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PÁGINA ABERTA: Ai Silves…

Ai, Silves
sobre ti
que há a dizer?
tudo e nada
nada
porque não faz falta
porque a ti basta ser
tudo
porque foi aqui
que por primeira
sim, malta
por vez primeira
vi a Deusa da Feira
e ela me viu a mim.

Mais acima?
de Silves
no cheiro da esteva
do resmono e da urze
tempo duro
viveu o meu pai
na vida da serra
como ele dizia
carregando paus
p’ra atar a cortiça
sem um ai
de casa saía
do burro à rabiça
ainda no escuro.

A cortiça?
em Silves
que tanto deu
e que tanto tirou
eram milhares
pelos caminhos
de madrugada
estrelas no céu
já noite fechada
calcando o chão
puxando o chapéu
p’ra ganhar o pão
que o diabo amassou.

Os laranjais?
as estevas até
eu sei
o Castelo também
das mouras as lendas
do rio a maré
no seu vai e vem
os mergulhos na levada
e até na ilha
ai, Silves
não sei o que és
serás mãe
ou serás filha?

A ribeira?
sempre a ribeira
à sua margem
nasci
lá p’rós lados da barragem
não é o rio
desse já falei
nela pesquei
nela nadei
junto a ela trabalhei
e ganhei brio
e de homem ganhei ares
mas mesmo sendo
a minha ribeira
nem chega aos calcanhares
ai, Silves
da Deusa da Feira.

“AI, SILVES” (poema)
Zé Varela – Setembro 2013

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2 Comentários

  1. Zé Varela, não te conheço, mas obrigado pelo ar fresco, a resmono e a estevas, que espalhaste no ar e, principalmente, nas nossas memórias …

  2. Obrigado! É um prazer.

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