Do Mercado Municipal a edifício da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra

Em Silves, no edifício da Câmara, esteve patente, no mês de dezembro, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “De Mercado Municipal, a edifício da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra”.
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral, com o texto e as imagens, está disponível aqui:Expo_DM_Dezembro_2019

 

De Mercado Municipal a edifício da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra

São Marcos da Serra, com uma população estimada em cerca de 1 352 (Censos de 2011) é uma aldeia e sede de freguesia do concelho de Silves com cerca de 154,90 Km2 de área, situada em plena serra algarvia.

Lugar de ocupação muito antiga, a freguesia foi povoada desde tempos remotos, como testemunham vários achados – necrópoles do Sítio da Sapeira e do Sítio do Monte Branco datadas do século I e II, respetivamente. Os topónimos de origem árabe, como Alcaria, Benafátima e Corte Mourão atestam a ocupação árabe desta zona.
Apesar de não se conhecer, com precisão, a data da criação da freguesia, a referência documental mais antiga remonta a 1598 na informação que o bispo D. Fernando Martins Mascarenhas enviou ao Papa Clemente VIII sobre o estado do seu Bispado. Porventura terá sido na primeira metade do século XVI, no reinado de D. Manuel (1495-1521) que surgiu, atendendo a que foi este monarca que empreendeu toda a reorganização da administração do território e conferiu os novos forais às cidades e vilas portuguesas.
São Marcos, que tem como orago São Marcos Evangelista, ergue-se numa colina com várias elevações em redor, entre arvoredos, circundada pela Ribeira de Odelouca, que aí é conhecida com o nome de Ribeira de São Marcos.
A chegada da Linha do Sul do caminho-de-ferro, inaugurada a 1 de julho de 1889, trouxe grande desenvolvimento a esta aldeia.
No início da década de 1920 o seu principal comércio era a exportação do carvão fabricado nas cercanias. Por esses anos ocorreu também a instalação da indústria de moagem a vapor e de uma estalagem, afinal a aldeia era muito procurada como estação de repouso pela gente pouco abastada da província. Por outras palavras, São Marcos da Serra era então uma terra turística e de paragem.
Assim, devido ao aumento populacional proporcionou-se a construção de novas habitações, arruamentos e equipamentos.

É neste sentido que a construção de um edifício para instalar o mercado em S. Marcos da Serra foi equacionada a 13 de junho de 1932, quando a Junta de Freguesia informou que se tornava necessário construir naquela povoação uma praça e o calcetamento de ruas.

Contudo, esta construção transitou para a década de 60, sendo de 1961 o projeto para construção de um Mercado em S. Marcos da Serra .
Localizado na parte alta da povoação, e mandado construir, em 1962, pelo então presidente da Junta de Freguesia, António Lourenço, era um edifício térreo com pé direito duplo, destinado à venda de peixe, frutas e hortaliças e talho, que em conjunto com a Igreja Matriz constituía a principal praça urbana.

A 23 de outubro de 1968 foi cedida pela edilidade silvense uma sineta, existente na antiga escola industrial, por forma a permitir que o público fosse avisado da chegada do peixe ao mercado. Todavia este espaço não teve vida longa, uma vez que deixou de funcionar no início da década de 1970.
Na reunião camarária de 16 de março de 1981, presidida por José Francisco Viseu, foi apresentado um ofício de José Miguel Vargas, presidente da Junta de Freguesia de S. Marcos da Serra, pedindo a doação àquela Junta do edifício do Mercado Municipal da localidade. A Câmara deliberou delegar na Junta a exploração e administração do Mercado, nas mesmas condições das outras freguesias.

Como a Junta de Freguesia e a Casa do Povo não dispunham de instalações condignas, sendo as existentes exíguas, impedindo o desenvolvimento de novos serviços, entre 1980 e 1982, para a construção da Sede da Junta de Freguesia, Casa do Povo e Serviços Médico Sociais, a Câmara juntamente com a Junta procederam à aquisição de vários terrenos pertencentes a António Luís Franco e esposa Alzira dos Reis Nunes Franco.
Assim, no local onde existia uma garagem usada para a guarda da ambulância que servia a população, e dispondo de uma área aproximada de 1300m2, situada no centro do aglomerado, resolveu aproveitá-la para o efeito, mandando elaborar o projeto comum, pelos Serviços Técnicos da Assembleia Distrital de Faro.
Como o terreno em causa apresenta um declive acentuado houve necessidade de para o seu integral aproveitamento considerar uma construção desenvolvendo-se em três pisos: rés-do-chão, piso intermédio e cave.
Do r/c faziam parte um hall, instalações sanitárias para homens e senhoras, secretaria da Junta de Freguesia, seguido de corredor que dava acesso ao gabinete do presidente da Junta de Freguesia, outro gabinete do presidente da Casa do Povo, uma sala de reuniões comum, uma biblioteca, secretaria da Casa do Povo e um arquivo comum. Com acesso por escada ao piso intermédio nele seriam instalados os Serviços Médicos Sociais com a seguinte distribuição: um hall seguido de sala de espera e uma sala de primeiros socorros, uma secretaria, dois consultórios médicos, uma sala de tratamentos, uma casa de banho e uma arrecadação. A cave seria composta por um hall e um pequeno bar, um salão polivalente, uma sala de jogos e instalações sanitárias.
Exteriormente dispunha o edifício de várias zonas ajardinadas e pátios aos vários níveis, todas servidas por escadas a partir do r/c.
Este projeto foi aprovado em reunião camarária realizada a 18 de maio de 1982, tendo a obra um custo aproximado no valor de 9.264.000$00. Devido ao valor elevado e à falta de verba para a comparticipação nas custas do edifício em causa, abandonou-se esta ideia em 1986. Continuando a ser utilizada a garagem, que no final da década de 1990 foi reabilitada para Espaço de Multiusos.

Em reunião de Câmara realizada a 15 de outubro de 1991, presidida por Francisco Manuel dos Santos Matos, foi aprovada a execução do arranjo do Largo da Igreja. O projeto definia um largo com uma forma aproximadamente retangular, localizado num dos pontos mais altos da freguesia. A principal intenção era enquadrar um busto de um benemérito da povoação, o Dr. António Bernardino Ramos, ilustre e amável médico que nada cobrava aos mais necessitados e a todos socorria.
Constituído por duas áreas diferenciadas, uma pavimentada e outra por zona ajardinada, com plátanos, choupos e olaias. De realçar um miradouro e um pequeno parque de estacionamento. A obra ficou concluída em julho de 1996.

Mercado Municipal, 1996

Em 1995, e atendendo às reivindicações da população no sentido de dotar S. Marcos com instalações mais adequadas para sede de Junta de Freguesia, centro médico e uma sala de reuniões, pensou-se em aproveitar o edifício do Mercado Municipal, para esse fim.

Na reunião camarária de 1 de agosto, presidida por José António Correia Viola, foi deliberado a conversão do Mercado Municipal para Centro de Saúde e Junta de Freguesia, aprovando o projeto de arquitetura de reestruturação do Mercado Municipal, elaborado pela arquiteta da Câmara Municipal, Maria Helena Lamy Figueiras.

Sendo o Mercado um edifício térreo com um pé direito duplo na nave central onde se fazia iluminação zenital, o projeto de reestruturação não alterou formalmente o edifício propondo a divisão do espaço interior em dois pisos, ficando as instalações para o Centro de Saúde e Junta de Freguesia no piso térreo, com átrio de entrada comum, de onde se faz o acesso à sala de reuniões no piso de cima. Exteriormente não ocorreram alterações significativas, uma vez que o mesmo se integra num conjunto arquitetónico, onde se destaca a Igreja Matriz, sendo os alçados alterados no sentido de as fenestrações se integrarem na nova estrutura espacial interior. O edifício vai manter a cor e textura de paramentos existentes.

A 16 de abril de 1996 a Câmara, apreciando a informação da Divisão de Obras Municipais, deliberou abrir concurso limitado sem apresentação de candidaturas para adjudicação da obra, estimando-se que o seu valor não ultrapassasse o montante de 20.000.000$00 e o prazo de execução não excedesse os 4 meses .
Os trabalhos tiveram início a 9 de setembro, e apesar da previsão da conclusão das mesmas até ao final desse ano, devido à adjudicação de trabalhos a mais, a receção provisória ocorreu a 29 de agosto de 1997, passando a ser utilizadas para aquele fim a 24 de outubro de 1997.

Junta de Freguesia de São Marcos – o edifício atual (2000)

Com este edifício a Junta de Freguesia de S. Marcos da Serra criou melhores condições de trabalho para os funcionários, melhorou a eficácia dos serviços e o tempo de resposta às solicitações, passando a servir melhor a população.

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