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MEMÓRIAS: Recordar o poeta armacenense António Pereira

MEMÓRIAS: Na secção Memórias recuperamos o texto publicado na edição nº 85, de dezembro de 2007, da autoria de Aurélio Nuno Cabrita, sobre o poeta armacenense António Pereira. 

 

Recordar o Poeta armacenense
António Pereira

Eu sou de Armação de Pêra,
Essa das ruas para o mar
Como quem vai embarcar…
Das ruas que vem da praia
Como quem volta do mar..

Senhor de um lirismo impressionante e profundo, um misto de António Nobre e de Cesário Verde, António Pereira era considerado como o poeta de uma das mais perfeitas compleições poéticas que terão surgido no Algarve.

Sou algarvio
E a minha rua tem o mar ao fundo
Sempre que passa aqui algum navio
(Passam aqui navios de todo o mundo)
Oiço a voz que me namora
Da outra banda do mar…
Que me namora e me chama
Da outra banda do mundo.

António da Encarnação Pereira nasceu em Armação de Pêra a 24 de Novembro de 1914 e faleceu em Lisboa a 27 de Março de 1978. Filho de pescadores, facto de que muito se orgulhava, fez na aldeia natal o ensino básico, frequentou o Liceu de Faro e licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa, mas a sua paixão era o mar,

Queria ser pescador,
Queria viver o que sou,
Eu nasci lobo do mar,
Eu não queria ser doutor.

Seguiu inicialmente a carreira da magistratura, chegando a juiz, porém, não realizado pessoalmente, optou pelo lugar de Conservador do Registo Civil em Silves, facto que lhe permitia viver em Armação de Pêra, em excelente moradia que fizera construir frente ao casino e ao mar.
O seu primeiro livro de versos, o “Poeta e a Morte”, publicou-o em 1936, ainda estudante liceal, pela morte trágica de um colega. Já então tinha colaboração em várias publicações, o “Jardim de Akadémus”, por exemplo, seguindo-se “Lápis de Cor” aparecido no ano seguinte, e a presença sempre destacada em numerosos Jogos Florais, com os 1ºs prémios nos da Emissora Nacional em 1943 e 1945.

Contudo o seu livro mais representativo, em que o poeta se apresenta na plena posse das suas lídimas qualidades, intitula-se “Notícias do Mar” dado à estampa em 1963.
A 27 de Março de 1978 desaparecia em Lisboa um dos mais ilustres filhos de Armação de Pêra, após longa e penosa doença, tendo o funeral sido realizado daquela cidade para o cemitério da sua terra natal.

No próximo ano completam-se 30 anos do desaparecimento deste grande poeta das letras algarvias, uma óptima oportunidade para a Junta de Freguesia de Armação de Pêra e Câmara Municipal de Silves evocar tão nobre vulto daquela freguesia, do concelho e do Algarve.

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