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Educação… a base do desenvolvimento

Passado o mês de março e as comemorações do 190º aniversário de João de Deus, poeta lírico e exemplar pedagogo, considerado à época o primeiro do seu tempo, é bom falarmos de educação. O direito à educação foi uma das grandes preocupações deste homem, grande defensor da instrução pública popular, que assumiu a missão de erradicar o analfabetismo e dar a todos pelo menos as ferramentas básicas do saber ler e escrever. Consciente das dificuldades e diferenças individuais no processo de aprendizagem cria um método simplificado de ensino a Cartilha Maternal, para que a todos fosse fácil aprender, sublinhando que a leitura é uma ARTE.

A educação é sem sombra de dúvida a melhor forma de promover o desenvolvimento de um povo, dando-lhe o conhecimento potenciador da descoberta, do crescimento, da melhoria das condições de vida individuais e sociais, mas também da possibilidade da afirmação individual enquanto pessoa. A educação começa na família, passa pela escola, e inclui todo o meio social envolvente. Numa era de grandes revoluções e mudanças, a educação tem de se renovar e sair da previsibilidade dos modelos existentes, que cada vez menos se ajustam aos desafios da atualidade. Impõem-se às nossas escolas e professores/educadores, nos diferentes níveis de ensinos, um espírito empreendedor, criativo e desafiador, por forma a desenvolver nos estudantes o seu potencial e competências para os projetos profissionais, mas também competências para a vida (pessoais, sociais e éticas). Dar um sentido às aprendizagens do presente para dar um propósito à vida, contribuindo para uma sociedade mais justa, respeitadora das diferenças, integrando os contributos da diversidade individual, social e cultural.

De uma forma geral todos referem que a educação é o motor transformador da sociedade. Contudo, qual o real valor que se dá à educação? De que forma é que os modelos de ensino existentes contribuem para isso? Vão os estudantes entusiasmados para a escola? Sentem-se motivados para aprender? Faz-lhes sentido o que lhes é ensinado? Realizam projetos empolgantes? Evoluem em todas as dimensões? E os nossos professores/educadores vão para as aulas com motivação e vontade de partilhar e transmitir conhecimento? Conseguem inspirar e estimular os estudantes? Sentem-se estimulados e valorizados na sua função?

Considero que infelizmente estamos a falhar no essencial. Uma boa parte dos jovens passa 12 anos da sua vida na escola e faz isso por obrigação e não por gosto em aprender, tendo como consequência maiores dificuldades em fazer melhores escolhas, não se desenvolvendo na sua plenitude como pessoas verdadeiramente realizadas. Quando falo em escolhas, não falo em seguir para um ensino universitário apenas, pois existem muitas outras opções que podem ser construídas a partir de uma boa aprendizagem de base, que permita por exemplo, desenvolver a capacidade empreendedora, o pensamento crítico, a criatividade, a capacidade de resolução de problemas.

Por outro lado, é fundamental a criação das condições estruturais facilitadoras da mudança de forma mais consistente. A valorização profissional, de que tanta falta têm por exemplo os professores, o salário justo, a atratividade das carreiras/profissões e captação e desenvolvimento de talentos nos diferentes setores, são alguns aspetos a considerar, por forma a termos os melhores profissionais, motivados para um desempenho de excelência, nesta missão que é ensinar a gostar de aprender. As políticas públicas ao nível da educação têm de ser pensadas a mais longo prazo, ajustadas à realidade deste século, numa ligação dinâmica entre estado, empresas, escolas, centros de formação e universidades. De que adianta formar pessoas em áreas que não têm saída no mercado de trabalho porque não há procura, e depois termos áreas em que não temos profissionais com formação para preencher as necessidades? É necessário equilibrar esta balança.

Melhorar a Educação é difícil, mas necessário. Há visões e projetos educacionais muito diferentes, das escolas mais rígidas e tradicionais às mais inovadoras. Felizmente começam a surgir projetos mais avançados, que atraem professores ávidos de uma nova forma de transmitir conhecimento, regressando aquela que deveria ser a sua principal missão – ensinar, e alunos que procuram um novo sentido para as suas vidas com ligação direta ao que aprendem. É preciso arriscar em coisas novas, redesenhar os espaços, o currículo, as metodologias e a avaliação. É preciso ensinar a pensar, desenvolver pensamento crítico, promover a autoaprendizagem, a descoberta, incentivar a curiosidade natural. É, não sendo fácil, necessário transformar as mentalidades, as estruturas demasiado enraizadas e fora dos desafios e exigências deste tempo.

São muitos os desafios? São. Existem muitos problemas para resolver? Sim. É um processo complexo e de longo prazo, que exige colaboração, persistência e coragem. É urgente tornar cada momento de aprendizagem uma experiência de vida inesquecível, que seja o botão impulsionador da construção de indivíduos mais realizados, mais felizes e capazes de contribuir para um mundo melhor e mais justo.

Educar é sem dúvida um grande desafio. Como nos dizia João de Deu: ”… a verdadeira palavra do homem é a palavra escrita, porque ela é imortal. Mas enquanto o ensino da palavra falada é o encanto das mães e filhos, o ensino da palavra escrita é o tormento dos mestres e discípulos”

Deixo-vos com as palavras de outra grande pedagoga – Maria Montessori:
“ Para ser eficaz, uma atividade pedagógica deve consistir em ajudar a criança a avançar no caminho da independência.”

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