MEMÓRIAS: Grupo de Teatro Amador da ASSABA apresentou o seu primeiro espetáculo

MEMÓRIAS. Na secção Memórias lembramos hoje a estreia do Grupo de Teatro Amador da ASSABA (Associação dos Amigos da Barragem), a que o Terra Ruiva assistiu. A reportagem foi publicada na edição nº 29, de novembro de 2002.

“Almansor e Branca de Portugal” foi o espectáculo que o “Pássaro de Fogo – Grupo de Teatro Amador da ASSABA (Associação dos Amigos da Barragem) deu a conhecer ao público, em dois espectáculos realizados em Outubro, na sede desta associação.

Com um belíssimo texto da autoria de Maria Luísa Anselmo, que também encenou e dirigiu, este espectáculo relata-nos uma história de amor. A acção decorre em pleno “século XIII, no reinado de D. Afonso III que (dizem) « foi muy boom Rei e justicioso. E lançou fora da terra, muytos malfeitores ricos e pobres, e foy de muito bom regulamento, na sua casa e Reino».
Rei guerreiro, a quem coube, delimitar Portugal de uma forma definitiva, ficou também conhecido pela sua ideia de “admitir, pela primeira vez, nas Cortes, representantes do povo, os chamados procuradores do concelho”.

Mas os protagonistas desta história são o rei Almansor, último rei mouro nestas terras que se terá perdido de paixão por Branca de Portugal, filha do rei português, o seu pior inimigo. A paixão correspondida atiça a ira de D. Afonso III e Almansor acaba perseguido pelos portugueses. Dizem uns “que foi morto por Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago da Espada”, dizem outros “que fugiu para o Norte de África”.
Fosse como fosse, voltava a princesa a casa de seu pai… e ao destino normalmente reservado às princesas daquela época…

E ficava ( como ficou) o público com uma enorme e verdadeira sensação de dar por bem empregue a viagem até à sede da ASSABA, junto à Barragem do Arade, (Silves), num local aparentemente tão pouco apropriado para o teatro mas onde se provou, mais uma vez, que ao contrário do que tanto se apregoa, não são necessários grandes meios nem imensos subsídios para se fazer teatro de qualidade e ter casa cheia. E se as ajudas são bem vindas, e por isso à porta o grupo da ASSABA colocou um recipiente para receber as contribuições financeiras que cada um depositava voluntariamente segundo a sua vontade e disponibilidade, não é demais sublinhar a generosidade dos jovens e menos jovens actores que em poucos meses de trabalho (intenso, segundo disseram) puseram de pé este espectáculo. Animado pelo fogo de uma mulher há muitos anos ligada ao teatro, nomeadamente ao GRUTA, de Silves, a Maria Luísa Anselmo, e pela entrega destes actores.Projectos para o futuro não faltam a este jovem grupo. Composto por nomes que entendo destacar: João Guia, Eliana Brás, Mário Jorge Santos, Cláudio Sousa, Inês Alves, Esmeralda Alves, Paula Cabrita, Hernâni Gordinho, José Caetano, Manuel Alves, Hélder Brás.
Os cenógrafos foram: Margarida Rosa Simões e José António Simões; a sonoplastia esteve a cargo de Isabel Sequeira; a música foi da responsabilidade de Cláudio Sousa.

E se algumas pequenas fragilidades vieram à cena, normais num grupo de amadores ainda a experimentar as alegrias e os receios da primeira experiência, o sentimento geral do público que encheu completamente a sala da ASSABA, foi de encorajamento e aplauso pelo trabalho apresentado. E quanto a mim ( permitam-me personalizar), é exactamente assim que me apetece terminar este texto, dizendo: “Parabéns” e “Força”!

Texto e foto: Paula Bravo

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