Memórias Breves (20)- De Demócrito ao Século XXI

TEMOS um percurso muito longo e variado desde o Grego Demócrito, um estudioso da Democracia, um filósofo da política, considerado “O Pai da Ciência Moderna”, que vem da antiguidade grega, antes da era cristã. Não vamos a estudos prolongados, numa pequena memória que vem de 420 A.C. Avancemos muito mais próximo do nosso tempo. Fiquemos na Revolução Francesa de 14/07/1789. É um marco, um início da idade contemporânea, em que a Europa cria esperanças e reserva ódios. É o tempo da família real portuguesa se auto exilar para a América do Sul- Brasil – nessa continuidade em preservar o absolutismo, numa doutrina falsa do fundamental cristianismo. É o tempo das vozes lusas contrariando o secular princípio.

Viveram os portugueses um século (XIX) todas as metamorfoses políticas para chegar ao Liberalismo. Um tempo de mudança interrompida, numa democracia imperfeita para o século próximo. O século XX foi o da construção da República Portuguesa.

Sete anos depois, o início da Revolução Russa e de todas as consequências, atravessando o século XX para o início do século actual, nas suas metamorfoses.

A Liberdade guiando o Povo”- Obra imortal do pintor francês : Eugène Delacroix- pintor que viveu a Revolução.

Passámos pela 1.ª Grande Guerra Mundial. E entrámos numa ditadura feroz, de quase meio século. O mundo, entretanto, passara por uma outra Segunda Guerra Mundial: 1939-1945. Fora um período em que a Europa conhecera a experiência das modernas políticas, com direitos no trabalho, reformas, férias, proteção à saúde, e quanto mais!
Alemanha, Itália, França, fundaram os seus Partidos, naturalmente, à esquerda, numa possível recuperação dos merecidos e repetidos direitos. É muito recente todo o trágico dessas políticas extremas que a Alemanha produziu, inspirando o néo-nazismo, uma escola para o fascismo, em países diversos e muito apreciados pela alta finança e em diversos espelhos de sociedade. Com a derrota de Hitler, criaram-se silêncios, os países da ibérica continuaram no “sucesso” das suas políticas “tranquilas”, enquanto as populações lutavam pelas mudanças: França, Itália, Alemanha. Os cidadãos alcançaram novos direitos, novos salários, período de férias. Direito à saúde etc, etc. Mas não foi a classe superior, a não ser como fabricantes do belicismo, que deram o novo rumo aos países citados. A Liberdade, os direitos de Cidadãos foram conquistados. Os Partidos organizados. Uma cultura nova que vem seguindo os seus caminhos, mas de perturbações lógicas aos interesses…É um novo século de vontades e de contrários.

Na Península Ibérica, Portugal era admirado pela imprensa inglesa que cobria Salazar de elogios, como a revista “Times”, que fez capa com Salazar, como “modelo político”- 1946. As admirações não se afogaram. Mas tudo tem um tempo, na afirmação popular. Portugal “produz”, naturalmente, a sua Revolução. Seguindo-se depois a Espanha a recuperar a liberdade e direitos, classes e política, numa submissão aceite à monarquia. Os partidos da resistência ibérica dividiram-se nas suas classes. A Democracia que o grego de Abdera, o clássico filósofo Demócrito idealizou, na Europa do seu tempo, a Grécia clássica do Universo, tem os seus revezes de construção e obstrução e de reconstrução. É como o ser humano, nos seus conceitos que também se modernizam…

Recentemente o País passou por novas eleições. É o Tempo em continuidade no após 25 de Abril de 1974. Quarenta e cinco anos de construção, não diria reconstrução, que cerca de 50 anos vamos nos contras e nos prós. Vamos envelhecendo, entregando o presente e futuro aos vindouros. Eu tenho, nas minhas oito décadas de vida todas as mutações possíveis que os jovens me “oferecem”. Eu, hoje, aprecio mais a juventude, que a minha velhice. Creio que é natural no ser humano. Já falei em metamorfoses. Pois é! Por isso os jovens de hoje gostam da Catarina e nem por isso da Assunção. Então, deixemos o que passa, e peguemos no futuro. O Tiago terá a sua vez, certamente. Que o País já é mais uma responsabilidade dos netos que dos avós…

Mas, jovens, atenção! Ainda temos 18% da população, actual, Portuguesa, a viver em extrema miséria. Mais ao Norte… Onde as fortunas mais crescem. Vá lá entender, o que eu entendo…

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