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Geoparque Algarensis Loulé-Silves-Albufeira já prepara candidatura à UNESCO

Teve lugar no dia 2 de dezembro, na Câmara Municipal de Loulé, a cerimónia de assinatura do protocolo de colaboração celebrado entre os municípios de Loulé, Silves e Albufeira e a Universidade do Algarve / Centro de Investigação Marinha e Ambiental, no âmbito da elaboração e realização do processo de candidatura a Geoparque Mundial da UNESCO – Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira.
Já no dia 7 de dezembro, o projeto foi apresentado publicamente em Loulé, na conferência “Geoparque Algarvensis, desafios e oportunidades”, na qual participaram os presidentes dos municípios envolvidos, bem como os oradores convidados: Artur Sá (coordenador da Cátedra UNESCO em Geoparques), Octávio Mateus (Investigador da Universidade Nova de Lisboa) e Cristina Veiga-Pires (diretora científica do aspirante Geoparque Algarvensis).
O programa desta tarde culminou com a inauguração da exposição “Vamos ser geoparque Algarvensis, o que é isso? Um território aspirante a Geoparque Mundial da UNESCO”, que se encontra na Escola Secundária de Loulé e que pode ser vista até ao dia 17 de dezembro.
A ideia da criação deste geoparque foi inspirada no achado paleontológico Metoposaurus algarvensis, um anfíbio semelhante a uma salamandra gigante que viveu há 227 milhões de anos, descoberto na Jazida da Penina, em Loulé, e considerado um importante achado à escala mundial. Outros achados têm sido feitos em territórios do Algarve, hoje incluídos nos concelhos de Loulé, Silves e Albufeira.

Reconstrução artística do anfíbio o Triásico do Algarve, Metoposurus algarvensis, por Joana Bruno

Neste momento, trabalha neste projeto uma equipa técnica multidisciplinar, com elementos das quatro entidades envolvidas. Não se sabe ainda ao certo quando será apresentada a candidatura à UNESCO, mas para o próximo ano prevê-se a constituição de uma associação que ficará responsável pela gestão do projeto do aspirante Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira.

Placodonte em Messines

Mas não só em Loulé se fizeram descobertas importantes, Ainda em maio deste ano, o Terra Ruiva divulgava que, em São Bartolomeu de Messines, foram descobertos vestígios de um placodonte, um grupo de répteis aquáticos, com uma aparência semelhante à das tartarugas, devido às carapaças que possuíam. Alimentavam-se de moluscos que esmagavam com os seus grandes dentes planos.

Assim seria o animal que viveu em Messines há mais de 200 milhões de anos

O placodonte descoberto em Messines faz parte de uma espécie muito rara, Henodus, que vivia em lagoas pouco profundas e, ao contrário dos seus “primos” era desdentada, pelo que se alimentava, por filtragem, de pequenos organismos que se encontravam na água, tal como fazem os flamingos.
Por a sua descoberta ser recente, ainda estão em estudo algumas hipóteses mas pensa-se que esta poderá ser uma espécie única do Algarve Central, presente nos concelhos de Silves e de Loulé.

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2 Comentários

  1. O Algarve é composto, sob o ponto de vista geomórfico, por três sub-zonas, bem distintas e conhecidas por quem por ele se desloca, que se estendem, longitudinalmente, e são, ‘grosso modo’, de Norte para Sul :
    1 – A serra
    2 – O barrocal
    3 – O litoral
    Cada uma destas regiões tem características bem definidas, designadamente, em termos de aptidões agrícolas, com destaque para a pobreza dos solos da serra, média qualidade nos do barrocal, sendo que é na faixa do litoral que encontramos os melhores.

    No aspecto geológico são igualmente bem individualizadas as diferenças entre as três zonas.
    Em tempos geológicos ancestrais, a antiga linha de separação entre a parte emersa e a imersa ou, dito de outro modo, entre a parte que se situava na transição do continente para o mar, é representada pela longa faixa de arenito, hoje existente bem longe da actual costa e mostrada nos mapas geológicos, faixa que parte da zona leste da província, através do subsolo, e emerge no conhecido afloramento da área de Silves, donde tira a designação de ‘grés-de-Silves’, por que também é conhecida a respectiva rocha.
    Prossegue até ao litoral do barlavento algarvio, onde, na praia do Telheiro (Vila do Bispo), é possível observar espectaculares formações de arenito e ‘ler’, literalmente, parte da fantástica história geológica da Terra.

    O nosso Penedo Grande é um dos acidentes que integra o afloramento dessa formação de arenito, cuja altura terá sido bem maior do que a que agora apresenta – assim como os picos serranos, que se espraiam à sua frente -, se não contarmos com a acção erosiva da meteorização, conjunto de processos mecânicos e químicos, que o tem desgastado, ao longo dos milhões de anos.

    Compreende-se que esta característica rocha ruiva tenha sido, em tempos geológicos recuados – mais de 200 milhões de anos -, o litoral antigo daquilo que viria a ser o Algarve, uma vez que é uma rocha sedimentar e composta pela escorrência das linhas de água, arrastando detritos de areia erodidos de outras rochas, que se foram acumulando e sobrepondo, em camadas, umas sobre as outras, em meio marinho (ou lacustre), exercendo, as de cima, pressão sobre as de baixo, compactando-as, sendo esses sedimentos ligados, pela agregação de um cimento natural próprio.
    Ao longo dos tempos, essas camadas sedimentares iam, esporadicamente, cobrindo restos de plantas ou de animais, os chamados fósseis.

    A zona do barrocal, constituída predominantemente por rocha calcária, tem, no próprio nome, se bem virmos, a explicação da sua origem.
    É, tal como o arenito, uma rocha sedimentar, que foi gerada no fundo marinho pela deposição e acumulação de minúsculos organismos conquíferos.
    É comum encontrarmos, no seio das áreas calcárias, as conhecidas formações cársicas, geradas pela dissolução do seu carbonato de cálcio, dando origem a pequenas cavidades e fendas na rocha e, por vezes, mesmo, a grutas ou algares.

    Seria interessante que o ‘Geoparque Algarvensis’ como instrumento vocacionado para a divulgação da ciência geológica, não se quedasse apenas pelas coordenadas da nossa província, mas se debruçasse sobre olhares mais abrangentes do estudo desta disciplina.
    Um deles tem início físico bem perto de nós.
    Trata-se de uma extensa entidade geológica, que se estende, ao longo de 130 graus de longitude.

    Falo da ‘Cadeia Alpino-Himalaia’, formada na Era Cenozóica, pela sub-ducção das Placas Africana, Arábica e Indo-Australiana, sob a Placa Euro-Asiática, originando nesta um extenso cordão orográfico, de inúmeras cordilheiras, ao longo de todo o Sul da Europa e prosseguindo para leste, até ao Extremo-Oriente, atingindo o Himalaia, continuando pela Birmânia, Tailândia, Malásia até à Indonésia, acompanhando, ‘grosso modo’, desde o seu início, os contornos superiores das placas acima referidas, ao afundarem-se, por sub-ducção, sob a Placa Euro-Asiática.
    A ‘Cadeia Alpino-Himalaia’ engloba, no seu percurso, entre outros, os seguintes acidentes orográficos :

    – Cordilheira do Atlas
    – Cordilheira Bética
    – Montes Cantábricos
    – Pirinéus
    – Alpes
    – Apeninos
    – Alpes Dináricos
    – Monte Pindo
    – Cárpatos
    – Balcãs
    – Montes Tauro
    – Cáucaso
    – Cordilheira Elburz
    – Cordilheira de Zagros
    – Indocuche
    – Pamir
    – Caracórum
    – Himalaia
    – Ilhas de Java e de Sumatra

    Após a leitura que fiz do ‘site’ ‘Algarvensis Geoparque / Actividades Educativas 2019 – 2020’, permita-se-me que aqui deixe duas correcções :
    1 – O que é grafado como Laurússia deve ser emendado para Laurásia
    2 – Segundo o conceito proposto pelo alemão Alfred Wegener – aceite, comummente, pela universo científico -, foi o megacontinente Pangeia, que, desmembrando-se, deu origem aos dois supercontinentes Laurásia, a Norte, e Gondwana, a Sul, e não o contrário, como é referido, isto é, que da colisão entre Laurásia e Gondwana tenha resultado o Pangeia.
    O que esteve na origem da formação do megacontinente Pangeia foi, segundo os geólogos, a intensa actividade vulcânica existente, na Terra da altura, então, muito mais jovem.
    A separação da Pangeia nos dois supercontinentes, Laurásia e Gondwana, teve início no Período Jurássico (há cerca de 180 M.a.) e prosseguiu pelo Período Cretácico.

    – A Laurásia, desmembrou-se, por sua vez, e gerou, após longa evolução de milhões de anos, os actuais continentes América do Norte e Eurásia (Europa e Ásia).
    Uma das consequências que ocorreu, devido à deslocação da Placa Africana para Norte, contra a Placa Euroasiática, foi o formação do Mar Mediterrâneo, que ficou a constituir uma parte residual do antigo Mar de Tétis.
    A abertura do Mediterrâneo ocidental ao Atlântico, principiou há cerca de 26 M.a., através de pequenos estreitos – não existindo ainda o Estreito de Gibraltar, como tal.
    Mais tarde, há cerca de 6 M.a., a ligação ao Atlântico foi fechada, o que motivou que cerca de 3/4 das águas do Mediterrâneo tivessem secado, por evaporação, evento geológico que originou um ‘evaporito’, a que foi dado o nome de ‘crise de salinidade messiniana’ (na Época Miocénica), deixando, como memória, enormes depósitos de sal-gema.
    A água recebida no Mediterrâneo pelos rios Ródano, Ebro, Nilo ou Danúbio não foi suficiente para compensar a evaporação.

    Posteriormente, há cerca de 5 milhões de anos, as águas do Atlântico romperam o bloqueio, criando o que é hoje conhecido como Estreito de Gibraltar, e recomeçaram a prover de água a enorme fossa do Mediterrâneo, enchendo-o, tal como hoje o vemos.
    Foi através da obtenção de colunas dos sedimentos e respectiva análise que os cientistas fundamentaram a sua teoria.
    Embora exterior ao Mediterrâneo, a mina de sal-gema de Loulé foi, certamente, gerada numa situação semelhante, sinal evidente de que já foi fundo marinho.

    – A Gondwana, tal como a Laurásia, desmembrou-se e deu origem aos futuros continentes América do Sul, África, Antárctida, Austrália, ilhas do Pacífico Sul e Índia.
    De referir que a Placa Indo-Australiana, sobre que assenta a Índia, deslocando-se para Norte, através do antigo Mar de Tétis, foi colidir com o bordo Sul da Placa Euroasiática e, afundando-se sob ela, gerou, por sub-ducção, – que prossegue – a Cordilheira dos Himalaias, a qual não pára de crescer em altura.

    Uma vez que a deslocação das Placas Tectónicas não pára, visto que são movidas pelas ‘Correntes de Convecção’ do magma, prevê-se que, daqui a cerca de 200 / 250 M.a., a actual configuração da distribuição dos continentes esteja, de novo, reduzida a nova Pangeia.
    Além da infindável alteração dos continentes, através do movimento constante das placas tectónicas, as ‘Correntes de Convecção’ geram igualmente os eventuais e imprevisíveis terramotos e fenómenos de vulcanismo.

    O que está na origem da dinâmica interior das ‘Correntes de Convecção’ da Terra é o facto de que o magma que se encontra mais perto do núcleo está mais aquecido e, por ser mais leve, ‘sobe’, em direcção à crosta, enquanto o magma que se encontra mais perto desta e possui temperaturas inferiores ‘desce’, em direcção ao núcleo, gerando-se, assim, um movimento circular, que se traduz, ao nível da crosta, pelo arrastamento e movimento das placas tectónicas.
    Podemos afirmar que o núcleo de ferro fundido da Terra, de 6.000 graus Celsius de temperatura – a mesma da superfície do Sol – é o grande motor de vida do nosso planeta.

    É possível observar um fenómeno semelhante de movimento circular, numa panela com água ao lume.
    Logo que a água entra em ebulição, realizará uma série de movimentos, em que a água localizada mais abaixo (mais quente) emergirá e a que estiver por cima (mais fria), afundará.
    As bolhas que vemos emergir à superfície revelam isso mesmo, isto é, que a água que vem da parte inferior, mais aquecida, sobe.
    Simples.

    A deslocação das placas tectónicas, transportando os continentes, faz-se, no caso das ‘placas de divergência’, à ‘estonteante’ velocidade de 2,5 cms. / ano, enquanto nas situações de ‘placas de convergência’ essa velocidade é de 1,7 cms. / ano.

    NOTA – Peço que as chamadas de atenção, que acima faço, sejam interpretadas, no melhor dos sentidos, sem qualquer intenção menos positiva, e apenas com o objectivo de obviar a uma informação incorrecta.

  2. Costuma dizer-se que as palavras são como as cerejas, mas as ideias também o são.

    Estava eu a ouvir rádio, a minha grande companheira dos tempos livres, como costumo dizer, a qual considero como um dos meios de comunicação mais nobres, quando o radialista algarvio Edgar Canelas e o Jorge Roque, do grupo musical alentejano ‘Monda’, comentando o seu último disco – a que foi posto o nome de ‘Cal’ – me deram uma ideia.

    Falou-se da cal, como um dos ícones da parte meridional do nosso país.
    Mentalmente, por contraposição e exclusão, pensei no telúrico granito, de cor escura e triste, que caracteriza o Norte, rocha resultante do arrefecimento lento do magma, o que lhe confere uma textura cristalina, ao contrário, por exemplo, do basalto, com a mesma origem, mas amorfo, porque de arrefecimento rápido.
    Então, extrapolei para um outro pensamento de dimensão bem mais alargada do que apenas o nosso país.

    Na minha mente, projectaram-se, não só as imagens belas, que nos prendem, pela sua singeleza, do branco luminoso das pequenas terras alentejanas, onde as casas térreas caiadas de branco deslumbram os nossos olhos, costume ancestral que, lamentavelmente, se vai perdendo, que era, dantes, também normal, encontrar-se no Algarve e que a moderna arquitectura, massificante e incaracterística, tem vindo a adulterar.
    Visualizei também o branco ofuscante das aldeias gregas, alcandoradas nos penhascos calcários, sobre o Mediterrâneo, assim como o branco, sempre o branco, das paredes das pequenas casas antigas das localidades africanas, em quase toda a beira do Mediterrâneo comum.

    Dantes, não havia ar condicionado eléctrico e era assim, deste modo inteligente, que, nas zonas mais quentes, os antigos protegiam do calor o interior das suas habitações, visto que, como se sabe, a cor branca da cal reflecte a quase totalidade do calor dos raios do Sol.

    Pelos elementos disponíveis, é minha convicção que toda esta nossa herança comum com os povos do Mediterrâneo, tem uma explicação geológica.
    E ela tem a ver com a origem do calcário de origem marinha.

    Como se sabe, ao longo de tempos, que nada têm a ver com o nosso curto horizonte de meros séculos, nas extensas eras geológicas de milhões de anos, aconteceram profundas alterações, em que a configuração dos continentes era totalmente diversa das zonas que vemos, hoje, como parte emersa, à volta do Mediterrâneo, as quais eram, dantes, fundo do mar.
    Foi nesse fundo marinho que ocorreu a sedimentação e formação das rochas calcárias – de que o chamado ‘barrocal’ algarvio é um exemplo, pelos seus ‘barrocos’ calcários – devido à deposição continuada no solo de minúsculos seres conquíferos.

    Não é, pois, por acaso que a cal usada para proteger as paredes era um elemento comum, em todo o litoral mediterrânico, na caiação das habitações.

    Como é do nosso conhecimento, a matéria-prima da cal é a rocha calcária, depois de cozida em fornos próprios.

    Ouvi, bastas vezes, a minha mãe, quando pretendia caiar a casa, encarregar-me de um ‘mandado’ – como, dantes, se dizia :
    ‘Zé Domingos, vai ao senhor Salvador comprar 5 quilos de cal, mas traz-me cal em pedra, não em pó’.
    Ela sabia o que dizia, visto que a cal em pó não prestava para o efeito.
    Porquê ?

    A cal em pedra é um óxido de cálcio, que a minha mãe colocava num vaso de barro e a que juntava água.
    Passados momentos, as pedras de cal entravam, numa espécie de ebulição muito activa, libertando um gás.
    Hoje, sei que o que ocorre é uma típica reacção, de que resulta uma base ou, mais precisamente, hidróxido de cálcio mais hidrogénio, o gás que eu via emergir.
    A chamada ‘cal em pó’ não reagia, porque tinha já reagido, numa reacção lenta, visto que é uma substância muito higroscópica e, como estava reduzida a pó, a sua área de contacto com o ar era muito maior do que as pedras e ia reagindo com a humidade presente no ar ambiente.
    A ‘cal em pó’ é, pois, para os efeitos práticas da caiação, uma espécie de ‘cal morta’.

    Faço um exercício de introspecção, rebobino a minha vida setenta anos para trás e visualizo o caiador, como uma longa cana e um pincel na ponta, como instrumento de trabalho, a caiar as paredes das casas do núcleo antigo e original – onde nasci – de Messines, algumas das quais correm, hoje, o risco de vir a ser abastardadas.

    Esperemos bem que não e que, por parte da edilidade da CÂMARA MUNICIPAL DE SILVES, haja respeito por este património cultural irrepetível e centenário de muitos séculos, que não lhe pertence, para que possa dele fazer o que entender, que apenas gere e que pertence, sim, a todos nós, designadamente, aos que amam a sua terra, SÃO BARTOLOMEU DE MESSINES.

    Estive, recentemente, na minha terra e o que ouvi deixou-me preocupado, quanto a uma garagem que – foi a informação que me deram – se pretende construir, drestruindo, para tal, uma mole virgem de arenito, que ali está, há mais de 200 milhões de anos, sobre que assenta a casa a reabilitar, no topo norte da Rua de São Sebastião.

    Se se confirmar a informação que me foi dada, isto não poderá, de todo, suceder, em pleno século XXI, visto que configura, claramente, um crime de lesa-património cultural.

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