Home / Página Aberta / PÁGINA ABERTA: Alunos, professores e pais em casa. E agora?

PÁGINA ABERTA: Alunos, professores e pais em casa. E agora?

Alunos, professores e pais em casa. E agora?

Temos levado anos a pensar, a experimentar, a tentar implementar as novas tecnologias no ambiente escolar. Como em tudo, há uns que vão na frente e outros atrás. Dos que vão na frente e, por algum motivo estão ligados a esta terra ruiva de São Bartolomeu de Messines, conheça-se o exemplo do projecto MILAGE (MathematIcs bLended Augmented GamE) (http://milage.ualg.pt/?page_id=556) no campo da matemática, liderado pelo professor da Universidade do Algarve Mauro Figueiredo, que a todos inspira.

Mas, de um dia para o outro, ficámos sem hipóteses. A adopção do digital passou a ser a única possibilidade para mantermos as relações de ensino-aprendizagem. E neste momento, vêm ao de cima as enormes dificuldades que a iliteracia digital coloca, inclusivamente, aos mais novos, os designados ‘nados digitais’, que, na verdade, não sei o que sejam, como não sei o que seja um ‘nado-ardósia’, ou um ‘nado-lápis’, ou um ‘nado-impresso’, pois qualquer tecnologia obriga a uma aprendizagem lenta e disciplinada, sendo a primeira delas a leitura.

‘Nados digitais’ que, em grande número, apenas dominam o ambiente digital dos jogos, não sabendo elaborar e enviar um e-mail, fazer uma pesquisa de informação fidedigna, navegar nas plataformas virtuais de manuais escolares, etc., etc., etc. No entanto, serão eles quem mais facilmente lá chegará, pois nos outros dois vértices deste triângulo que compõem a comunidade educativa (pais e professores), as dificuldades não são, por vezes, menores.

Acresce que, para esta nova dinâmica de ensino-aprendizagem à distância, é fundamental equipamento, tecnologia, acesso à rede de internet e dados para navegar, desenvolvimento de conteúdos adequados às novas circunstâncias e apoio familiar para receber, visualizar, ouvir, navegar, editar, pensar, produzir, discutir, imprimir, devolver, avaliar.

Haja mente sã, pois também aqui bate o ponto. Os equipamentos técnicos, intelectuais e emocionais das famílias são todos diferentes e à escola continua a competir, na sua também enorme diversidade humana e de recursos, garantir o direito à igualdade de oportunidades no acesso e êxito escolar, continua a garantir o direito a APRENDER. E não nos enganemos, pois o acesso a um computador e à internet não é o acesso à escola, sobretudo num tempo de crise e de emergência nacional em que não só a saúde física, como a saúde mental das populações é significativamente afectada.

Não sei se estaremos à altura para resolver esta equação, tão difícil, nestes dias tão incomuns. Mas tenho a certeza de que, se ao longo da história da educação tem sido difícil construir comunidades educativas activas e actuantes, neste momento, de tão profundas alterações, estamos a transformar-nos todos – pais, professores, alunos – não numa comunidade educativa, mas numa verdadeira comunidade-aprendente. E isso não é mau, apesar das dores do parto.

Para enfrentar os próximos meses a aprender, aqui fica uma sugestão muito útil para todos: https://bibliotubers.com/estou-a-ter-aulas-a-distancia-21476?fbclid=IwAR20S4RDK9fQ1ZXtf1Vx2F3a_4hVbbyNFUevolHcmXy3VNQitFOjIL6AVGk

E já agora, tenhamos todos em mente que «no aprender consiste o prazer»!

 

Patrícia de Jesus Palma, 1 de Abril de 2020

Partilhe nas redes socias:
Share on Facebook
Facebook
0Pin on Pinterest
Pinterest
0Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin

Veja Também

PÁGINA ABERTA: Ter Coração

TER CORAÇÃO Fui às compras um qualquer dia Estando eu no lidl e por sinal …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *