunciou as primeiras medidas de fundo no combate à COVID-19, a desenvolver pela autarquia e autoridades de saúde locais. “Antever os cenários e estarmos preparados” – foi a sua palavra de ordem por esses dias. E continua a ser assim.

Dias antes tinham sido tomadas as primeiras medidas preventivas: o encerramento dos serviços municipais, desportivos e culturais e a transição para o atendimento não presencial. Ao mesmo tempo também se encerrara praticamente toda a atividade social e económica do concelho, ficando a funcionar apenas os sectores básicos.“Nós tomamos medidas logo no início da pandemia, aprovando um plano de contingência, de acordo com as indicações das autoridades de saúde, e criando uma subcomissão de proteção civil, presidida pela delegada de Saúde de Silves, para agilizar os procedimentos e conseguirmos dar a resposta na hora”, conta Rosa Palma.
“Na Câmara Municipal foram definidos os serviços mínimos que tinham de ser garantidos à população e vendo que era necessário ir mais além nesse apoio foi montada uma linha de atendimento, SOS 19, para dar uma resposta a nível social e formou-se uma equipa de técnicos dedicados com o objetivo de dar uma resposta em menos de 24 horas a quem nos pedia auxílio”.

A prioridade da intervenção da autarquia centrou-se nas questões de saúde, como explica a presidente. Numa ação concertada com as restantes autarquias do Algarve, nomeadamente na aquisição de equipamento hospitalar, mas também numa ação local. Em poucos dias, os funcionários da Câmara Municipal executaram todos os trabalhos necessários à implementação de três Zonas de Apoio à População, em Silves, Armação de Pêra e Pêra, com a capacidade para 180 camas. A presidente destaca a total disponibilidade do Instituto Piaget de Silves que cedeu de imediato o espaço necessário para a ZAP de Silves, a única que chegou a ser utilizada para acolher um grupo de imigrantes, e a colaboração do Hotel Vila Galé Náutico, de Armação de Pêra, que cedeu “camas de qualidade, toalhas, mantas” e mobiliário.

“Uma das nossas preocupações foi a de antever os cenários e estarmos preparados”, sublinha Rosa Palma. Numa altura em que os números dos novos casos continuavam a subir e as imagens de um horror tremendo em Itália, França e Espanha inundavam as televisões, as autarquias não ficaram à espera do Poder Central. “Mais tarde se fará as contas. Agora foi necessário avançar e é isso que temos feito, ultrapassando em muito as nossas competências”.
Em colaboração com a Administração Regional de Saúde e o ACES/Barlavento foi montado na Fissul um centro de testes à COVID-19 para os habitantes dos concelhos de Silves e de Lagoa, e nas instalações do Centro de Saúde de Silves, na zona da antiga urgência, foi preparado um ADC-Comunidade, um local próprio para a receção de doentes com COVID-19, encaminhados pelo Centro de Pré-Triagem também montado pela autarquia. Este último não foi ainda usado, felizmente por falta de doentes, mas todas estas estruturas continuam montadas e prontas a serem usadas se necessário. Até porque, como realça a presidente Rosa Palma, “o problema não está ultrapassado”.

Uma das preocupações da autarca silvense, comum aos autarcas da região, é a questão do verão e do esperado aumento de turistas. “O Algarve vive do turismo, nós não podemos ignorar isto, e queremos contribuir para a recuperação da economia, por isso temos que dar a ideia de que o Algarve é seguro, e tem de ser mesmo seguro. E isso depende da responsabilidade dos que cá vivem mas também da responsabilidade dos que nos visitam”, acrescenta.

Números bons na reabertura
No momento destas declarações (dia 8 de maio), o Algarve tinha um total de 345 casos de infetados pelo novo coronavírus e mais de uma centena de recuperados. O concelho de Silves tinha um total de 17 casos, com 9 pessoas já recuperadas e nenhum dos 13 óbitos da região se registou no nosso concelho. São números que transmitem alguma tranquilidade, nestes que são os primeiros dias de desconfinamento.

“Os números do concelho são bons, houve alguns casos na fase inicial, agora há vários dias que não aumenta e o maior receio que tenho é que as pessoas descurem a sua segurança e a dos outros. Começa a reabrir o comércio local e esta semana abrimos os mercados municipais mas tudo tem de ser feito com todo o cuidado e cumprindo as normas da Direção-Geral de Saúde. Antes dos mercados abrirem, eu fui a todos eles, com a delegada de Saúde e os presidentes das juntas, para analisar a melhor forma de procederemos e falamos e demos formação a todos os comerciantes. E o mesmo se passou com a reabertura dos nossos serviços, houve reuniões com todos os chefes de divisão para decidirmos qual a melhor forma de lidarmos com esta nova situação, temos que garantir não só a segurança das pessoas mas também dos nossos trabalhadores”, diz Rosa Palma.
Uma das medidas implementadas nos serviços de atendimento da autarquia, que são presenciais apenas para assuntos que assim o exijam e que sejam urgentes, foi a colocação de acrílicos. Iguais aos que estão a ser disponibilizados aos postos da GNR e às extensões do Centro de Saúde de Silves. Estes casos, explica a presidente, são mais um exemplo em que as autarquias têm que avançar com medidas para responder aos pedidos que lhe são feitos, face aos atrasos ou incapacidade de resposta do Poder Central.

A aquisição de equipamento informático com ligação à Internet, para 420 alunos das escolas de Silves, é outro exemplo. “Já está encomendado e vai ser entregue às escolas, não podíamos fazer de outra maneira quando vimos que havia um tratamento desigual entre alunos que tinham esse equipamento e os que não tinham ou que não podiam usar porque os pais estão em teletrabalho”.

Verbas significativas têm sido igualmente gastas na aquisição de equipamento de proteção individual, viseiras, máscaras, luvas, fatos, não só para os funcionários da autarquia, mas também para fornecer a todas as instituições de solidariedade social do concelho e a “todos os que dão resposta pública”. Um esforço que está longe de estar esgotado, pois tem de continuar, a par de outras ações desenvolvidas pela Câmara Municipal como a desinfeção das ruas e lugares públicos.
A autarquia está ainda a estudar a possibilidade, num futuro próximo, de efetuar um estudo com testes serológicos, através de uma amostragem de cidadãos, à semelhança do que foi feito há poucos dias no concelho de Loulé pelo ABC- Algarve Biomedical Center e a Fundação Champalimaud. O que poderia dar uma imagem mais concreta da situação da COVID-19 no concelho, defende Rosa Palma, uma vez que os testes à doença apenas atestam ou não a positividade naquele período de tempo.

Alavancar a economia
Noutro sector, o económico, a Câmara de Silves decidiu logo tomar medidas “fomos o primeiro município do Algarve a isentar as taxas das esplanadas até ao final do ano, e não só por alguns meses, como fizeram outros municípios. E deferimos o pagamento da água e isentamos as concessões… isto foi feito logo no início da pandemia… atendendo à realidade dos outros países, vimos que seria necessário algo para alavancar a economia, e estamos a acompanhar a situação, para ver o que será possível fazer ainda”.
São tempos difíceis para todos, realça Rosa Palma, que cita, em particular, as dificuldades dos profissionais do sector artístico. O cancelamento dos espetáculos e eventos culturais e recreativos por tempo indeterminado está a causar problemas de sobrevivência a muitos profissionais. Uma situação a que a Câmara de Silves diz estar atenta e por isso tem contratado algumas pessoas para participação no programa “Silves Entre 4 Paredes” criado com o objetivo de “entreter” e apresentar sugestões de atividades diversificadas a quem está em casa. E “estamos a reagendar com todos os que tínhamos contratado”, acrescenta Rosa Palma.

No final desta pequena conversa, em jeito de balanço do que foi a vivência dos períodos do estado de emergência no concelho de Silves, a presidente Rosa Palma faz questão de lembrar que é importante “que as pessoas não descurem a situação. Estamos a viver num período de calamidade pública, é grave. Temos que continuar a promover a saúde seguindo as normas das autoridades. Nós temos tentado fazer a nossa parte, temos contribuído com tudo o que nos tem sido pedido. Agora nesta fase estamos a fazer com que as máscaras cheguem a todas as entidades e temos disponíveis nos serviços da Câmara, mesmo isto sendo um assunto à volta do qual há muito populismo. Há autarquias a fazer um grande alarido porque oferecem um conjunto de seis máscaras a uma família, máscaras que dão para usar um dia, o que é isso? A nossa prioridade tem sido as entidades que nos pedem, e sabemos que vamos ter um rombo nas finanças da autarquia mas aqueles que se encontram na linha da frente podem sempre contar connosco. E toda a população. Estamos efetivamente a dar resposta aos problemas que têm surgido e temos andado todo o tempo no terreno, eu tenho ido a todo o lado, a avaliar as situações pessoalmente… Até agora temos tido bons resultados, mas o que eu quero dizer é que é preciso muita cautela, não pode haver excesso de otimismo. Esta é uma responsabilidade partilhada e o que vai acontecer nos próximos meses depende de todos.”

Cancelada a Feira Medieval de Silves
A Feira Medieval de Silves será cancelada este ano disse ao Terra Ruiva a presidente Rosa Palma. A decisão oficial ainda não foi formalizada, porque a autarquia aguardava a comunicação do Governo sobre a interdição dos festivais e eventos que reúnem milhares de pessoas (e que saiu no dia 7 de maio).

A decisão do Governo já era esperada e a Câmara de Silves já tinha avaliado que muito dificilmente haveria condições para a realização da Feira Medieval mas decidimos aguardar para tomar a decisão formal, explicou Rosa Palma.

Decorrente da deliberação governamental, como é do conhecimento público, estão proibidos, até 30 de setembro, os eventos musicais e recreativos característicos do verão, para evitar a concentração de pessoas.

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Um Comentário

  1. Suponho que já vai longe o tempo, em que enaltecer as qualidades de uma senhora implicava, quase sempre, segundas interpretações que, as mais das vezes, não estavam, de todo, na intenção de quem as fazia.

    É o caso presente.

    Perdoe-se-me esta minha apreciação sobre a Presidente Rosa Palma, com que pretendo sublinhar e colocar em evidência, não só a sua empatia, como pessoa, como igualmente o seu manifesto charme e encanto, como mulher.

    Estas palavras valem, obviamente, o que valem, ou seja, nada, pretendendo apenas aqui deixar a minha admiração por uma pessoa, que é mais uma a quebrar a lógica antiga de que lugares, como o que desempenha, eram apenas atributos dos homens.

    Os meus parabéns e os meus respeitos.

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