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Poderes

Num sistema democrático, tão relevante é quem governa, como a oposição. Uns e outros devem pautar a sua ação pelo sentido do dever público, exercendo as funções com competência e conhecimento dos dossiers, atuando com responsabilidade e credibilidade, ética e bom senso, mantendo o respeito mútuo, fazendo prevalecer, fundamentalmente, os interesses das comunidades e das populações.
Em democracia é salutar a divergência de opinião, o confronto de orientações políticas e conceções ideológicas, revelando-se a oposição absolutamente necessária, enquanto força de pressão que critica com fundamento e impede o adormecimento e as práticas rotineiras de quem governa.
Entre poder e oposição é determinante que se promova o debate de ideias, evitando o choque de personalidades que tudo desfoca e adultera, encarando-se o lado contrário como adversário e não como inimigo. Reproduzindo a expressão já feita, “há vida para além da política”, importa sublinhar que tudo na vida é relativo e efémero. Impõe-se que a praxis política seja desenvolvida ao serviço dos cidadãos, com estabelecimento de relação estreita e próxima, sobretudo, com apresentação de resultados e a resolução de problemas sociais. É por este caminho que se afastam os populismos e os novos caudilhos que já pululam por aí, vários deles, reciclados de outras paragens.

Na realidade é no Poder Local que estas questões, por mais próximas dos cidadãos, são mais escrutináveis e acolhem maior visibilidade.

Vem o introito já longo a propósito de afirmações e posições políticas de alguns elementos da oposição que descredibilizam as forças políticas por quem foram eleitos e a própria democracia, não se respeitando a si próprios nem os demais.

Na última edição do “Terra Ruiva”, no relato noticioso do debate acerca do orçamento camarário para 2020, salta à vista a insanável contradição entre o “não haver nem intenção nem vontade de negociar o espólio da Fábrica do Inglês” (pág. 8) por parte do Município de Silves, e a feliz circunstância do jornal, abordar precisamente na mesma edição, e de forma desenvolvida, com chamada à primeira página, o assunto da Fábrica do Inglês, que demonstra o contrário do declarado.
Apetece recomendar aos eleitos e responsáveis partidários que façam o trabalho de casa, que estudem e investiguem a matéria antes de debitarem conclusões erradas e precipitadas. Mas isto é somente a ponta do iceberg. Lamentavelmente, outras declarações profusamente demagógicas, incoerentes e incompetentes, produzidas noutros contextos, repetem-se no panorama local com excessiva facilidade, demonstrando à saciedade que certos protagonistas da oposição local permanecem impreparados para as funções do contraditório e da governação.

Porém há que reconhecer que a tarefa não se afigura fácil quando no lado da governação municipal de maioria CDU assistimos a forte dinâmica e criatividade nos campos do investimento e da realização de atividades que é balizada por modelo de gestão assente em linhas de orientação estratégica e em prioridades, num contexto de finanças públicas locais sustentáveis e saudáveis.

O início do Ano Novo talvez seja o ponto de partida para refletir e corrigir comportamentos e trajetórias.

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